Nem Deus

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Uma amiga minha queria porque queria parar de fumar. E vivia pedindo a Deus que a ajudasse. Todos os dias, quando punha o primeiro cigarro na boca, lembrava-se Dele e implorava: – Por favor, eu sei que o Senhor pode me ajudar a largar este maldito vício. Sozinha não vou conseguir, me ajude pelo amor do seu amado filho!
nem-deusO tempo passava, os cigarros continuavam a lhe comer os pulmões e os pedidos a Deus também.
Em certo dia, ainda bem cedinho, uma amiga a parou na rua e contou que uma de suas irmãs estava sofrendo muito com um câncer nos pulmões ocasionado pelo fumo. E fez-lhe um pedido: – Sou sua amiga e gosto muito de você. Por isso lhe peço que largue dessa porcaria antes que seja tarde demais! Veja o estado da minha irmã!
Religiosa de carteirinha, ela resolveu ir à Igreja falar com Deus mais de perto. Ficou lá por mais de uma hora conversando com Ele. Achou até que tinha resolvido o problema, uma vez que estaria disposta a atender ao pedido da amiga e de tantas outras pessoas. Quando voltava pra casa, entretanto, passou em uma lanchonete e tomou um cafezinho. Sintomaticamente acendeu um cigarro.
– Nem percebi. Quando vi já estava com o desgraçado aceso.
Claro, não foi dessa vez que ela parou de fumar, continuou foi fumando cada vez mais.
Um tempo depois, quando caminhava pelas esburacadas ruas de Campo Mourão, com o cigarro na boca, lógico, um jovem de bicicleta passou por ela e aconselhou: – Porque não para de fumar, Dona? Faz mal pra saúde!
Pra que ele falou isso! Furiosa, ela descarregou tudo e mais um pouco no coitado do rapaz! Com sutileza!
– Vá tomá no (piii), seu filho da (piii), desgraçado, você não tem nada com isso, vá cuidar da sua vida!
Ainda bem que ele não a chamou de tia, senão, pelo que eu a conheço, o estrago poderia ter sido bem maior, material e fisicamente.
O fato é que, nem com o apelo da amiga e nem com o conselho do ciclista ela conseguiu se livrar do vício. Continuou fumando e pedindo socorro aos Céus.
Passado mais um tempo, ela voltou à Igreja e soltou o verbo: – Senhor meu Deus, aqui estou de novo para pedir que me ajude a largar desta bosta (epa, esqueci do piii). Não aguento mais os outros me enchendo o saco. Parece que o Senhor não quer me ajudar, por mais que eu Lhe peça e Lhe implore.
“– Minha filha, tenho tentado ajudá-la – disse uma voz pausada, parecida com a do Cid Moreira – mas você não quer me escutar! Tenho lhe mandado muitas mensagens! Na última vez eu quis inovar e me dei mal! Você me xingou um monte, quase caí da bicicleta!”.


Sobre o Autor

Osvaldo Broza
Osvaldo Broza

Empresário, escritor, membro da Academia Mourãoense de Letras - AML

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