Mário Paulista: craques e causos

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Os praticantes do futebol de Campo Mourão e região sabem quem é, ou ao menos já ouviram falar, de um treinador cheio de causos e gírias peculiares. Conheça Mário José Paulista.

Natural de Salto Grande – SP, o corintiano Mário chegou a Campo Mourão no ano de 1978 e, segundo ele, antes mesmo de descarregar a mudança, já treinava no time da cidade. O caminhão de mudança encostou no Jardim Copacabana e ele já foi procurar o estádio Roberto Brzezinski. “Meu irmão foi fazer um lanche, então não descarregaram a mudança na hora. Eu fui pro estádio, já entrei na escolinha mourãoense, ali, com 17 anos. Voltei lá no Copacabana e falei que já estava no time e já tinha treinado”, lembra.

Treinando com o time da cidade, teve também a oportunidade de ser técnico, quando surgiu uma vaga de técnico auxiliar, nas categorias de base. “Eu jogava na escolinha e o treinador do time não podia treinar 3 categorias diferentes, naquela época, então ele tinha um treinador auxiliar. Mas o auxiliar, no dia, ficou com raiva e parou o treino. Aí me chamaram para apitar o resto do treino e eu fui apitar o que faltava”, recorda. O que era pra ser quinze minutos se alongou até 30. Depois pediram para ele ir mais cedo ao próximo treino para treinar os meninos e assim foi. Depois disso não parou mais.

São cerca de 40 anos de dedicação às escolinhas de futebol, sendo 31 anos como funcionário do município, tendo, nesse tempo, trabalhado no Centro de Futebol Zico por 4 anos e muitos outros na Associação Tagliari. “Lá tive a oportunidade de disputar a Taça Paraná e treinar muitos jogadores que hoje são médicos, doutores, advogados, empresários e até jogadores profissionais”, pondera.

Segundo Mário, entre os mais de 6 mil atletas que ele já treinou nas modalidades de futebol de campo, futsal e suíço, muitos atletas conseguiram fazer carreira no futebol. Entre as revelações, ele cita o meio campista Reginaldo Rivelino Jandoso, o Piá, que jogou no Cruzeiro, no Corinthians, Ponte Preta, entre outros; Cristiano Rodrigues, que já jogou no Curitiba e no Japão; Rafinha, lateral esquerdo do Avaí, de Santa Catarina. Além de vários outros, que estão ainda se destacando no Brasil, nas categorias de base, na faixa de 14 a 16 anos, e estão conquistando o seu espaço.

Mas, por quem ele demonstrou um carinho especial, foi o lateral direito Ângelo Versari, que jogou em times como Internacional de Porto Alegre, Cruzeiro e até fora do Brasil. “Ele me ajudou, pois sabia que eu tinha uma dor de cabeça forte durante os treinos e me levou no médico, pra ver o que era, comprou os remédios pra eu tomar. Me ajudou muito”.

As principais lembranças de torneios nacionais e internacionais vieram do tempo como treinador na Associação Tagliari, que surgiu em 1982. “Nós disputávamos copas internacionais com 6 países, nas cidades de Santos, Sorocaba e São Carlos. Tive que jogar contra times dos Estados Unidos, Bolívia, Equador, Paraguai e Argentina, além de disputar partidas com grandes times do futebol brasileiro. Disputávamos de igual para igual, mesmo sendo o nosso time amador e os outros todos profissionais, mas faltava preparação física”, afirma.

Ao ser questionado sobre os principais títulos ele é reticente: “pra mim não importa a conquista de título. O importante é ver esses meninos serem mais que bons jogadores, serem vencedores na vida. Isso é mais bonito que ter um troféu”. Mas, entre os títulos que vieram por consequência do trabalho de Mário, estão o de campeão paranaense e da Copa Norte em 1985, pelo time da Associação Tagliari;  o bicampeonato da Copa Regional em 1998 e 1999, no Projeto do Governo do Estado, “Piá Bom de Bola”, entre outros campeonatos.

Atualmente, Mário trabalha apenas para o município de Campo Mourão, em suas escolinhas de futebol, realizadas em parceria com o Esporte Clube Campo Mourão, junto com outros professores da área.

 

Bordões

Piá do Caramba: quando um menino está fazendo alguma coisa errada eu falo, “seu piá do caramba!”.

Rouba a meia do pé sem tirar o sapato: quando a molecada fica descuidada e larga o celular no chão, ou boné, eu digo: “cuidado, que vem algum que rouba a meia do pé sem tirar o sapato”.

Uma jogada de Pelé e uma de Mané: quando o jogador faz uma jogada bonita, por exemplo, um chapéu e dá um chutão pro mato, eu grito: “ô garoto! Deu uma jogada de Pelé e uma de Mané?”. Jogada de Pelé é porque foi uma jogada digna do maior artilheiro do futebol brasileiro, e de Mané, não é por causa do Mané Garrincha, não! É por ser Mané mesmo, jogada ruim!

 

Causos do Mário Paulista

Um jogador do time pulou o muro pra treinar com uma moeda na boca e engoliu, e depois não teve problema nenhum. Teve um outro que engoliu uma burquinha, outro que engoliu passe de circular treinando comigo. Teve um jogador que estava treinando de boné, e eu disse ‘tire o boné, rapaz’, mas ele virou o boné pra trás, apressado, e fez um corte na testa.
Durante um jogo, o bandeirinha ficava levantando a bandeira toda vez que íamos fazer o gol. Aí um assistente nosso ficou bem perto do bandeirinha e deixou o pé quando ele correu e acabou derrubando ele. Depois disso, ele disse que ia buscar a espingarda para atirar em nós (risos).
Uma vez fomos jogar num campo e a trave era muito grossa, e o cupim comeu o pé da trave. Fomos jogar e derrubamos a trave. Foi lá na usina, no Campo de Saltinho, tivemos que fincar uma balisa pra terminar o jogo.
Teve também um jogo contra o Palmeiras, em São Paulo: perdemos o jogo de quatro a zero e quando saímos de campo, o time todo começou a dar risada. O árbitro veio atrás da gente e queria saber o porquê de estarmos fazendo marotagem. Aí o Anguebi, nosso jogador disse: ‘é porque catimbemo’. Pensa, perdemos de 4 a zero e fizemos ‘catimba’? (risos).

 

Fotos: Fernando Nunes


Sobre o Autor

Renato J. Lopes
Renato J. Lopes


3 Comentários


  1.  

    muleque mascarado, pia do caramba, o piazao kkkkk tempo bom que eu treinava com esse grande treinador pessoa humilde grande carater..




  2.  

    Grande Mário, o pouquinho que sei de futebol, devo a ele.




  3.  

    Quem disser q jogou bola em campo Mourão e não conheceu Mario paulista está mentindo…uma lenda no futebol mouraoense. Grande Mario tive o prazer em conhecê-lo, mais ouvi muito mais histórias dele, tem de uma vez q deu um tiro e as balas c encontraram…kkkk





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