Piratas del Paraguay: puro desejo de matar

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Em praticamente todas as cidades do Brasil tem gente que compra mercadorias no Paraguai para revender. Uns, para garantir um extra em seu orçamento, e uma grande parte tem isso como sua única fonte de renda. Em Campo Mourão não é diferente. Temos “executivos de fronteira” pra todos os gostos. Bebidas, eletrônicos e informática são as encomendas mais comuns. Se estiverem dentro da cota permitida e obedecerem às normas legais, podem ser trazidas sem maiores problemas. Tem uns, entretanto, que se arriscam trazendo mercadorias proibidas. E aí, de vez em quando, se dão mal.

Conheço dois “executivos” que se deram mal. Eles vendiam CDs e DVDs (não sei se ainda vendem, acho que pararam), todos originais, como gostavam de afirmar aos seus incontáveis clientes. Mas, não foi a lei que os fizeram se dar mal, foi justamente a “originalidade” de seus produtos.

O primeiro caso aconteceu numa festa de aniversário de crianças. A mãe da aniversariante comprou o último grande sucesso da Rainha dos Baixinhos, “Xuxa e o Mistério de Feiurinha”. Na hora que começou a rodar, a meninada, toda sentadinha nos sofás e no assoalho da ampla sala, esperando a “feiurinha” da Xuxa, se espantou com a feiúra das cenas entre Alexandre Frota e Rita Cadillac, no filme “Puro Desejo”. Puro desejo mesmo, me contaram, teve o dono da casa, que queria encontrar e “matar” o vendedor do DVD – que continua desaparecido. Ou disfarçado.

O outro caso – bem parecido – também aconteceu numa festa de aniversário, só que de adultos. Um dos filhos do aniversariante encomendou ao nosso “executivo” um DVD da dupla sertaneja Teodoro e Sampaio, de quem o “velho” gostava muito. Era surpresa, o DVD seria tocado na hora do “parabéns pra você”, quando todo mundo estivesse reunido. Entre parentes e convidados, havia mais de sessenta pessoas. Após os parabéns e o sopro das velinhas, o filho pediu a palavra e homenageou o pai, oferecendo-lhe o presente em nome de todos: “É um DVD que o senhor vai gostar muito”, disse, colocando o disco pra rodar. Era, na verdade, para espanto de todos, um filme de sexo explícito, desses que os atores já começam bombando. E teve, mesmo, o efeito de uma bomba, com reações das mais diversas: algumas pessoas saíram correndo do local e outras cobriam os olhos com as mãos. O nome do filme, soube-se depois, era “Perigosa”, com Regininha Poltergeist. Perigosa ficou a situação do “executivo”, que teria levado uma grande surra caso tivesse sido encontrado nas três primeiras semanas depois do episódio.

Tempos depois, vendedor e comprador se reencontraram e, ao contrário do primeiro caso, tudo terminou em risadas. O “velho” teria gostado da “Perigosa” da Regininha e nem falava mais em Teodoro e Sampaio. A família até que tentou convencê-lo a quebrar e jogar fora o DVD, mas sem sucesso: “ Presente é presente!”, dizia ele.


Sobre o Autor

Osvaldo Broza
Osvaldo Broza

Empresário, escritor, membro da Academia Mourãoense de Letras - AML

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