Ânausfabeto

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“A tarefa atual da arte é introduzir o caos na ordem” (T. Adorno)

Senhor delegado /Seu auxiliar está equivocado comigo/ Eu já fui malandro, doutor/ Hoje estou regenerado”…   Vós tendes avacalhado por demais, é por motivo torpe ou fútil? Não invoca não, já vem esfregando infinitivo pretérito pessoal na minha cara, sai d’eu coisa ruim! É só terapia ocupacional! Como se diz: Direito Constitucional adquirido. Avacalhar – carnavalizar – esculhambar é atividade lúdica – sanitária. Sou formado pelo Mobral, jornal em casa não é só pra “sialimpá”. A líterobração que faço, fertiliza um canteiro de velhas idéias pré-cabralinas. Arengar é manifestação cultural. Nós verga, mas não tomba como patrimônio imaterial da cultura de botequim! Tem haver com o passado botocudo do caboclo que de tanto ficar à míngua, se abestalhou e virou livre pensador no Juliano Moreira. Nem precisava dizer nada, era só chupinzar Torquato Neto: “… eis que esse anjo me disse – apertando minha mão – com um sorriso entre dentes – vai bicho desafinar o coro dos contentes”. Falo pruquêquero. “Fi-lo porque Qui-lo”! Eu sei Que eu tenho um jeito – Meio estúpido de ser – E de dizer coisas Que podem – Magoar e te ofender”.

Perscrutando os pró-fundamentos  da Indefiniciologia constatei que a  causa é inútil, mas de certa relevância. Belchiorizando: “Sei, que assim falando, pensas – Que esse desespero é moda em 76 / E eu quero é que esse canto torto, – Feito faca, corte a carne de vocês”. Exposto a patogenesidade cretínica social sofro do intumescimento da língua, quase uma macroglossia; é preciso falar, cuspir – esculachar para diminuir o nojo e a náusea; queria eu ter refino escatológico como Augusto dos Anjos: “… Meti todos os dedos mercenários/Na consciência daquela multidão… / E, em vez de achar a luz que os Céus inflama, / Somente achei moléculas de lama/ E a mosca alegre da putrefação!”

 “… Prostituta e deputado – A virtude e o pecado – Esse governo e o passado – Vai você que eu ‘tô cansado’ – Tudo vira bosta…” É a tática da sintática contra o fato de que: “Quem cala consente!“.

Degustando um aprazível frango de macumba de um elegante despacho na encruzilhada, li um cartão com insofismável clamor: “Acuda – Acuda Senhor, não permita aos homens bolinarem com o buraco da gente!”  Manifestação de fé das desvalidas, sem medo de estar calcado  em um viés  totalmente abilolado.  Denunciam o despejo do Randevu Centro Cívico – Antro de pudê! Popularmente conhecido como o buraco quente das noites frias. O pedido preserva o ponto, mas espanta a freguesia! Atira no que quer, acerta o que não quer!  Pelo direito do livre exercício da profissão das mulé púbicas e da lascívidade social. Chega de caça aos broxas! Deixa meu PIB crescer pô! Sai espírito zombeteiro! Eparrei Iansã… Desconjuro meu bichim! A Ministra do Turismo Sexual decretou: Relaxa e goza! “Aqui nesse barco – Ninguém quer a sua orientação – Não temos perspectivas – Mas o vento nos dá a direção”.

Melhor seguir os conselhos de São Raulzito: “Não pare na pista – É muito cedo – Prá você se acostumar – Amor não desista – Se você pára – O carro pode te pegar – Bibi! Fonfon! Pepê!”. “Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.” José Saramago ensaiando para guiar cegos esclarece: “… fizemos dos olhos uma espécie de espelhos virados para dentro, com o resultado, muitas vezes, de mostrarem eles sem reserva o que estávamos tratando de negar com a boca.”

Estrebucha – Resfolega, diz alguma coisa hômí! É sessentavezsemjurú. E não dói no fiofó?

– Bem lembrado. Vou ver se distribuem vaselina lá no Posto de Saúde. “Isso de querer ser
exatamente aquilo – que a gente é – ainda vai – nos levar além”: Previsto pelo polacovidente Paulo Leminski. Papinho mais prólixo, fica o dito pelo não dito e um abraço pro cabrito “… E deixemos de coisa, cuidemos da vida, / Pois se não chega a morte ou coisa parecida / E nos arrasta moço, sem ter visto a vida”.(Cecília Meireles)

Sugestão pra ler e ouvir:     http://www.torquatoneto.com.br/


Sobre o Autor

Velho Zanca
Velho Zanca

Sapateiro amador - MBA em Meia-sola pela Nail Box Sculeichow of Salta oLeit pCity - Utah bãm. Nasceu em Buiaquinho Coxado. Quando menino e abestado caiu em rio que tem piranha! (PS.: Não sabia nadar de costas). Viveu anos boiando por aí, engolindo muito sapo, de tanto a água bater na bunda, resolveu aprender a ler para ser alguém na vida. Não conseguiu ser nada, mas continua lendo.

Um Comentário


  1.  

    Eu sei que às vezes uso palavras repetidas, mas quais são as palavras que nunca são ditas? Daí vira o 'eu não tenho nada pra dizer, tambem não sei o que fazer, e só pra garantir esse refrão vou enfiar uma "citação". Daí pra pau, pedra, fim do caminho, resto de toco num falta nada. Eu quis dizer, voce não quis
    escutar, agora vamos em frente, porque de ré dói.





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