Construtores de pequenas máquinas voadoras

Sempre focada em personagens únicos da cidade, Metrópole encontrou dois senhores que, do alto da sua experiência de vida, empregam sua energia na construção de pequenos aviões.  Construindo, consertando ou reformando estas pequenas aeronaves, eles dão literalmente, asas aos sonhos dos que descobriram no aeromodelismo um hobby e uma paixão de vida.

Em oficinas que parecem parques de diversões, os aposentados José Barbosa Neto e Demitri Condratiuk passam horas de seus dias em meio a pedaços de réplicas de aeronaves, gabaritos, madeiras e motores, fazendo peças de reposição, construindo e re-construindo modelos deixados por clientes e amigos. Curiosamente voar não é a praia de nenhum dos dois: eles gostam mesmo é de pôr a mão na massa, “catar os cacos”, fazer as peças, ver saírem do papel as suas “máquinas voadoras”.

Auditor bancário aposentado, José Barbosa Neto, trabalha com aeromodelismo há 52 anos, mas passou a dedicar-se mais depois da aposentadoria e disse que gosta da sensação de juntar as peças e construir. Até sabe voar, mas não gosta de ir para o campo ficar mexendo com gasolina e óleo porque suja muito. “Minha paixão é o avião e digo sempre para meus clientes: esse é meu até passar para tua mão. Sou caprichoso, metódico, faço como se eu fosse voar com ele, depois passo para os outros”, justifica.

Barbosa, que começou na arte aos 13 anos, faz os trabalhos por encomenda para os praticantes locais e de vários estados do Brasil. “Vendo o que construo, mas também conserto os que a meninada quebra. Não é dedicação total porque gosto muito de viajar, mas às vezes fico até 10 horas na oficina. Sou doido por causa de máquinas. Aeromodelismo para mim é satisfação, raramente paga os custos, é hobby. Passo o tempo, sem ficar barbudo, sem depressão, e ainda ensino a molecada que vem aqui e pede para aprender”, fala.

“Quando me aposentei importei umas 20 plantas. Falei: quando terminar de fazer estes aviões, eu posso morrer. Mas, até agora só construí dois, penso que vou viver muito (risos). Não dá tempo porque sempre tem avião para consertar. E eu sempre brinco, em aeromodelismo, tem avião que quebrou ou que vai quebrar. O cara voa, vai pegando confiança e abusando. Em um deles já fiz o 13º conserto”, comenta.

Quando se fala em produção de aviões, lembra que apesar do tempo que está na arte não é muito sofisticado. “Tem gente que faz até jato. É emocionante, faz barulho igual ao jato de verdade. Faço réplicas de muitos modelos e tamanhos diferentes. Fiz uma quase perfeita de um A18m que o Guto Baier ganhou quando fez 14 anos, ficou com 3,60m de asa e com trem de pouso que funciona. Agora um cliente de São Paulo me encomendou um deste com 6m, do tamanho de um ultraleve”, finaliza.

Convalescendo de uma doença, Demitri Condratiuk recebeu Metrópole na oficina que fica anexa à casa. Aos 81 anos e morando em Campo Mourão há 28 anos, é um dos “ases” da arte de construir aeromodelos. Detalhista, faz escalas perfeitas a partir das plantas que usa para construir ou reformar os pequenos aviões.

A vida profissional foi toda na aviação comercial, onde atuou como mecânico até aos 75 anos, em várias empresas e como autônomo.  Em 2005 recebeu do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura – CREA do Paraná, um reconhecimento histórico porque depois de 50 anos atuando como técnico de manutenção de aeronaves e na sua plena atividade profissional não sofreu nenhuma penalidade ética por parte daquele Conselho.

“Desde moleque eu mexia com aeromodelismo, mas parei quando adulto e voltei aos 68 anos a pedido do filho. Hoje são os netos que ficam aqui comigo na oficina, querendo ajudar. Quando comecei os aviões não eram motorizados, a rotação era no elástico, era difícil encontrar material. Hoje são mais fáceis, os custos ficaram mais em conta”, diz.

Meticuloso, até inventou modelos como os DB Trainer 1 e 2, e sempre teve muita precisão ao aplicar as plantas na construção dos aeromodelos. Além de modelos em madeira, Demitri também trabalha muito com fibra e presta serviços para muitas pessoas que gostam do modelismo. “Faço de tudo um pouco, até modelos náuticos. É um trabalho prazeroso, que ajuda no orçamento. Quando alguém liga pedindo conserto, já falo: Cata os cacos e traga pra mim”.


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