Cartas de um romance para toda a vida

Amor à primeira vista, e para sempre, narrado em cartas que subsistem ao tempo e à modernidade. Nas páginas de Metrópole, um destes romances à moda antiga, com o qual muita gente ainda sonha. A história de um casal que se conheceu há 65 anos e, casado há 52, ainda cultiva o encanto do tempo que namorou, relendo as cartas de amor e abrindo álbuns e caixas com fotos e objetos que marcaram a vida a dois.

 

Na casa onde moram desde que chegaram a cidade, na década de 1960, a professora Maria Therezinha Kloster Silva e o advogado Renato Fernandes da Silva passam os finais de tarde relembrando, através das cartas que enviaram nos tempos de namoro e noivado e os sentimentos que os unia. Ela é quem faz a leitura porque ele já tem dificuldades para enxergar. De vez em quando apresentam também aos filhos e netos seus valorosos “troféus de amor”.

Segundo Maria, algumas cartas eram sérias e outras não. A maioria, porém, românticas. “Agora quando lemos, revivemos a emoção. É tão engraçado que passam tantos anos, mas para nós parece que não, porque tudo está vivo na memória”, exalta. Ele complementa: “A distância nos separou um pouco, mas não foi uma separação absoluta porque, as coisas quando tem que acontecer, acontecem. Hoje rememoramos, lendo as cartas, vendo as fotos”, fala emocionado.

Maria Therezinha Kloster Silva e Renato Fernandes da Silva chegaram a Campo Mourão na década de 1960. Sua participação na vida da cidade foi intensa: ela como professora, ele como advogado e prefeito eleito em 1972, deixando várias realizações.

Porém, como pano de fundo de sua vida profissional, está uma história que se fortaleceu no namoro iniciado ainda na infância. Ela nasceu em Guarapuava e ele, em Prudentópolis. Encontraram-se em Irati, onde ela residia e ele foi morar com uma tia e estudar.  Ele tinha 14 anos quando a conheceu e ela, 11, em uma festa de aniversário do irmão dela. Encantado com a menina roubou sua fotografia. “Pois aquele ato de levar a fotografia foi uma sementinha que brotou. Depois de alguns meses, o irmão dela, que estudava na mesma turma da escola, foi à minha casa, viu a fotografia lá e comentou com todos. Conhecemo-nos melhor e quando fui estudar em Curitiba, a distância nos separou por um tempo, mas já tinha um namorinho. Depois estudei, fiz exército, fui para Ponta Grossa, onde noivamos. Casamos-nos no dia 4 de setembro de 1959”, conta ele.

Guardadas com zelo e carinho, as cartas narram estes tempos de namoro, as dificuldades dos encontros, as incertezas do sentimento do outro, a espera pelo noivado e casamento e até a frieza quando havia brigas. “Se formos observar os namoros antigos e os de hoje, há uma diferença tremenda. Não tem mais romantismo, a conquista. Quando um jovem se engraçava com uma menina, tinha que conquistá-la”, justifica.

Renato fala que Maria foi corajosa. “Meu pai disse: forme-se primeiro, procure um emprego e depois case. E eu não atendi,  casei antes. E ela topou de casar comigo, que não tinha pai rico, não tinha emprego e não tinha nada. Estamos com 52 anos de casados e mais 65 de conhecimento e nas cartas estão nossa história”, finaliza.


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