Seis ou meia dúzia?

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Em 1998 o governo dos Estados Unidos iniciou um processo, baseado na lei antitruste, contra a Microsoft – gigante americana de software – por práticas anticompetitivas. Na ação a Netscape – hoje AOL Time Warner, proprietária do Navigator, líder do mercado de navegadores, na ocasião – foi citada como principal vítima da ação canibalista da Microsoft. Ocorria que, enquanto a Netscape vendia o Navigator, a Microsoft brindava os compradores do seu sistema operacional, o Windows 98, com o Internet Explorer (versão 4 à época), que vinha integrado ao sistema.

Segundo a ação, o comportamento da Microsoft desestimulava a competição e tolhia o direito de escolha do consumidor. Uma alternativa proposta pela ação era que o consumidor escolhesse que navegador desejaria utilizar. Caso escolhesse o Navigator, a Microsoft se obrigaria a comprá-lo da Netscape e fornecê-lo gratuitamente – como fazia com o Internet Explorer – aos seus consumidores. A batalha homérica entre as gigantes durou quatro anos: em 2002 a Microsoft, num acordo, aceitou pagar à AOL Time Warner 750 milhões de dólares e assinou um contrato de cooperação tecnológica. Alguns especialistas de mercado afirmam que o prejuízo poderia ser ainda maior, caso a demanda se alongasse e a Microsoft viesse a perder.

Passados quase 10 anos, o Navigator – que chegou a ser rebatizado por Communicator – já praticamente não existe mais. Na verdade ainda está disponível para downloads, porém não tem versão em português. Mas registre-se: seu código-fonte foi a base para o desenvolvimento do Mozilla Firefox, segundo no sharing entre os navegadores, atualmente com 26,8% de utilização. Mas o Internet Explorer ainda é líder absoluto, com 40,9% de utilização (veja quadro).

Os antimicrosoftianistas de plantão – e não são poucos – torcem o nariz para o IE, mas ele segue firme e imbatível. Durante quatro semanas METRÓPOLE testou os cinco líderes de mercado e o que apuramos foi que as diferenças, podemos dizer, são quase imperceptíveis.

A postura, porém, antimicrosoftiana é baseada numa verdade: o IE é o mais lento entre os navegadores testados. O Firefox é largamente utilizado em empresas. O Chrome – da gigante Google – é o queridinho da galera mais jovem. O Opera (assim, mesmo, sem acento…) se comporta muito bem, obrigado, enquanto o Safari é o navegador oficial das plataformas Apple (saiba mais sobre a Apple no artigo iCoisas, da edição 3, de METRÓPOLE) e se mostrou muito eficiente também sobre as plataformas Microsoft.

Mas por que, então, o IE, mesmo sendo mais lento, ainda é o mais utilizado? (Observe que falei “mais utilizado”, não “preferido”). Ocorre que muita coisa que rola por aí, pela internet, simplesmente não roda perfeitamente em outros navegadores. Acabamos, de certa forma, sendo reféns do IE. Os outros navegadores todos vão muito bem quando estamos lendo conteúdos, escutando músicas, vendo vídeos, enviando e-mails. Entretanto, sempre que vamos para uma página qualquer onde a interação seja mais efetiva um pouco, como homebankings ou sistemas baseados em web, por exemplo, que exigem senhas e outros artifícios, eles acabam por gerar algum tipo de desconforto ou, até mesmo, falhas.

O que temos notado como prática bem comum é a presença de dois – ou mesmo três – navegadores nos computadores por aí. Baseado no tipo de acesso que o usuário pretende fazer, ele escolhe qual navegador utilizar.

No que diz respeito à segurança, a gente observa um paradoxo: o IE – reza a lenda – é mais pesado por conta do aparato de segurança que o cerca. Isso, então, o tornaria o mais seguro de todos. Na prática isso não ocorre e os seus concorrentes acabam se mostrando menos vitimizados por vírus e outras pragas. Ocorre que, por conta de ser o líder desse mercado, o IE é mais alvo dos vândalos digitais e, por conseguinte, é mais bombardeado e atingido.

Ao final de nossas comparações percebemos que escolher o navegador preferido é meio parecido com escolher o carro, ou o restaurante ou o perfume: tem mais a ver com as experiências que temos com eles do que com critérios técnicos. Outra: discutir sobre qual é o melhor acaba gerando polêmicas parecidas com as discussões sobre times de futebol ou partidos políticos: todos sempre têm argumentos suficientes para defenderem suas posições.


Sobre o Autor

Cláudio Luís Resende
Cláudio Luís Resende

Cláudio atua na área há trinta anos, é proprietário da Astec Informática e professor no SENAC.

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