Brincar de carrinho não é mais coisa de criança

0

O automodelismo é o esporte indicado para quem gosta de velocidade e adrenalina.

Cada vez mais os brasileiros têm interesse pelo automodelismo, seja como esporte ou para o lazer.  Os carros rádio-controlados, ou também chamados de Automodelos RC, são miniaturas de automóveis usadas para correr num espaço e fazer manobras.

As réplicas dos carros impressionam pelo realismo, ao pilotar as máquinas se consegue ter a sensação da troca de marchas do câmbio automático, e é possível atingir velocidades impressionantes.

Quem pratica o esporte afirma que a emoção durante as corridas é indescritível. A paixão pelo automodelismo conquistou um grupo de amigos em Campo Mourão. O entusiasmo do piloto Gustavo Montans Baer, que envolveu os colegas, começou faz uns três anos. “Eu falei vamos brincar e a coisa começou a crescer”, diz Gustavo.

Luiz Eduardo Montans Braga lembra que comprou o primeiro carrinho de rádio controle há mais de 20 anos, “quando nós compramos, o Gustavo era bem novinho. Mas foi só no ano passado que começamos a nos animar com o esporte”.

A adrenalina move os pilotos, “quando você está na prova é adrenalina pura, ainda mais quando começam a anunciar seu nome, você fica mais empolgado”, conta Luiz Eduardo.

Associação de Automodelismo RC

A brincadeira se transformou em coisa séria. Sete amigos fundaram a Associação Rádio Controle de Campo Mourão (RCCM) de Automodelismo RC. Os amigos competem na categoria Off-Road – que em português significa “fora da estrada: a pista é na terra. Os modelos dos carros dos pilotos são altos, saltam obstáculos e lombadas com extrema facilidade. São movidos por um combustível especial à base de álcool, óleo e nitrometano. Quem frequenta a pista, de longe consegue escutar o barulho dos carrinhos. A sensação, tanto para piloto quanto para o público, é de estar numa prova com automóveis. Os amigos mourãoenses preferem a categoria Off-Road porque transmite mais emoção e os carros podem ser equipados com câmbio de duas velocidades.

Primeira pista iluminada

Os treinos em uma pista improvisada começaram a se tornar mais frequentes nos finais de semana. E depois de alguns “puxões de orelhas” das esposas e namoradas que ficavam sozinhas, o grupo resolveu construir uma pista para treinar durante a semana à noite. Gustavo Baer fala, aos risos, que “a intenção era agradar as namoradas. Por isso, surgiu à ideia de construirmos uma pista iluminada que pudéssemos treinar na quarta ou na quinta-feira.”

Thiago Augusto Vieira Santos explica que houve um planejamento antes da construção do local. “Pensamos em uma pista de nível técnico, com mais obstáculos e uma estrutura para os pilotos e box”, revela.

A pista iluminada é inédita no Brasil e fica localizada no sítio Casa Branca, no anel viário, Km 1,7. Neste ano a Associação promoveu a primeira corrida noturna na história da competição durante o Campeonato Paranaense de Off-Road.

“Vinte e sete pilotos se inscreveram. A prova era no sábado, mas já na quinta feira de tarde começaram a chegar os pilotos, mecânicos e amigos. O evento reuniu mais de cem pessoas”, conta Gustavo Baer.

Cada grupo tem sua mania, a desculpa para se encontrar. A nossa é essa aqui.

Luiz Eduardo explica que a pista foi fundamental para que os amigos começassem a frequentar competições nos estados de Santa Catarina e no Paraná. “Ter carrinho e não ter pista não vale a pena”, comenta Luiz.

Corridas e competições

Na categoria Off-Road uma corrida dura 40 minutos. Neste tempo os pilotos conseguem dar em média 72 a 73 voltas na pista. Durante a prova é preciso parar para abastecer, em média o tanque do carro dura 7 minutos. Por isso, é preciso uma equipe com mecânicos no box.

A maioria dos competidores corre com os modelos Mugen e Lose. Os carrinhos, assim como os automóveis, também precisam de manutenção, as peças se desgastam e as batidas são inevitáveis.

Thiago Vieira ainda não participou de campeonatos, mas já assistiu a prova em Campo Mourão. “É brincadeira, mas na hora da competição a coisa fica séria. Tem pessoas que trazem mecânicos e investem mesmo”, conta.

Entre os amigos, Gustavo Baer é o que se destaca nas competições. Ele é o atual campeão paranaense de Off-Road. “Este ano tiveram 8 etapas, dessas eu ganhei 4. Eu acredito que para ganhar é preciso 33% do carro e do motor, 33% do piloto, 33% do conhecimento da pista. Quem vem de fora sempre tem uma desvantagem em relação a quem é de casa”, revela.

Luiz Eduardo conta que as competições em outras cidades e estados mantêm a equipe mais unida, e ao mesmo tempo, os encontros com outros pilotos servem de estímulo, “as competições são combustíveis para nos manter nos treinos”, pondera.

Vinte e sete pilotos se inscreveram. A prova era no sábado, mas já na quinta feira de tarde começaram a chegar os pilotos, mecânicos e amigos. O evento reuniu mais de cem pessoas.

Amizade

O esporte proporcionou aos amigos mais que habilidades e técnicas no automodelismo, e sim, uma troca de experiências que fortalece os laços de amizade, independentemente da idade.

Extrovertido, com um carisma que contagia o grupo, Roberto Widerski, 56 anos, apelidado carinhosamente como “Beto, o Véio”, é o paizão da turma. “Eu segurei a maioria desses meninos no colo. Por isso, estou nesse esporte com o objetivo de curtir, dar risadas, brincar e me envolver com eles”, fala.

O grupo conquistou amigos de outras cidades. Alexandre Nabhan, conhecido como Xandú, enfrenta 67 quilômetros de estrada para frequentar os treinos. Ele mora em Cianorte, mas “toda a quarta feira é sagrada. Eu tenho que vir para Campo Mourão”, conta.

Todos ajudam na manutenção da pista e também nas festas de confraternização realizadas nos treinos. Para Tiago Vieira “o esporte significa passar um dia ao lado dos amigos. E em cada quarta-feira um é responsável pelo churrasquinho da turma”, revela.

Marcos Montans, um dos fundadores, também prefere pensar na associação como um momento de encontro entre os amigos, “cada grupo tem sua mania, a desculpa para se encontrar. A nossa é essa aqui”, conta.

O esporte mantém o “paizão” dos meninos com o espírito jovem. “Faz você voltar a ser criança. O pessoal fala “brincar de carrinho?” Eu sempre falo: quando eu era criança não tinha este tipo de carrinho, agora eu posso brincar com ele”, conta Beto Widerski em meio às gargalhadas.

Para saber mais e acompanhar as competições da Associação RCCM de Automodelismo RC acesse o site : www.rccm.com.br
Membros da Associação RCCM Automodelismo RC:
Tiago Augusto Vieira dos Santos, Gustavo Montans Baer, Roberto Widerski, Luiz Eduardo Montans Braga, Pedro Henrique Montans Baer, Alexandre Nabhan, Marcos Montans, César Ferri.

Fotografia: Valmir de Lara


Sobre o Autor

Samara Reis
Samara Reis

Jornalista, especialista em Comunicação Empresarial, estudante de Letras da Unespar/Fecilcam


Fatal error: Uncaught Exception: 12: REST API is deprecated for versions v2.1 and higher (12) thrown in /home/metropolerevista/metropolerevista.com.br/html/wp-content/plugins/seo-facebook-comments/facebook/base_facebook.php on line 1273