A casa caiu

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Em uma das viagens que fiz com a família para o litoral de Santa Catarina, ao me aproximar de uma curva, o meu filho Ciro Eduardo, ainda bem pequenininho, gritou:

- Toma perigo, pai! Ele quis dizer que eu tomasse cuidado porque a curva era perigosa. Todo mundo entendeu e demos muitas risadas. Até hoje ainda usamos essa expressão e a recordação é inevitável.

Conto essa passagem porque vou entrar num campo perigoso. Perigoso e que exige muito cuidado. Só espero que a minha situação não fique perigosa depois desta crônica.

A casa caiuQuando eu trabalhava na Folha de Londrina, na década de oitenta, conheci um prefeito que tinha uma amante (naquele tempo existia isso!) e não fazia nenhuma questão em esconder. Aliás, fazia questão era de contar pra todo mundo. E, ainda, se vangloriava em dizer que respeitava a esposa, porque jamais comprara algo melhor para a amante. Se comprava uma televisão preto e branco para a amante, comprava uma colorida para a esposa, exemplificava.

“– Afinal, quem lava as minhas cuecas é a minha mulher”, dizia. Todo mundo sabia, portanto, que ele tinha uma amante. O que o prefeito não sabia era que a sua esposa não o respeitava, porque o melhor presente era sempre para o amante dela.

Um amigo meu (casado), também tinha uma amante (casada). Esse já era um pouco mais reservado, quase ninguém sabia, mas essas coisas não ficam encobertas por muito tempo. Certo dia, o marido da amante descobriu e, como diria o meu amigo Mineiro (Édimo Bózio), a casa caiu. Aliás, nem pra casa ele voltou mais depois que o caso foi descoberto. O marido da amante queria pegá-lo e a sua mulher queria matá-lo. Fui me solidarizar com ele, no escritório de sua empresa, onde ele negociava com as duas famílias. Afinal, amigo é pra essas coisas. Foi então que ele me perguntou, meio que desolado da vida:

- Você já teve ou tem amante?

- Não. Respondi.

- Pois você não sabe o que está perdendo. É a coisa mais maravilhosa do mundo! E completou:

- Agora tudo acabou!

E acabou mesmo. Três dias depois ele já estava morando em outra cidade.

Dias desses, entrei em uma loja que vende joias e vi um cidadão discutindo com uma das atendentes. A conversa estava áspera e, pelo jeito, cheia de ameaças. Não cheguei a ouvir o que eles discutiam, mas ouvi o que ele disse quando foi embora:

- Isso não vai ficar assim.

- Não vai mesmo, disse a atendente depois que ele saiu.

- Vai é apanhar da esposa, completou.

Ele e a esposa compravam nessa mesma loja há muitos anos. No dia das mães, como acontecia em todas as datas especiais, ele comprou um presente para a esposa. E, pasmem, também comprou para a amante. Na mesma loja e na mesma ficha! Ôh cara burro, meu!

Nada de anormal teria acontecido, entretanto se a esposa não tivesse ido à loja trocar o presente. A funcionária, que não sabia de nada, porque não era a mesma que atendera o marido dela, olhou a ficha e viu que havia duas compras, embora fossem joias diferentes. E, querendo ser simpática, coitada, derrubou a casa:

– A outra joia ficou boa, a senhora gostou? Perguntou.

Quem não gostou, claro, foi o cidadão que, depois da briga – da surra ou da separação -, foi tirar satisfação com o pessoal da loja.
Coisa mais maravilhosa do mundo!…Eu, hein?!
Esse pessoal tem que tomar mais perigo! 

 


Sobre o Autor

Osvaldo Broza
Osvaldo Broza

Empresário, escritor, membro da Academia Mourãoense de Letras - AML


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