Sedã no barro

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A cada pouco, clientes, amigos e até desconhecidos me pedem ajuda na hora de comprar um computador. Isso mesmo, até desconhecidos: há uns 45 dias eu tava fazendo uma pesquisa de preços no setor de informática de um grande magazine daqui da cidade. Olha um notebook, olha outro, encostou uma moça: “O senhor também está comprando?”, perguntou ela. “Não, não, é que, como sou da área, só estou dando uma sondada nos preços e tals…”, respondi solícito. “Entendi. Já que o senhor é da área, poderia me ajudar a escolher o melhor?”, emendou a moça. “Me desculpe, mas não vou poder ajudar: tenho um cliente me esperando e já tô meio de saída…”, desconversei.  Preferi não me envolver, já que a compra é uma coisa um tanto quanto pessoal, né. Vai que eu indico alguma marca/modelo, ela compre e depois não goste e me leve ao Procon, reclamando do serviço de consultoria. Seria vexatório, já que minha empresa tem 17 anos e até hoje nunca fomos “convidados” a ir ao Procon…

Sedã no barroPra quem está em dúvida quanto a que computador comprar, escolher o mais caro é uma estratégia que costuma funcionar. Porém, se a grana tá curta – e na maioria dos casos sempre tá, né – vale a pena fazer algumas considerações a respeito.

Nas minhas turmas no Senac, onde sou instrutor já há algum tempo, costumo estabelecer paralelos entre computadores e carros. Já que carro é uma coisa que a galera sempre conhece, algumas comparações acabam por ficar bem didáticas. Lançando mão desse artifício, vou falar aqui que, tal qual um carro, quando se pretende comprar um computador, a primeira coisa que devemos nos perguntar é pra quê ele vai servir. Não se compra um sedã de luxo se a residência é na área rural, a 10 km de estrada de chão da cidade. Pra isso a gente compra uma camionete. Não se compra um conversível de 2 lugares, se a família tem 6 pessoas. Pra isso a gente compra uma van.

Assim também é com o computador: o fator determinante da compra é o objetivo do uso. O computador do estudante de Administração ou Letras é diferente do computador do estudante de Arquitetura ou Design. O computador do caixa da farmácia é diferente do servidor da livraria. Nas comparações acima, posso afirmar, sem medo de errar, que a diferença de preços entre os dois grupos, nos dois casos, é de mais de R$1.500, sem comprometimento da performance da execução das atividades inerentes a cada grupo.

O servidor de uma rede, por exemplo, é um computador que deve ter tudo do melhor: um HD grande, que permite alta capacidade de armazenamento, processador e memória bem calibrados, já que as estações da rede dependem dele pra rodarem. E, se possível, que se compre um computador que tenha qualidade superior, já que não deverá estar sendo trocado a cada 2 anos, uma vez que a troca de um servidor costuma ser significativamente traumática.

As atividades de um arquiteto ou um designer costumam exigir placas de vídeo de capacidade superior e grandes monitores, já que o tempo todo o “assunto” é imagem, enquanto as atividades de um administrador ou professor, por exemplo, envolvem cálculos e textos, o que costuma ser “leve” para um computador, permitindo configurações mais modestas.

Outra lenda urbana é a de que, para o uso na internet, deve-se comprar o melhor computador que se possa. Erro bárbaro! A qualidade da sua navegação tem, infinitamente, maior relação com a velocidade da sua internet contratada do que com o poder de fogo do seu PC. Quando o assunto é internet, num mesmo ambiente, um computador de R$1.000 ou outro de R$4.000 se comportarão rigorosamente iguais (desde que ambos não apresentem defeitos). A explicação é bem simples. Quando você está acessando a internet, você usa um único programa: um navegador. Os mais populares são o Internet Explorer, o Google Chrome e o Mozilla Firefox. Respeitadas as diferenças entre eles, evidentemente, todos são muito leves e pouca diferença vai fazer você estar num Intel Celeron, com 1Gb de memória e HD de 160Gb ou num Core i7, com 8Gb e HD de 3Tb. Em ambas as cenas, quem vai determinar a sua performance de navegação será a velocidade do link a que você está conectado.

Enfim, já que são tantas variáveis, o melhor mesmo é, na hora da compra, consultar um técnico de sua confiança e pedir orientação a respeito. Caso você não tenha um técnico a quem recorrer, você pode tentar dar uma rolê nos magazines por aí: vai que tem alguém da área fazendo uma espionagem comercial por lá, você pode pedir uma ajudinha.


Sobre o Autor

Cláudio Luís Resende
Cláudio Luís Resende

Cláudio atua na área há trinta anos, é proprietário da Astec Informática e professor no SENAC.

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