Nas trilhas da liberdade

Metrópole entrevistou os trilheiros mais antigos de Campo Mourão no seu tradicional churrasco, o chamado “baixa renda”.  Em um descontraído bate-papo descobrimos várias curiosidades desse universo de adrenalina e diversão. As fotos de campo foram feitas por Valmir de Lara e Maurício Pozza, que acompanharam os componentes do Serra e Ação em um sábado de aventuras,  onde o cenário por si já justificaria a adrenalina que rola nos 70 quilômetros  de trilhas e estradas percorridas.

Lama, sol, poeira, água, mato, areia, chuva: todos estes ingredientes compõem os cenários ideais para estes pilotos. Seja pelas estradas, pastos, trilhas adentro, eles usam as motos para sair do estresse e cultivar amizades.

O Clube “Equipe Serra e Ação” funciona desde 1988 em Campo Mourão, mas foi nos últimos anos que o número de membros teve grande elevação. Hoje eles são mais de 50 e aos sábados percorrem de 50 a 70 quilômetros pelas áreas rurais da região, onde vivem horas de pura adrenalina, temperadas com emoção, liberdade e prazer.

O Serra e Ação é formado por profissionais liberais de diversas áreas e de várias faixas etárias, com o mais velho na casa dos 60 anos. Grande parte dos integrantes começou no hobby depois de um tempo de experiência no motocross, outros iniciaram apenas como um passatempo de final de semana, fazendo assim despertar a paixão pelo esporte.

Segundo o presidente do Serra e Ação, o empresário Paulo Cesar Gomes, além de fazer as trilhas, eles já participaram de enduros por vários lugares do Brasil, incluindo o maior do País – o da Independência – que é realizado entre os Estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais, e ocasionalmente de encontros regionais. Também já sediaram etapas do Paranaense de Enduro e, sempre que dá certo, fazem viagens para outros lugares como a Serra da Canastra, em Minas Gerais, ou Camboriú, em Santa Catarina, por exemplo, além de participarem constantemente de encontros promovidos por outros grupos de trilheiros na região.

“Nosso grupo é organizado como um moto clube, tem estatuto, mensalidade, diretoria e nos reunimos desde 1988. São amizades firmadas na poeira, na lama, nas quedas e nas reuniões do “baixa renda”, onde semanalmente a gente faz um churrasco,  com o que cada um pode levar. Relembramos as últimas historias, já combinando o que vai ser feito nos próximos encontros”, fala o presidente.

“Temos trilhas abertas desde 1988. Mas ao longo dos anos fomos abrindo novas, sempre onde proprietários deixam, preservando a natureza. Nosso ponto de encontro é a antiga pedreira da Codusa, hoje já desativada, e de lá seguimos para estradas secundárias, pastos, trilhas. Algumas destas trilhas, de tão conhecidas, já demos nomes: Agonia, Vexame, Limão, Bundão, Aranha, Marioti, entre outras”, fala Paulo.

Paulo lembra ainda que a segurança é fundamental para o grupo, e todos tem equipamentos de proteção. “Cada um tem o seu, principalmente o básico: bota, capacete, luva, colete e, para a moto, as peças que quebram mais, como manetes, velas e outros. O luxo não existe: quanto mais barro e chuva melhor para nós. Quando quebra, arrastamos na corda, a diversão é garantida, chegamos em casa irreconhecíveis”, conta.

As quedas fazem parte da diversão. Paulo assegura que no meio do mato é difícil se machucar. Devido ao grande número de obstáculos, não dá pra correr nas trilhas, portanto pratica-se habilidade e não velocidade. Já nas estradas que dão acesso às trilhas, o cuidado deve ser redobrado, pois além de muitas pedras soltas, deve-se cuidar com veículos que por lá transitam.

“Cada um precisa acertar sua moto para seu porte, seu estilo. As motos são pesadas – geralmente pesam cerca de 110 quilos – e têm uma grande variedade de marcas que respondem, de acordo com o esforço que se emprega. É preciso cada um acertar a sua. Pode ser uma Tornado 250, KTM, YZ, CRF 230, CRF 250, CRF450. Alguns chegam a usar mais de uma, conforme a trilha ou o roteiro que se pretende seguir em cada viagem”, finaliza.

O empresário Luiz Chmilowski, que também é da diretoria, lembra que “para ser um trilheiro, não precisa ser piloto, basta gostar de motos, natureza e bons amigos. O objetivo é esquecer o corre-corre da semana e deixar a mente livre de todo o estresse do trabalho”. Ele destaca ainda que existem lugares onde se pára para agradecer a Deus por tanta beleza e exuberância. Lugares estes que poucas pessoas tiveram, ou vão ter, oportunidade de conhecer, senão por meio de uma moto de trilha. Finalizando ele diz que “este é um esporte de risco, especialmente para os iniciantes, mas depois que se começa, dificilmente alguém quer parar de praticá-lo”.


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