Prato raso ou prato fundo?

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Incrível como tem homem que gosta de cozinhar! Só no Bar do Miltinho tem o Colchon, Baretta, Guido, Carlão, Seiki … Eu nunca tive esse dom. Aliás, também nunca tive vontade em aprender. Prefiro continuar saboreando as delícias que a Malu faz. Em troca, em alguns finais de semana, lavo a louça pra ela. Não cozinho nem arroz, teoricamente o mais comum e mais fácil de ser cozido. Ovos, de vez em quando, ainda arrisco fritá-los. Mas, a cada vez, saem diferentes, quase nunca ao meu gosto. Em algumas vezes ainda me queimo. “- É uma vergonha”, diz a Malu, citando como exemplo alguns de nossos amigos cozinheiros, inclusive os nossos próprios filhos, mas não tem jeito. Quem sabe um dia ainda vá aprender.

O que estou começando a querer aprender é fazer churrasco. Tenho, invariavelmente, acertado ou não decepcionado, mas nada que se compare ao Baretta, Valdenício Zagotto, Guido, Carlão … Isto, pra citar apenas alguns dos mais chegados, porque Campo Mourão, em matéria de bons cozinheiros – ou churrasqueiros – está, literalmente, muito bem servido. Daria pra citar, pelo menos, uns trinta nomes que, a exemplo do Walter Tonelli  – também conhecido como Peteleco – , poderiam abrir seu próprio restaurante e se dar muito bem.

Dias desses, um domingo, depois de um encontro de carros antigos, eu, meus filhos Renan, Ciro e Alessandro e mais o amigo em comum, Alcides Aires, resolvemos fazer um churrasquinho em minha casa. Apenas carne, pão e salada de tomate com cebola. E cerveja, claro! Tudo na base do “rachide”.  A Malu não estava e a salada ficou por conta do Ciro Eduardo. Começamos por volta de uma e meia da tarde e lá pelas três horas recebemos uma inesperada visita: Ana Paula Daleffe, chef do Buffet Telhado de Paris e colunista especializada em gastronomia. Junto do marido, jornalista Dilmércio Daleffe – que havia sido convidado pelo primo Alcides – , veio para o almoço. O Dilmércio deve ter entendido almoço, em vez de churrasquinho, e três, em vez de treze horas,  e nada mais justo, convidou a esposa para acompanhá-lo. Injusto foi pra mim, que não sabia o que fazer, literalmente, para servir à Ana Paula. Quase caí do telhado. Ou quase subi nele, de vergonha.

Ainda arrisquei um telefonema pra Malu – que estava passando o dia na casa da mãe dela – mas, naquelas alturas, não restava nenhuma outra opção. O Ciro aumentou a salada e eu assei as duas bistecas e quatro pãezinhos que ainda restavam.

À tarde, quando a Malu chegou, contei a ela tudo o que havia acontecido. E desabafei, eufórico: “- Tá vendo amor, você fala tanto nos nossos amigos que sabem cozinhar, e que eu não sei, mas fui eu, e não eles, quem serviu almoço a uma das mais famosas chefs da região!”

Ela olhou pra mim e pra louça que ainda se encontrava em cima da mesa e falou, tranquila como sempre: “- Com pratos fundos, amor?”


Sobre o Autor

Osvaldo Broza
Osvaldo Broza

Empresário, escritor, membro da Academia Mourãoense de Letras - AML

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