Longboard: Lords of cm streets

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Fotografia: Fernando Nunes

Você já viu o pessoal andando pelas ruas de Campo Mourão com uns skates “diferentes”, muitas vezes em alta velocidade, e se perguntou do que se tratava? Conheça um pouco sobre o Longboard e o grupo que se reúne para praticar esse esporte radical.

Rodrigo “Teddy”, Rafael “Bovão”, Rafael “Melão” e Fernando “E.T.”O Longboard é um esporte derivado do surf, nascido na Califórnia ou no Havaí, no começo dos anos 50. Os skatistas da época buscavam um ponto em comum entre o snowboard, skate e surf e alcançaram esse meio termo com o long. Também foi utilizado por surfistas como uma forma de treinamento, quando as condições do surf  não eram boas. O nome vem de “longo”, pois o shape normalmente tem acima de 1 metro de comprimento, variando de forma.

O grupo de Campo Mourão começou a se reunir com mais frequência recentemente, com a criação de um grupo em redes sociais. Tudo começou com Rodrigo Godoy, o “Teddy”, estudante de Engenharia Ambiental. Ele, que anda de long já há 7 anos, sempre entrava em contato com a galera que andava de long, chamando para andar junto, na tentativa de formar um grupo, como nas grandes cidades.

Assim, ele conseguiu reunir alguns amigos: Fernando Vedovati “E.T.”; Rafael “Bovão” Graowski; Renan Hoffmann, Rafael Uhren Martins “Melão”, Lukas Rodrigues “Dreds”, e Eduardo Pariz. Juntos eles formaram o grupo Longboard CM, que se reúne nas horas vagas para andar de longboard em ruas de bairros novos que têm pouco movimento e um grande declive, onde seja possível alcançar uma boa velocidade na descida.

Apesar de terem as mesmas origens, existe diferença entre o skate convencional e o longboard. “O skate é mais técnico, é street, ele tem manobra. Envolve manobra com corrimão e obstáculo. O long anda na maior velocidade possível. É uma modalidade de skate de alta velocidade , chamado ‘downhill’”, afirmou, Rafael Bovão.

Segundo Teddy, o longboard tem várias modalidades e estilos, sendo que cada um tem seu shape próprio. Entre os mais comuns, existe o “downhill stand up”, que tem como objetivo alcançar a maior velocidade, descendo uma ladeira; e o “downhill slide”, o objetivo é descer a ladeira, executando manobras, os chamados “slides”, ou como é chamado pelos praticantes, “caviar”, sendo essa a modalidade mais praticada pelo grupo, num estilo muito parecido com o snowboard e que pode andar sem ser no asfalto. “O princípio de caviar é perder velocidade e frear. E existem muitos jeitos de parar o skate que é no slide, ou no foot (com o pé), ou com as mãos, protegidas pelas luvas, que devem ser os primeiros equipamentos de proteção”, afirmou Teddy.

Equipamentos de proteção são obrigatórios para todas as modalidades, como luva, capacete, cotoveleira, joelheira e caneleira. Em alguns casos (como no downhill stand up), é recomendável o uso do “fraldão”, uma proteção para a região da bacia, e roupa de couro.
Teddy deixa claro que o grupo não é uma “panelinha”, que está aberto a todos os amantes e praticantes do esporte. Tanto que, sempre que pode, eles convidam mais pessoas. “Já encontrei pessoas andando de long aqui em Campo Mourão, que a gente não conhece. A gente fala dos lugares que a gente anda, que é lá atrás da UTFPR, onde tem um loteamento novo, e no Jardim Botânico II. Sempre falo que pode ir que a gente ensina. Que não precisa ter vergonha, a galera é gente boa”, ressaltou.

Antes de escolher o lugar adequado, eles fazem um estudo para ver a viabilidade de praticar o esporte. Primeiro é feito uma análise do declive do terreno e a velocidade que pode ser alcançada. Também é analisado o movimento do lugar, pois se for um lugar com muitos carros, pode atrapalhar. Eles fazem uma limpeza no local, pois os detritos podem comprometer a velocidade desejada.
Com a pista pronta, o próximo passo é o alongamento. Como é um esporte, todos se preparam com aquecimento e alongamento, pois depois de descer, vão precisar de preparo físico, na hora de subir. E para quem tem medo de cair, uma dica: cair é uma coisa normal. Por isso, o equipamento de segurança é fundamental.

Benefícios do longboard

Como todo esporte, o longboard traz benefícios para os seus praticantes. Um exemplo disso foi Rafael Uhren Martins, o “Melão”, que graças ao longboard perdeu vários quilos. “Cheguei a pesar cento e vinte e oito quilos. Hoje peso noventa e três”, comemora.
Outro benefício do long é que ele pode ser usado como meio de transporte. Nos grandes centros já é normal ver pessoas irem ao trabalho de longboard, ou para andar em grupos pelas ruas da cidade.

O contato com a natureza também é um privilégio para eles, pois sempre estão nas “bordas” da cidade, contemplando o misto de paisagem rural e urbana. “Lá no Jardim Botânico II, sempre curtimos altos visuais, como o pôr do sol. A mata ali embaixo, você vendo… Ou atrás da UTFPR, você vê a cidade, curte aquela visão”, lembrou Renan.

O grupo ressalta que a vantagem de andar coletivamente é a troca de experiências, tanto que, sempre que os membros viajam para outras cidades, eles andam com os esportistas para fazer esse intercâmbio. “Vou para Maringá, ando com os caras de lá. O Lucas vai pra São Paulo e anda com a galera de lá. O Eduardo anda com a galera de Umuarama”, ressaltou Teddy.

O esporte está em alta e cada vez mais se vêem pessoas de diferentes esportes aderindo ao longboard. Antes não se vendiam produtos para os praticantes desse esporte, mas agora algumas lojas já têm equipamentos de proteção e shapes.

E para poder começar a praticar não exige um investimento muito alto. “Você encontra long de 200 a 400 reais. O equipamento de proteção se compra a partir de 100 reais”, lembrou Bovão. Claro que, como todo produto, o preço varia de acordo com a qualidade e quanto melhor, mais caros vão ser os produtos, podendo chegar até 5 mil reais, num equipamento todo profissional.

Para quem gosta de esportes radicais e alta velocidade, o longboard é uma boa pedida, além de ter a oportunidade de fazer novas amizades e desfrutar de todos os benefícios que ele proporciona.

 

Dica de filme: Lords Of Dogtown

Filme “Lords of Dogtown”Para quem quer conhecer um pouco mais sobre a origem do skate e do longboard, Teddy e a galera do Longboard CM recomendam o filme, “Lords of Dogtown”, ou “Os Reis de Dogtown”, em português. O filme, de 2005, tem como base a história dos Z-Boys, um grupo de skateboarders que revolucionaram o esporte.
O filme se passa nas ruas de “Dogtown”, em Venice, Califórnia, nos anos 70, quando um bando de adolescentes surfistas revolucionou o estilo do skateboarding, levando os movimentos agressivos do surf para o concreto. Os Z-Boys, garotos com uma vida dura em casa e com atitudes mais duras ainda, viraram lendas locais, se tornando os magos do “freestyle” em rodas de uretano, fazendo de piscinas vazias, verdadeiras arenas de atletismo selvagem e belo. A trilha sonora, que vai do glam rock ao punk, recria a saga dos reis de Dogtown: Tony Alva, Jay Adams e Stacy Peralta, que se tornaram as primeiras estrelas do skate.

 

 


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Renato J. Lopes
Renato J. Lopes



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