Esperneio logo resisto!

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“… não ousa crer em si próprio e acha demasiado ousado sê-lo e muito mais simples e seguro assemelhar-se aos outros, ser uma imitação servil, um número, confundido no rebanho.” ( Kierkegaard)

Na esquete de circo o Palhaço está em conflito com o “escada”; diz ao “galã”: – Assim não vale! O Galã pergunta – Por quê? O Palhaço – Ele só me bate… O galã dá a deixa – E você? O Palhaço humildemente resume: – Eu só apanho!…

Chega uma hora na vida que entendemos o principio norteador do bordão de bordel: “AQUI SE FAZ, AQUI SE PAGA”.

Todo mundo quer ir pro céu, mas ninguém quer morrer! O problema não é apanhar, é não poder bater também. Manter a consciência e a propriedade de um “eu” é viver entre “tapas e beijos”. A questão aqui não é individualismo é individualidade e isso incomoda; não ser do rebanho e ignorar o berrante já dá “panos pra manga”. Quando apanho dói na primeira pessoa, no espírito, na carne, revidar é parte da transformação. É nesta hora que eu sei que “o pulso ainda pulsa!”.

Quem já passou por muito “corredor polonês”, teve que aprender “rodar a baiana”, não fica descorçoado,  mas não aceita pregação de auto ajuda. “Caga” macaco, no seu galho, não no ventilador. Não quero lição de moral nem de cívica, se alguém encontrou o seu verdadeiro eu nos sites de busca da internet “acredite se quiser”. Não vou ser o eu dos outros, o eu de terceira pessoa que fala Kierkegaard.

Com a velocidade digital dizem, podemos esquecer mais facilmente, renovarmos-nos “ad infinitum”. Acumulei tantos  “pertêncilios” sentimentais, tantos trecos e bregueços, “mailaífê” parece obra do Arthur Bispo do Rosário; fragmentos, idéias, lembranças, cheiros… Para quem anda pelo  “Oco do Mundo”, metendo o dedo na ferida,  não dá para ser asséptico imerso na licenciosidade do relativismo, “tudo é tudo, nada é nada, ou não!” Não sou surfista “brodi”, não pego onda nem deixo ela me pegar! Fiz a escolha e sei, “não existe paz, não existe perdão, não suporto mais violência e paixão”. Mesmo assim, é o quero, sentir! Eu sinto muito, e é bom, melhor que estar Valiumdopado!

Jessuí tacanho! Não sei ser seguidor faceblogado de ninguém.  Sou daquela geração  que brincava na rua, juntava papelão para vender e lavava o carro do vizinho para descolar o dinheiro  pro cinema, que comprava livro em sebo,  fã do Fradim e do Graúna. Que decorou “Nome aos bois” por que sabe quem eram aqueles “putos”.

Em breve o e-mundinhoporreta.com.esperasentado da era de peixinho de aquarius, tornará o planeta um lugar limpinho, harmonioso, sem violência, sem “bulinação”, mas enquanto esperamos Godot instalar as UPPs salvadoras, vamos sonhando com espíritos polidos nesta vida lascada!

Embarquei nessa e vou até onde der, na hora do “vamos ver” se der tempo à gente grita: “Puta que pariu, pisa no freio Zé! Se o pé de bode cair, nós vamo tudo pro saco”… Só não abro mão do meu “Jus Sperneandi” muito bem cunhado pelo jurisconsulto Millôr Fernandes. Só peço uma coisa: Não venha me dar de dedo, “o sujo falando do mal lavado”.

Como disse Vinicius de Moraes, “Você que olha e não vê… Vai  pra tonga da mironga do cabuletê”! Purínquântú éwilsô, voumijáir tá!…

Sugestão de leitura: A definição do eu e a estrutura da obra de Kierkegaard

Foto: dpshots.com


Sobre o Autor

Velho Zanca
Velho Zanca

Sapateiro amador - MBA em Meia-sola pela Nail Box Sculeichow of Salta oLeit pCity - Utah bãm. Nasceu em Buiaquinho Coxado. Quando menino e abestado caiu em rio que tem piranha! (PS.: Não sabia nadar de costas). Viveu anos boiando por aí, engolindo muito sapo, de tanto a água bater na bunda, resolveu aprender a ler para ser alguém na vida. Não conseguiu ser nada, mas continua lendo.

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