Dor… CANALHA!

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  É uma dor canalha – Que te dilacera – É um grito que se espalha – Também pudera – Não tarda nem falha – Apenas te espera … – CANALHA! 

(Walter Franco)

Tem gente possuidora de uma existência plena e antiga, que soltou a cabeleira no vento até ficar grisalha, que já tomou muito chá com porradas nesta vida, mesmo tendo quebrados muitos tabus e muitos barracos, manteve o pudor contra a moralidade de conveniência. Não praticam o alpinismo social de resultados, nem a dança da quadrilha governina. Capturaram uma anima – um enfeite de espírito que mesmo em corpos antigos, continua a brilhar e provando que tudo valeu à pena.

São aqueles “… sem dinheiro no banco / Sem parentes importantes / E vindo do interior…”, rolam as pedras da vida desde um tempo despatologizado: Alucinar era cura – não doença. Época pré-relativismo: Tinha diferença entre o civil e o militar, o maluco e o careta, o preto e o branco até entre vermelhos. Sabia-se o quê queria os inimigos no poder, e não como hoje que a cupánherada  assumiu a máquina – cheios de gula! Podes crer – bicho, a barra pesada é mais antiga que andar pra frente. Já freqüentaram a casa grande e a Senzala onde a regra sempre foi clara: Cala a boca ou apanha! Passa-fora pé-rapado! “Manda quem pode, obedece quem tem juízo”! Que escutou muito: A porta é a serventia da casa! Ficar pirado era mandar a T.F.P. sífuk, ser alienado sem compromisso político – e a “patrulha” pegando no pé.  Ficou baratinado é porra – louca, lombrado, concretista amalucado, maconheiro abirolado: “…Vou ficar – Ficar com certeza – Maluco beleza”! Coisa de gente que sente muito, pensa muito, ouvi muito, vive muito – De quem preferiu dançar a se agachar! “Mas louco é quem me diz – E não é feliz, não é feliz …” Há – brummmm!!!

            Na motoca ou no carango saíram por ai ouvindo Casa Das Máquinas: Quem é você?  – Pra dizer o que eu devo cantar / Quem é você? –  Pra dizer com quem eu devo andar / Certo sim, seu errado – Certo sim, seu errado …”.  Com o “Pé na estrada”, ou melhor – On the Road sem tradução nem legenda explicativa, podem hoje rir entre dentes, cuspindo o sangue na boca das dores canalhas, que tanto agüentam vida afora, com o peito cansado de bater e mais ainda de apanhar. Gente foda – sem aspas, sem concessão – sem saco para se ornar com cabestro: “Quem não vacila mesmo derrotado / Quem já perdido nunca desespera /E envolto em tempestade decepado /Entre os dentes segura a primavera”!  Gente que se inventou e não se juntou à manada, que “… sabe a dor – E a delícia – De ser o que é…”  Viveu bons dias na Glória e também no Irajá, que pode dizer: “Vi cidades, vi dinheiro – Bandoleiros, vi hospícios – Moças feito passarinho – Avoando de edifícios”… Não vão gemer – nem chorar, pela chuva e pelos porres que tomaram, nem por não comerem mais todo o churrasco que já fizeram ou pelo pão que o diabo amassou e que continuam a engolir.

                   Para esses, Elis cantou baixinho, fazendo uma colagem colorida como colcha de retalhos: “Somos homens sem lugar / Homens velhos com raça / À espera de algum descuido / E com cuidado gozamos paz”. A caravana dos contentes continua passando, e esse velho cão está ladrando só pra avisar aos amigos, que vamos continuar a viagem até a festa de São Onofre onde vai ter muito Sexo, drogas e Rock hem Vô! “Eu tô te explicando / Prá te confundir / Eu tô te confundindo / Prá te esclarecer / Tô iluminado / Prá poder cegar / Tô ficando cego / Prá poder guiar…”

              Vamos lá meu irmão, ainda estão rolando os dados, se não der mais pé, tomamos uns gorós e cantamos: “Isso tudo acontecendo e eu aqui na praça / dando milho aos pombos…”!


Sugestão Para Ouvir:
Walter Franco
Tom Zé
Casa das Máquinas
Zé Geraldo

 


Sobre o Autor

Velho Zanca
Velho Zanca

Sapateiro amador - MBA em Meia-sola pela Nail Box Sculeichow of Salta oLeit pCity - Utah bãm. Nasceu em Buiaquinho Coxado. Quando menino e abestado caiu em rio que tem piranha! (PS.: Não sabia nadar de costas). Viveu anos boiando por aí, engolindo muito sapo, de tanto a água bater na bunda, resolveu aprender a ler para ser alguém na vida. Não conseguiu ser nada, mas continua lendo.

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