Casa da benção

Maria foi curada das dores nas costas, Eliane conseguiu ter um filho depois de vários abortos, José passou no vestibular de Medicina, Mariza conseguiu comprar uma casa. Estes relatos têm em comum sentimentos carregados de fé, esperança e gratidão. Histórias que se entrelaçam nas dependências do Santuário da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, na Vila Urupês, local de peregrinação em Campo Mourão e uma das referências de turismo religioso da região.

Elevada a Santuário em 2002, a paróquia da Vila Urupês recebe todos os anos milhares de peregrinos que buscam a intercessão divina em suas necessidades ou agradecem graças alcançadas. Na Diocese de Campo Mourão são dois santuários: este de Nossa Senhora Aparecida e, em Barbosa Ferraz, de Santa Rita de Cássia.  O diferencial em relação a outras paróquias é que os santuários são locais de peregrinação, onde os devotos podem encontrar nas celebrações e nos momentos de oração um pouco de alento e esperança nas dificuldades da vida.

Na Vila Urupês as pessoas preferem visitar a nave da Igreja – onde está a imagem de Nossa Senhora Aparecida – a gruta, a capela e a sala dos milagres e podem participar de celebrações em todas as épocas do ano, especialmente nas festividades de outubro que atraem mais de 15 mil pessoas na grande festa que se fez em homenagem à Padroeira do Brasil.

Os eventos começam com novena no dia 3 e se encerram dia 11. Os turistas e peregrinos participam principalmente no dia 12, com celebrações marcadas pela coroação de Nossa Senhora Aparecida, às 12 horas, o bolo das medalhas e a consagração das crianças, entre outras atividades. Para os romeiros também são celebradas missas marianas aos domingos, às 15 horas, e em todos os dias 12 do calendário celebram-se novena com bênção dos doentes e imposição das mãos às 15h e às 19h, com bênção dos motoristas e veículos.

Um dos locais mais impressionantes do Santuário e onde se manifestam duas situações da fé dos devotos de Nossa Senhora é a capela dos milagres.  Ali milhares de fotos e objetos representam os pedidos e a alegria dos que receberam uma graça especial, atribuída à intercessão de Nossa Senhora Aparecida.

À frente do santuário desde o início de 2009, como pároco e reitor, o padre Carlos Cezar Candido diz que já presenciou muitas manifestações interessantes e pessoas narrando que alcançaram graças e milagres. “São muitos os relatos: casos de mulheres que não conseguiam segurar uma gravidez e que, pedindo a intercessão no dia 12, alcançaram a graça de ser mãe; uma mulher que tinha uma enfermidade muito grave e que recebeu a cura; pessoas que estavam desempregadas pediram e conseguiram um emprego. Esta manifestação de fé acontece nos objetos e fotos deixados na sala dos milagres, nas cartinhas que são colocadas na barca ou na cestinha de intenções da missa, testemunhos postados no site (http://www.santuarioaparecidacm.com.br) e manifestados nas conversas”, esclarece.

Apesar de já receber muitas pessoas de outras cidades, o Santuário ainda não está totalmente direcionado para o turismo religioso, apesar de potencializá-lo, principalmente em outubro. Mas, na paróquia é possível contar com o acolhimento para os romeiros, através de agendamentos e participação de equipes locais de celebração. “Para que seja divulgada a romaria é necessário que sejamos comunicados com antecedência. O turismo religioso pode levar as pessoas a buscarem algo que as coloque mais próximas de Deus. A visitação aos Santuários e locais de peregrinação ajudam a fortalecer a fé e o amor que estas pessoas têm nos seus corações e a tornar o nome de Jesus cada dia mais conhecido. Temos muitos sonhos e projetos, mas ainda não conseguimos nos envolver com o turismo religioso propriamente dito, apesar de acontecerem algumas iniciativas como o evento anual “Cristo É Nosso Show”, que leva o nome do santuário como promotor. Mas a nossa vontade é que o santuário se torne cada vez mais conhecido.”, explica o padre.

A História

Na noite de 16 de outubro de 1717 pescadores sairam do porto no rio Paraíba, na época chamado de rio Itaguaçu, para mais uma pesca. Mas todas as vezes que jogavam a rede, ela voltava vazia. Por volta da meia-noite e depois de diversas tentativas frustradas, muitos abandonam a pescaria fracassada. Parecia que todos os peixes tinham sumido. Permanecem somente dois barcos: o de Domingos Martins Garcia e João Alves Garcia – pai e filho – e outro barco de Felipe Pedroso, cunhado de Domingos. Com o dia prestes a surgir, os três continuam em sua empreitada, pois não podiam retornar sem os peixes. Já longe do porto de onde partiram, agora no porto de Itaguaçu, João Alves tenta novamente lançar a rede. É quando surge, embaraçada à rede, o corpo de uma pequena imagem de barro, sem cabeça. Depois de examinar com cuidado, envolve-a em sua camisa e a guarda. Remando um pouco mais, decidem lançar a rede novamente. Outra surpresa: uma pequena bola de barro, bem menor do que as malhas da rede, vinha embaraçada nela. Cuidadosamente removem todo o lodo: trata-se da cabeça da imagem que haviam pegado minutos antes. Era uma linda imagem escura, com feições delicadas. Era a Senhora “Aparecida”, que surgia das águas barrentas do Rio Paraíba.

Testemunho:

“Me chamo Patrícia. Tenho 28 anos e já tive 3 abortos. Este ano descobri que estava grávida. Entreguei nas mãos de Deus, passei por 2 cirurgias de costura do útero pra segurar o bebê, e com 23 semanas de gestação entrei em trabalho de parto. Passei então a fazer repouso absoluto: ficava deitada dia e noite. Fui internada por 6 vezes e meu bebê nasceu no dia 21/10/2011, com 32 semanas. Hoje ele está com 4 meses. Obrigada, Senhor. Obrigada, Nossa Senhora, por esta benção em minha vida.”

 


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