No topo do Everest

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Waldemar Niclevicz, um dos mais importantes alpinistas brasileiros, esteve em Campo Mourão em agosto para ministrar palestra a convite da Faculdade Integrado. Em entrevista para a Revista Metrópole ele falou um pouco sobre a vida, trabalho e sobre o novo livro.

Ele foi o primeiro brasileiro a alcançar o topo do Everest, em 1995, e o único a chegar ao cume do K2, a montanha mais perigosa do mundo. Atualmente, além de escalar, Waldemar Niclevicz dá palestras pelo Brasil. Em Campo Mourão, a palestra “Estratégias e desafios para quem quer chegar lá”, lotou o Celebra Eventos com mais de 1200 espectadores. O evento foi realizado pela Faculdade Integrado, em parceria com a Clinisport, Sicred e Vip Access Formaturas.

Há 19 anos ministrando palestras para empresas e grupos diversos, Waldemar utiliza sua experiência como alpinista para motivar as pessoas a enfrentar desafios e se preparar para conquistar um determinado objetivo. Ele faz isso relatando a conquista do Everest, ao fazer o uso de analogias que levam o público a questionamentos como “Qual é o seu Everest” e “Você está preparado para conquistá-lo?”, para explicar que seja qual for a meta, é preciso estar pronto para conquistá-la. O público aplaudiu de pé.

Segundo o gerente de Marketing da Faculdade Integrado, Cesar Pinto, trazer um alpinista de renome para Campo Mourão proporciona aprendizado aos estudantes e aproxima outras organizações da faculdade. “É uma oportunidade para nossos estudantes adquirirem conhecimentos diferentes e também de aproximarmos empresas que podem ser parceiras da instituição, pois o tema da palestra é aplicado ao mundo corporativo”, destacou. Cesar explicou também que o objetivo do Grupo Integrado é trazer para a cidade, pelo menos duas palestras deste nível por ano.

Aos 48 anos, Waldemar continua escalando e não pretende parar tão cedo. “As palestras foram a forma que eu encontrei de poder arrecadar para que eu consiga realizar as expedições”, explica. A escalada mais recente aconteceu em julho deste ano, no Peru. As viagens e conquistas, ele registra no seu site (niclevicz.com.br) e também em livros e fotografias. Seu quarto livro, “O Brasil no Topo do Mundo”, foi lançado em setembro e mostra os quase 27 anos de carreira do alpinista.

Como ele mesmo define, o novo livro é uma “espécie de autobiografia” e uma “espécie de livro de fotos”. As 1300 imagens estão acompanhadas por textos que não revelam muitos detalhes sobre a vida pessoal do Waldemar, mas expõem as crenças do alpinista e como ele foi capaz de realizar tantas expedições e conquistas, mesmo com pouco patrocínio. O livro é a junção dos fatos principais registrados nos diários de viagem de Waldemar, com as fotos que melhor retratam a beleza da natureza dos lugares por onde passou. Segundo ele, este trabalho deixa claro o amor pela montanha e também pela fotografia.

Equilíbrio entre corpo e mente:

O montanhismo não surgiu de repente na vida de Waldemar. “A minha relação com a natureza vem desde a minha infância. Eu vivi no sítio até os 12 anos. A escalada não foi algo que eu inventei, foi algo que aconteceu por conta desse amor pela natureza. (…) Então o primeiro capítulo do livro traz a minha infância até o momento em que eu escalei a minha primeira grande montanha, que foi o Aconcágua (Argentina) em 1988”.
Da primeira montanha até o Everest e depois, para todas as conquistas posteriores, foram passos que Waldemar deu aos poucos, fazendo com que o caminho para cada vitória se tornasse tão importante quanto alcançar o topo das montanhas. “Quando eu estou numa montanha eu já estudei muito sobre ela. Eu já li a respeito daquele lugar, daquela cultura e da região e fui coletando informações de muitos anos atrás. (…) Tudo aquilo que eu tenho e fiz nessa vida não veio por acaso. (…) Eu valorizo muito este esforço, isto que foi conseguido com dificuldade. Dou o devido respeito pra essa conquista”, diz.

Para além das conquistas, o livro também relata as dificuldades de Waldemar, como a falta de apoio da família para sua atividade e também a falta de patrocínios para realizar expedições. “Eu faço questão de mostrar que eu superei estas crises e continuei acreditando no meu sonho. Fazendo algo completamente inusitado. (…) Eu acho legal, tudo bem que eu sou suspeito pra falar, mas eu acho legal você ligar a televisão hoje e ver um documentário não sobre um inglês, um italiano, mas sobre um brasileiro que esteve nestes lugares”, diz. “O livro não é autoajuda, mas eu acho que farei algumas pessoas pensarem em buscar fazer aquilo que gostam e perceberem que é difícil, mas não é impossível”, completa.

Agora, Waldemar está retomando um projeto de vida, o Mundo Andino. Além de explorar a Cordilheira dos Andes, este projeto busca documentar as belezas, povos e diversidade ecológica da cadeia de montanhas em livros e documentários. “É a cordilheira de montanhas mais extensa do mundo, são 7500 km de montanhas. (…) Então a diversidade que existe, em termos de natureza, em todos os sentidos (cultura, povos) nos Andes, não existe em nenhum outro lugar do mundo. (…) É um campo de estudos infinito”, explica o alpinista. Segundo ele, o projeto também quer realizar, com a ajuda de uma equipe multidisciplinar, um trabalho socioeducativo nas comunidades andinas. “É meu projeto de vida. Eu sempre gostei dos Andes, desde a primeira viagem que fiz para aquela região aos 18 anos. (…) Espero não pará-lo novamente e conseguir fazer, pelo menos, um panorama inicial dos Andes”, finaliza.


Sobre o Autor

Liandra Cordeiro
Liandra Cordeiro


Um Comentário


  1.  

    Parabéns! Waldemar Niclevicz é nosso maior alpinista!





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