O sobrinho

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A fala é recorrente: “Então… não sei o que aconteceu. Meu sobrinho levou meu computador pra formatar e meus arquivos sumiram!”. Quem atua na área de informática escuta esse discurso incontáveis vezes. E tem sido assim desde sempre. Tudo bem que todo mundo tem sobrinhos. Ou, ao menos, a maioria, né… E a sobrinharada é baterista de banda de rock, mecânico, eletricista, bailarino, fotógrafo, pedreiro, garçom, costureiro e por aí vai. Mas aqueles que “mexem com computador” são, sem sombra de dúvidas, os mais requisitados pelos parentes a darem aquela “olhadinha”, fazer um servicinho meia-boca e faturar uma graninha. Ninguém chama o sobrinho estudante de engenharia pra “bater uma massa” lá no fundo do quintal, quando está fazendo o puxadinho… Por que com a informática é diferente?

O sobrinhoSempre achei essa peculiaridade da informática meio curiosa: esse fascínio que a informática exerce. Inclusive, recentemente, escrevi uma coluna com o título de “O playboy e o mecânico”, abordando o assunto. Seguidas vezes sou abordado na mesa do restaurante, na fila do banco, no elevador, por amigos, clientes e, às vezes até por desconhecidos, por consultas relâmpagos. Isso não me incomoda, absolutamente. De certa forma, acho até meio divertido. E, evidentemente, são oportunidades de negócios que surgem o tempo todo. Acho isso legal. Só que acho curioso também. Olha só: ninguém aborda o dentista na saída da loja, abre o bocão e dispara: “Então, doutor, meu siso tá meio que incomodando. O senhor acha que é motivo pra extração?”. E que tal o gerente da concessionária, abordado na saída da missa: “Zé, hoje, pela manhã, quando liguei o carro, ele fez um barulho esquisito, tipo rá tá tááá brum brum brum nhem nhem nhem . Será que é problema no virabrequim?” Vai entender…

Brincadeiras à parte, computador, na imensa maioria dos casos, é assunto sério. Até mesmo os computadores de casa assumiram importância significativa: as fotos do casamento estão lá, o trabalho da faculdade está lá, a planilha de controle do orçamento doméstico está lá. Se formos, então, falar do computador da empresa é chover no molhado avaliar o que está lá: o cadastro dos clientes, o controle de estoque, as fórmulas dos produtos, as contas a pagar, a receber… Mas, infelizmente, com muita freqüência a gente ainda presencia perdas de dados importantes por inabilidade do pseudo-técnico incumbido da tarefa da manutenção do computador.

Outro comportamento que me chama muito atenção, por parte de alguns clientes, é a mistura do computador da empresa com o computador de casa. O mesmo computador que ele usa pra baixar o último episódio de “Game of Thrones” na madrugada é o que ele vai usar na manhã seguinte para acessar o home banking e trafegar alguns milhares de reais… Galera, um alerta: qualquer software ou site que sirva de plataforma para baixar filmes, músicas, séries é potencialmente também a melhor plataforma para a proliferação de vírus. É preciso muito cuidado nessas manobras. Mesmo nós, que trabalhamos com isso o tempo todo, às vezes nos traímos e infectamos inadvertidamente nossos computadores. E, ainda que ele não se infecte, vêm aquelas pragas de Hao123, Baidu Antivírus, Ask Toolbar, Sweet-page e outras dezenas de porcarias.
Na boa? Melhor chamar um tiozinho…


Sobre o Autor

Cláudio Luís Resende
Cláudio Luís Resende

Cláudio atua na área há trinta anos, é proprietário da Astec Informática e professor no SENAC.

2 Comentários


  1.  

    Grande, Cláudio. Mas tem uma coisa que você esqueceu de mencionar: consulta médica no meio do corredor, na panificadora, no mercado, tem um monte de gente que faz, podes crer! E olha que até levanta (ainda bem que levanta) a calça para ver se aquela feridinha é causada pela varize, alergia ou falta de circulação…




  2.  

    Grande, Cláudio. Mas tem uma coisa que você esqueceu de mencionar: consulta médica no meio do corredor, na panificadora, no mercado, tem um monte de gente que faz, podes crer! E olha que até levanta (ainda bem que levanta) a calça para ver se aquela feridinha é causada pela varize, alergia ou falta de circulação…





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