Alexandro Leonel, a fera do cross country

Quem vê Alexandro Leonel no comando da Pirâmide Veículos não imagina que, além de um diretor de sucesso, ele é também uma fera nas pistas – e uma fera reconhecida.

O curitibano, que passa a semana toda trabalhando em Campo Mourão no comando do Grupo Meimberg, pega a estrada periodicamente até a capital para se dedicar às suas motocicletas – uma Honda 450 e uma KTM 450. Com elas ele encara longas provas no Cross Country, modalidade de que é bicampeão paranaense e atual vice, além de acumular também o título de vice-campeão brasileiro.

Ele pilota motos desde os 18 anos, diz que começou tarde, mas pegou gosto pela coisa, até que o hobby passou a ser coisa séria. Foi aí que começou a participar de campeonatos e dedicar mais tempo para o esporte. Hoje Alexandro corre na categoria Open, para pilotos acima dos 35 anos, e conta para os leitores de Metrópole a rotina de corredor na modalidade, que começa a ganhar cada vez mais seguidores.

Provas disputadas

Para quem está acostumado a ouvir falar apenas de motocross e de trilhas, o cross country pode soar estranho, mas a identificação é breve, conta Alexandro. “O cross country é uma modalidade meio que nova, não é muito antiga no Paraná. É a mistura de tudo. O piloto de cross country tem de conhecer de trilha, tem de andar bem na trilha, tem de saber de motocross, tem de andar bem motocross, tem de saber de velocross entender de rally, porque é rapidez. É a mistura de tudo com velocidade e resistência”, explica.

Para ficar mais claro: em vez das baterias de 15 a no máximo 20 minutos do motocross, as provas no cross country se estendem por até 1h20. “É extremamente estratégico, porque as baterias têm uma hora e, esse ano especificamente, o regulamento, em algumas categorias, chega a ser de 1h20, então desgasta muito”, revela.

O desgaste é tanto que, no fim de semana de abertura do Campeonato Paranaense, o piloto conta que perdeu quatro quilos, de sexta até segunda. Para encarar as provas, Alexandro se prepara durante toda a semana em Campo Mourão, com dieta balanceada e exercícios físicos, com um profissional que orienta todas as medidas. “Tenho uma dieta controlada. Procuro controlar bastante alimentação e faço academia para manter a resistência física, principalmente. Corro bastante, pedalo bastante”, diz.

Os treinos específicos para sua modalidade, no entanto, se concentram em Curitiba por falta de pista adequada na região. “Tenho um espaço bem perto daqui em que acabo treinando. Vou ali e não treino o cross country especificamente, mas treino resistência, porque é numa pista de motocross. Esporadicamente vou com amigos meus, que me auxiliam no treinamento, em locais que adaptamos para o cross country”, conta.

Abrangência crescente

Hoje, cerca de 180 pilotos participam das etapas de cross country na capital, em diversas modalidades. Alexandro conta que as pistas estão concentradas em Curitiba, mas há um esforço coletivo para que se espalhem por áreas estratégicas dentro do Estado, inclusive Campo Mourão. “Este ano o desafio é expandir para outras cidades. Já existe negociação para que uma etapa do Campeonato seja realizada aqui”, fala.

O piloto conta hoje com patrocínio de diversas empresas, nem todas relacionadas ao motociclismo, mas o investimento de peso tem surtido efeito e trazido mais do esporte para Campo Mourão. “Tenho patrocinadores como o Banco Volkswagen, Serginho Suspenções – que hoje é o maior preparador de suspenções do país, que atende a equipe Honda do Brasil – Rede Oeste Consórcio e o principal, que é o grupo Aion Jeans, de Campo Mourão, uma empresa que não tem nada a ver com o segmento, mas que tem feito muita coisa, investido pesado”, pontua.

Com os patrocínios, o piloto conta que já consegue cobrir seus custos com equipamentos, que são bastante altos. “Nos últimos anos tenho sempre estado do início até o fim da temporada com equipamento novo. Terminou agora, troco o equipamento, troco tudo. E é tudo importado”, ressalta. Uma das motos usadas por Alexandro, a KTM, foi considerada a melhor moto do mundo.

Além disso, os treinos mudaram. “Pelo apoio recebido, uma das coisas mais legais agora é que, nos treinos com motos, o negócio passou a ser bem profissional. Até então, fazia todo o processo sozinho, mas agora, a partir da segunda etapa, que é em abril, tenho realmente um mecânico e um treinador exclusivo comigo em todos os treinos que eu fizer, em todas as provas que eu for até o final de 2012”, relata.

Reconhecimento

Graças à boa participação dos patrocinadores, o piloto, que não se considerava profissional até então, tem mudado de ideia. “Até dias atrás, dizia que não era profissional, porque não dependia disso. Mas nós chegamos à conclusão que sou, porque tenho tudo que tem um piloto profissional, só não tenho o rendimento financeiro através disso”, afirma. “Corro num campeonato nacional, tenho uma estrutura, tenho funcionários que dependem de mim”, ressalta.

Com a profissionalização, o piloto também tem ganhado espaço na mídia, não apenas na especializada e isso tem surtido efeito. Em função disso, diz Alexandro, surgiram boas oportunidades. “Passei a ser o diretor da modalidade no Paraná, através da Federação paranaense e vice-presidente da comissão da Confederação Brasileira da modalidade, em função de me dedicar muito ao cross country”, avalia.

Na primeira etapa do Campeonato Paranaense e do Brasileiro Alexandro ficou na terceira colocação, devido a imprevistos ocorridos no decorrer das etapas, mas está cotado para a disputa do título. Torcida, dedicação e arranjo para a motocicleta número 32 não faltam.

Reportagem: Regina Lopes

Texto: Gracieli Polak

Fotos: Acervo pessoal


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