Tablet com defeito

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Tá bom, eu confesso: não sou dos mais aficionados em tecnologia. É isso. Apesar de estar inserido num universo altamente tecnológico desde 1980, quando fui contratado como aprendiz, na área de informática, numa grande cooperativa da cidade, eu não costumo estar envolto entre cacarecos tecnológicos – diferente de muitos colegas de profissão, que adoram modernidades. Acho que é preciso registrar aqui que “universo altamente tecnológico” em 1980 eram computadores que tinham o tamanho de um guarda-roupas de 4 portas, que “bootavam” por fitas K7 e tinham como meio de entrada de dados, cartões perfurados de 96 colunas. (Putz, e eu não guardei nenhum cartãozinho pra mostrar pros meus netos… Pena!). Quando falo nos tais cartões perfurados, penso que daqui a uns 20 anos, vou me lembrar com a mesma nostalgia dos atuais Pen  Drives…

Mas a minha, digamos, distância pessoal da tecnologia, não se restringe à informática. Quer ver só? Até hoje a televisão da minha sala é uma daquelas de tubo. A tecnologia do LCD, Led ou Plasma não chegou lá em casa ainda. Meu aparelho de som eu comprei usado, há uns 10 anos, do meu cunhado. Acho que ele já o possuía, na ocasião, havia outros 15.

Tablet quebradoEstou expondo esses detalhes sórdidos da minha vida pessoal somente pra contextualizar. É que, até uns 60 dias atrás, eu tinha um celular que nem câmera possuía. O coitadinho caiu e se espatifou um dia desses, aí precisei comprar um novo. Como minha religião não permite celulares mais caros do que R$150, a probabilidade de eu possuir um smartphone era bem reduzida. Acabei abrindo uma exceção e comprando um smartphone usado (uns 3 meses…) do meu funcionário, sócio e amigo, Bruno. Como ele tinha ganhado um novo, me vendeu o dele pelo módico valor de 3 parcelas de R$100.  Baita negócio eu fiz!

Muito bem, agora chegamos, finalmente, onde eu queria: o bagulho é bacana e, acredito, nunca mais vou querer um celular não-smart. Estive pensando se a aquisição desse smartphone não terá sido um divisor de águas na minha história, me fazendo me apaixonar por tecnologia. Vai que eu me empolgo e resolva trocar a TV e o som lá de casa… Progresso, hein, gente!

O conforto proporcionado pela tecnologia é realmente altamente corruptível. Escrevo isso até com uma certa sensação de culpa, já que não costumava, até então, ceder aos encantos da modernidade. Lia, há umas semanas atrás, próximo ao Natal passado, uma matéria que dizia que celulares e tablets seriam os principais presentes da ocasião. Eram os mais pedidos, inclusive entre crianças a partir dos 4 anos. Falando em crianças de 4 anos, essa geração já está sendo chamada por alguns especialista de geração “S”. Esse rótulo aponta para uma geração que já não conhece teclado e mouse. A interação com o computador, tablet ou smartphone se dá pelo toque na tela (“Screen”, em inglês). Já consigo imaginar a estranheza dessa galera, daqui a alguns anos, diante de um computador com mouse e teclado. Será como alguém de 20 anos, hoje, se defrontar com uma máquina de datilografia.

Têm-se transformado em hits, no Youtube, vídeos de crianças – e até bebês – tentando movimentar páginas de revistas impressas, deslizando o dedo indicador sobre as fotos, no papel. Um amigo recentemente comentou que recebeu a netinha, de uns 3 aninhos, em casa e ao se aproximar dele, ao computador, numa página do Facebook, ela tocou o monitor e deslizou o dedo, na tentativa de ver outras fotos. Face à tentativa frustrada, exclamou pro avô: “Vovô, seu computador não funciona…”. Eu mereço?!


Sobre o Autor

Cláudio Luís Resende
Cláudio Luís Resende

Cláudio atua na área há trinta anos, é proprietário da Astec Informática e professor no SENAC.


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