Efeito colateral

0

Campo Mourão tem se destacado na fabricação – e inventos, inclusive – de produtos que são vendidos em diversas regiões do Brasil e até em outros países. São inúmeras as empresas que inventam, desenvolvem e exportam tecnologia mourãoense.

Uma delas, fundada em 2003, desenvolveu um equipamento ligado à agricultura e vem obtendo excelente demanda, não só no Paraná, mas em outros estados, como Santa Catarina, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia, Tocantins, Maranhão, Rio Grande do Sul, dentre outros. Por conta disso, seus diretores viajam constantemente a esses estados, para visitas a clientes e abertura de novas parcerias. E, em cada viagem tem uma história.

Uma delas, por exemplo, aconteceu em uma viagem que fizeram ao estado de Mato Grosso, mais precisamente à cidade de Cuiabá. E, como sempre, em face do grande calor que faz naquela região, foram a um bar tomar um chopinho. E convidaram dois novos clientes para acompanhá-los.

Alguns negócios já haviam sido realizados entre eles, porém insignificantes, em relação ao que a empresa pretendia. E bar, dependendo do ambiente e das medidas etílicas, é um ótimo local para se fazer amizades, negócios e parcerias. Mas, atenção! Se a bebida for chope, deve-se tomar (com) cuidado! Pode causar reações adversas.

Depois de muitas rodadas – mais de dez, disseram-me – um dos clientes começou a falar fino, como se, de repente, por consequência da bebida gelada, tivesse sido acometido de uma inflamação na garganta. Até aí tudo bem, os assuntos e a bebedeira continuaram normalmente.

Mais um tempo, entretanto, esse mesmo cidadão também começou a se comportar de uma maneira mais “alegre” e espalhafatosa, abanando as mãos, girando e inclinando a cabeça para trás, rebolando e dando gritinhos de felicidade.

Isso deixou os diretores um pouco preocupados. Eles começavam a perceber que o problema do rapaz não era só a garganta. E resolveram ir embora. Pediram mais um chope, a saideira, e a conta. Foi aí que o “fala fino”, com a voz toda amorosa, soltou de vez a franga:

“- Eu prefiro um suco de amora, pra ver se alguém daqui me namora!”

Um dos diretores, meio sem jeito e com uma risadinha amarela, levantou-se da cadeira e encerrou o encontro:

“- Bom, pessoal, o chope tá bom, a conversa tá boa, a brincadeira tá boa, mas já tá na hora. Amanhã continuaremos a nossa conversa.”

E completou:

“- Tenho certeza de que vamos nos abraçar nesta parceria!”

Pra que ele falou isso?! Instigou ainda mais a libido do “fala fino” que, definitivamente, saiu do armário:

“- Eu também não vejo a hora de te abraçarrrr!”

O diretor, simulando um telefonema que recebia da esposa, saiu rapidamente do local. No dia seguinte, ainda de manhã, os mourãoenses já estavam em outro estado.

Mesmo assim, a parceria foi concretizada. Mas, sem abraço. Quem sabe, numa próxima viagem, dependendo da quantidade de chope que beberem…


Sobre o Autor

Osvaldo Broza
Osvaldo Broza

Empresário, escritor, membro da Academia Mourãoense de Letras - AML

0 Comentários



Seja o primeiro a comentar!


Deixe uma Resposta


(obrigatório)


Nunca mais perca uma postagem. Informe o tipo de conteúdo que você deseja receber e ganhe um cupom de desconto para uma compra na metropolestore.com.

Fica tranquilo, não enviamos spam.