Velho Zanca – Bricolagem

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“O que importa é descobrir relações imprevistas entre elementos de natureza diversa.” (D.V.Passeti)

Como diria Odorico Paraguaçu, cheio de ideias desapetrechadas de sensatismo, inauguro esta coluna, invertebrada por princípio, labiríntica nos seus meios e desprovida de qualquer fim.  Chafurdando em uma linguagem blasé pseudo-acadêmica, calcada na racionalidade Vulcaniana do Dr.Spok e embalada por uns tecno brega muito pai d’égua e “La nave va”, mais uma “Nau dos Insensatos” está lançada no mar digital. Thim, thim!

Em atitude catatônico-mediúnica esquartejo textos, arranco notas de rodapé, extraio pérolas das orelhas de livro e abocanho nacos hiperlinkados, em um obsessivo ritual de incorporação do espírito “Bricoler de Ogum”, no intuito de deslindar teses e antíteses, formulando sínteses prosaicas de profunda impaquitância, não para o puro deleite, mas como medida profilática e desconjurante contra a mediocridade empreendedora e pró-ativa, sócio-reflexiva e “por demais” lúdica em que estamos atolados.

Não fecundo, não gero nem crio, só busco nas “obviedades ululantes” as verdades transversas contidas subliminarmente entre as ideias centrais, que os autores não expuseram “clarabelamente” nos textos, talvez por recearem que “ambas as duas” constitua apenas uma formulação incorreta.

Garimpagem literária e dissertação verbofágica não é montagem de caleidoscópio, onde, ao acaso, pedaços coloridos em uma estrutura triangular de espelhos revelam ilusões de ótica. A seleção meticulosa e analítica de pedaços, lascas, cascas, agulhas que encontro nos palheiros, pressupõe antever  consistentes  ilusões  psicóticas, indubitavelmente importantes, já que me acalmam os nervos, critério da verdade que aplico em cada uma das minhas reflexões. Se precisar “eu vou lhe desdizer aquilo tudo que eu lhe disse antes”…

Cioso no trato de minhas obsessões, rôo-me em entender se é mimetismo ou camuflagem quando se fala de confundir alhos com bugalhos!  Eu necessito de explicações, não sou pacato cidadão inscrito no Bolsa Rivotril e nem me conformo com as diretivas dos “Reis do Gado”, como aquela que foi exposta cristalinamente por Henry Ford: “O cliente pode ter o carro da cor que quiser, contanto que seja preto”.

Em absoluto, não almejo ser engraçado, ao contrário, no máximo posso ser considerado risível, por reclamar lógica nos dias que se sucedem.  Sou de um tempo antigo, quando se falava de livre pensador, como define o L. F. Veríssimo: “pessoa que não tem medo do ridículo”. Entendo-me velho, de idade, de espírito, de gostos e desgostos; gasto de tanto rodar. Sou do tempo dos “ismos”, de militância e de maniqueísmos, coisa assim como: “Me bate me chupa, sou liberdade e luta”.

Enfim, tendo introduzido meu avantajado preâmbulo, espero ter criado expectativas. Como afirmou o Exterminador do Futuro: “Aubibéqui…”.

Sugestão de leitura:  Colagem: arte e antropologia


Sobre o Autor

Velho Zanca
Velho Zanca

Sapateiro amador - MBA em Meia-sola pela Nail Box Sculeichow of Salta oLeit pCity - Utah bãm. Nasceu em Buiaquinho Coxado. Quando menino e abestado caiu em rio que tem piranha! (PS.: Não sabia nadar de costas). Viveu anos boiando por aí, engolindo muito sapo, de tanto a água bater na bunda, resolveu aprender a ler para ser alguém na vida. Não conseguiu ser nada, mas continua lendo.


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