Tá caro pra caramba!

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Dia desses, numa conversa em casa, entre família, num domingo, falávamos sobre despesas domésticas. Entre tantas outras como mercado, saúde, educação, água, luz, umas que acabaram por consumir nossas atenções foram as despesas com as modernidades: especialmente telefonia e internet.
Nos perguntávamos e, aqui, quero compartilhar a pergunta com você: “Por que é tão caro? E por que o serviço é tão ruim?” Depois de nos perguntarmos, enveredamos por vários caminhos pensando a respeito e andei fazendo as seguintes observações: na casa dos meus pais, por exemplo, eles gastam, em média, R$60 por mês de energia elétrica.
Por esse valor mensal, eles têm vários benefícios, representados pela parafernália elétrica de que eles usufruem: lâmpadas em mais de 10 cômodos, 2 ventiladores, 2 televisões, 1 DVD, 1 forno elétrico, 1 microondas, 1 liquidificador, 1 batedeira, 1 lava-roupa, 1 centrífuga e 1 geladeira. Sem contar que, ocasionalmente, meu pai pluga uma furadeira lá pra fazer uns buracos nas paredes. Ah, de vez em quando, ele usa o cortador de grama também. Fala sério! Isso tudo pela bagatela de R$60 por mês?!
Tá caro pra carambaE a água? Pra cozinhar, tomar banho, lavar as calçadas, regar a grama. Ah, pra beber também, já que a água que verte das nossas torneiras – diferente de um monte de outros lugares – é potável. Lembro da cara do Hill – um tailandês que morou, em intercâmbio, na minha casa por alguns meses – quando peguei a jarra de água vazia, da geladeira e enchi na pia da cozinha antes   de devolvê-la pra gelar… A conta lá na casa do Seu Francisco e da Dona Maria não passa dos R$50. Vixi! Acabo de me lembrar que no valor também tá incluída a taxa de esgoto…
Não dá pra entender, então, porque pra ter uma internetinha de 10mbps a gente tem que pagar setentão por mês. Parodiando uma poderosa operadora, “tá caro pra caramba!”. Registre-se: 10mbps que raramente são entregues. Aliás, são entregues alternadamente entre você e seus vizinhos. Na minha empresa, de cada 10 vezes que somos chamados a desmistificar a lentidão das internet´s de nossos clientes, mais da metade das vezes, a velocidade real está lamentavelmente abaixo do serviço contratado.
Invariavelmente depois de um contato com a operadora, misteriosamente o problema – que o atendente insiste em desafiar nossa paciência e experiência e dizer que não existe – desaparece. Por uns dias. Depois ele volta. Nova ligação para a operadora, nova pseudo-correção do pseudo-problema e o ciclo se fecha. E se repete interminavelmente ao longo dos tempos. Vejo isso acontecer há mais de 10 anos, desde que a internet banda larga foi “inventada” aqui na cidade.
Se os bits que trafegam sobre os pares metálicos da nossa rede de telefonia viessem de fontes naturais – como é o caso da água e do petróleo – até seria compreensível o preço dos serviços sob a seguinte argumentação: “É um produto raro”. Ou, ainda que viessem, como a energia elétrica – considerando-se a matriz energética do Brasil, baseada principalmente em hidrelétricas – de barragens e usinas construídas por nós, novamente seriam compreensíveis os preços com a seguinte justificativa ecológica: “Não podemos sair construindo barragens por aí, a torto e a direito”. Mas, não: a infraestrutura em que se baseia a comunicação de voz e dados não pressupõe qualquer recurso natural ou intervenção de envergadura suficiente a ponto de ser evitada sob quaisquer desculpas. Pra comunicação de voz e dados bastam torres, antenas, cabos e equipamentos eletrônicos. Quem já não viu por aí, pela cidade, um terreno semi-vazio, com um trailer – ou um container, se preferirem – embaixo de uma torre cheia de antenas? Aliás, terrenos vergonhosamente sempre tomados pelo mato, né? Então… são esses recursos que garantem a nossa conectividade. Lamentável isso! Então, que venham as operadoras locais e que mudem essa realidade!


Sobre o Autor

Cláudio Luís Resende
Cláudio Luís Resende

Cláudio atua na área há trinta anos, é proprietário da Astec Informática e professor no SENAC.


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