Jiu-Jitsu: uma mudança do vinho para a água

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Quando ela coloca no Facebook uma foto sua lutando não faltam curtidas e comentários. Assim como também não faltam seguidores, amigos e parentes para se orgulharem dela. E com motivo, Andressa Mezari Cintra, com apenas 17 anos de idade e 2 de Jiu-Jitsu,  já conquistou mais de 20 medalhas. Mas tudo isso é fruto de muito esforço e mudança, graças à paixão que tem pelo Jiu-Jitsu e a disciplina que segue na risca.

Durante a entrevista, com olhos brilhantes, a mãe afirmou: “é o meu orgulho”. Tão brilhantes quanto os olhos de Andressa, que se enchem de graça quando afirma que sua vida é o esporte. Andressa, que sempre praticou diversos esportes, ainda tinha certo receio em treinar Jiu-Jitsu, pois só via homens, mas quando viu uma garota treinando, resolveu fazer uma aula experimental. Foi instantâneo, ela logo se apaixonou pelo esporte e a força de vontade tornou-se tão grande, que ela comenta: “nem por motivos de doença eu falto, pois até com dengue fui treinar”, recordou.

Apesar da paixão pelo esporte, Andressa comenta como ainda é difícil frequentar as competições por causa da falta de investimento. “A maior dificuldade é o patrocínio, mesmo com os títulos que tenho, não consegui nenhum até agora. Os empresários de Campo Mourão e região não valorizam o nosso esforço, mesmo representando a nossa cidade. Tenho que gastar do meu próprio dinheiro para competir e sempre guardo o máximo que posso, porque eu amo o esporte, é isso o que eu quero e é o que me faz feliz”, conta ela. Andressa pede ajuda, pois com o apoio financeiro de alguma empresa, poderá divulgá-la com patchs em seu kimono, camisetas, banners, entrevistas, e poderá competir muito mais, ganhando assim, mais experiência e técnica. E completa: “há ainda muito preconceito pelo Jiu-Jistu ser um esporte predominantemente masculino, com posições estranhas, mas que para nós é normal. Não há malícia”, enfatizou.

Andressa tem como inspiração seu instrutor e treinador, João Guedes, que para ela é além do que um amigo, é um pai de coração. Outros exemplos para ela são o seu mestre Rodrigo Feijão e os competidores Gabriele Garcia, Monique Elias, Luanna Alzuguir, Guilherme Mendes e Rafael Mendes.

Além de Andressa, há outros competidores que se destacam em Campo Mourão, entre eles: Danilo Vagner Rissi, que ficou em 1º lugar no Campeonato Brasileiro de Jiu-Jistu e Jorge Filho, em 3º no mesmo evento. Para Andressa, o Jiu-Jitsu representa a esperança de um sonho que poderá se realizar através de muito esforço, dedicação e fé. “É um esporte ‘viciante’, no qual quanto mais você aprende, mais tem sede de querer aprender mais”, comenta Andressa.

Ela conta sobre como o esforço é necessário para quem pratica o esporte. E isso é bem notável em suas atitudes, que sofreram drásticas mudanças, perceptíveis pela mãe, professores, amigos e até colegas. “O Jiu-Jitsu entrou na minha vida e não vou retirá-lo jamais. É um esporte que envolve muita disciplina, aprendizado, paciência, esperança e equilíbrio. Com essa arte marcial, aprendi a respeitar mais as pessoas, fiz amizades com pessoas de bom coração, parei de beber, comecei a estudar mais, mudei meu modo de agir e de pensar, foi como do ‘vinho para a água’”, pontua ela.

Andressa afirma que a cada nova conquista, é um novo aprendizado. E olha que não foram poucas as vitórias. Só até maio de 2013, foram seis medalhas e, entre elas, quatro de 1º lugar, em pesos variados. Em 2012, doze títulos, entre eles, dez são de 1º lugar em pesos variados. Em 2011, poucos meses depois de começar a treinar, Andressa já ganhou seu 1º lugar no peso médio e um 4º lugar, também no peso médio, além de participar de vários seminários de aperfeiçoamento no Jiu-Jitsu. Entre todas essas conquistas, destacam-se o 1º lugar do peso leve no Campeonato Brasileiro de Jiu-Jitsu, em Barueri – SP, o 3º lugar no peso leve da Seletiva para o Mundial Profissional de Jiu-Jitsu, em Gramado – RS e o 1º lugar no Sul Americano de Jiu-Jistu, em São José – SC.

Ela já passou por várias cidades por causa do esporte. No Paraná: Maringá, Cianorte, Umuarama, Apucarana e Foz do Iguaçu; No Mato Grosso do Sul: Nova Alvorada do Sul e Dourados; em São Paulo: Barueri e Presidente Prudente, além de Gramado, no Rio Grande do Sul e São José em Santa Catarina.

Para aguentar o dia intenso de treinos, ela precisa seguir uma dieta elaborada por um nutricionista esportivo, à base de proteínas, lipídios e carboidratos suficientes, por causa da sua rotina pesada, na qual estão envolvidas aulas, treino de musculação e mais o treino de Jiu-Jistu. Ao todo, esse treinamento físico dura em média 3h30.

O sonho de quase todos os competidores é trabalhar com o esporte e o de Andressa não muda muito: ela quer estudar e se formar, mas sempre levando, lado a lado, esporte e profissão. “Através de treinos e competições, procuro me superar a cada dia mais e sempre buscar evoluir para ser Campeã Mundial de Jiu-Jitsu e representar o município de Campo Mourão em todo o mundo”, ressalta ela.

Para encerrar, ela deixa a seguinte filosofia que a inspira: “o objetivo do Jiu-Jitsu é o de desenvolver reflexos físicos, emocionais e espirituais, detectando medos e limitações, em busca de caminhos positivos. O confronto pessoal exige o encontro do equilíbrio, sendo um vencedor de si mesmo primeiramente, vencendo seus limites. Quanto maior a harmonia e a sintonia de você com você mesmo, maior a autoconfiança, o autocontrole, a autoestima, a fé de que tudo dará certo”, concluiu.

 


Sobre o Autor

Desirée Pechefist
Desirée Pechefist

Desirée Pechefist, não carrega tanta idade quanto sonhos. Blogueira e futura jornalista. Cara de menininha, mas quer saber mesmo é de fotografar, escrever, escutar música, ler e viajar.


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