Panela: amizade, diversão e futebol

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Associação PanelaVocê conhece os craques Valdemor, Diocle, Laércio, Buana, Júlio, Henrique, Rafael, Biju, Peteleco e Arthur? Eles são os destaques da Associação Panela, um grupo de amigos que há mais de 47 anos fazem do futebol uma forma de manter a amizade e a saúde.

Em ano de Copa do Mundo no Brasil, não dá pra não falar do assunto. Por isso, Metrópole traz para esta edição o pessoal da Associação Panela. Eles são muito conhecidos por seu trabalho na cozinha da Festa Nacional do Carneiro no Buraco, onde há 16 anos são responsáveis pela confecção do prato típico de Campo Mourão. Mas, a história começou muito tempo antes.

Por volta de 1966, um grupo de amigos começa a se reunir para jogar futebol, sendo inclusive os responsáveis pelo primeiro campo de suíço da região, na associação do DER de Futebol Regatas, na região da Usina Mourão, onde foi realizado o primeiro campeonato da modalidade da região. Tempos depois, esse mesmo grupo foi responsável pela fundação do Country Clube de Campo Mourão, sendo que a primeira obra foi um campo de futebol.

Esse primeiro grupo era formado por: Artur Kuniyoshi, Wilson “Biju” Iurk, Almerindo Gehring, João Teodoro, Roberto Braga e Osvaldo Wronski. Como eles tinham mais afinidade, sempre jogavam juntos e organizavam viagens para jogar com outros times. Logo algumas pessoas do clube começaram a chamá-los de “paneleiros”. Como o clube era aberto aos sócios, para jogar juntos, eles utilizavam uAlmerindo, mostrando seu talento no passe de primeirama tática especial. “Nós chegávamos ao clube às 6h30 da manhã para colocar o nome na lista aberta a todos os associados. Detalhe: os jogos só começavam ao meio dia! (risos)”, disse Nei Leocádio Cesconetto, um dos mais antigos da associação. Enquanto não chegava a hora do futebol, eles praticavam outras atividades, acabando por movimentar o clube nos sábados de manhã.

E a partir dos comentários pejorativos, eles decidem utilizar o apelido como nome: Panela. Assim nasceu o pessoal da Panela, que durante os anos continuaram a se reunir e jogar futebol com seus amigos, aos poucos se afastando do clube, para criar sua própria associação.

Até que no ano de 1995, eles decidiram comprar uma sede própria. Eles se juntaram em 32 sócios proprietários e compraram um terreno no jardim Cidade Nova, por 18 mil dólares, divididos em partes iguais, onde era a antiga Associação do Móveis Rio Grande.

E durante o seu tempo de fundação, além de jogarem entre seus sócios, a Panela trouxe vários times e visitou várias cidades para jogar, realizando um verdadeiro intercâmbio de times. Entre as cidades visitadas estão: Paranaguá, Laranjeiras do Sul, Londrina e Curitiba, no Paraná; Brusque, em Santa Catarina; Ibitinga em São Paulo e Salto Del Guairá, no Paraguai.

O time dos “Milionários”Hoje, já são 3 gerações de atletas se reunindo na Panela. Os fundadores, os filhos e os netos. “Temos o caso do Valdemor Vigilato, um dos sócios fundadores, que tem filhos jogando e netos”, lembrou Artur.

Com o crescimento da associação, ela precisou se organizar e criar regras, como toda associação, para funcionar. Assim, foi criado o estatuto, registrado em cartório e CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica), como uma associação sem fins lucrativos, com os 32 sócios fundadores, podendo ter mais sócios, mas apenas na modalidade contribuinte. E qual a diferença entre eles? “Os contribuintes têm os mesmos direitos que os fundadores, só não podem votar, nem serem votados”, afirmou Artur.

E as reuniões são sagradas. Todas as quartas-feiras e sábados os associados se reúnem para jogar futebol, conversar e claro, fazer o tradicional churrasco. “A gente vem, nem que seja para falar da vida alheia (risos)”, afirmou Biju. E o bom humor sempre impera na interação entre os sócios. Um exemplo disso é o time que eles chamam de “milionários”, dos sócios mais antigos, pois segundo os mais jovens, se somar a idade de todos, chega a um milhão.  Dos fundadores, apenas Almerindo ainda tem condições de jogar. Mas, o mais importante de tudo isso, é a amizade de 47 anos cultivada entre todos e a diversão que é proporcionada.

Eles também realizam trabalhos filantrópicos para algumas entidades e famílias necessitadas, tendo um carinho especial para com o bairro onde eles estão situados. “Sempre que podemos ajudamos as famílias do bairro, o que gera da parte deles um certo carinho para com a gente”, afirmou Artur.

Um dos primeiros times de futebol suiço de Campo Mourão: o Esporte Clube DERDurante os anos, algumas visitas ilustres passaram pela Panela. Como o caso do paraguaio Romerito, que foi atleta do Fluminense, o também paraguaio Lescagnon, da seleção Paraguaia; Jaime e Reinaldo, os dois ex-Flamengo, e o árbitro da CBF, Weber Roberto Lopes. Além dessas personalidades, muitos dos associados chegaram a atuar em times profissionais:  Artur jogou no Britânia de Curitiba (atual Paraná Clube) no Coritiba e no Atlético; Biju, no Olímpico de Irati e no Mourãoense; Valdemor, no Ponta Grossa; entre outros que já não fazem mais parte da associação.

Algumas lideranças políticas também já passaram pela Panela. O Deputado Federal Rubens Bueno era “o artilheiro do Cidade Nova”; o Deputado Estadual Douglas Fabrício, também conhecido como o “canhotinha de ouro”; Marcos Fanchin, desembargador do Tribunal de Justiça, entre outros.

E as esposas? “Elas podem vir quando quiserem. Mas realizamos a cada 2 meses uma festiva, para que venha toda a família. Mas, quando elas quiserem, elas sabem onde encontrar a gente (risos)”, concluiu Artur.

Fotografia: Fernando Nunes


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Renato J. Lopes
Renato J. Lopes



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