Não é só pelos R$ 0,20

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Quanto vale a informação? Perguntinha difícil de responder, hein! Pra começar a conversa, dá pra fazer uma conta rápida. Vamos lá: um HD de 1Tb (Terabyte, ou 1000 Gigabytes, se preferir) custa uns R$ 300 no mercado formal (uns US$ 80, ali em Salto Del Guairá, se estiver a fim de dar um rolê e aproveitar pra comprar “unas cositas mas”). Continuando o raciocínio, um texto de 100 linhas, gerado no Microsoft Word 2007 – assim como uma planilha do Microsoft Excel 2007, com 1000 células – mede uns 10 Kb (Kbytes). Então, fazendo as contas direitinho, chegamos à conclusão de que um arquivo com as características acima custa R$ 0,000003. Já sei: vão me falar que não existem mais de 2 casas após a vírgula da unidade do Real. Tô sabendo. Mas, se o dólar e a gasolina podem, então meus Kbytes também podem.

Mas é bobagem ficar fazendo esses cálculos. A informação tem valor muito pouco mensurável. Até porque, algumas informações guardadas num computador têm valor muito subjetivo e pouco tabelável. Quanto vale o vídeo do seu casamento ou do nascimento do seu bebê? E a foto dos seus pais, de noivos, ele de topete James Dean e ela, de cachos Marilyn Monroe (aquela cujo original se perdeu e você só tem escaneada…)? Que valor tem o material do seu TCC, que você vem construindo há mais de 6 meses?

Se com as informações do computador de casa é assim, o que dizer, então, do computador do escritório, da loja, do consultório, da clínica, da fábrica? Lá no escritório, estão todos os seus contatos, com nomes, endereços, telefones, e-mails; na loja, a lista dos seus clientes, com o quê e quando eles compram, quanto e como pagam; no consultório, sua agenda, com as fichas dos seus pacientes e o histórico médico de cada um deles; na clínica, os prontuários de todos os atendimentos; nas fábricas, as fórmulas dos produtos, os cadastros dos fornecedores das matérias-primas…

São tantas perguntas respondíveis através de uma massa de informações bem construída e dissecada, que se torna uma farra administrativa/estratégica ter acesso a tudo isso. E aí, volto a perguntar: quanto vale? Pior: lá no final dos anos 40, ao publicar “1984”, George Orwell não imaginava que seria tão fácil acessar informação alheia. Mr. Obama – fico imaginando os dois se encontrando – se sentiria, provavelmente, muito orgulhoso em lhe mostrar como fazer. É, proteger informação em tempos de hiperconectividade não é tarefa fácil.

E sim, é verdade, como profetizam alguns, que é praticamente impossível garantir a proteção absolutamente integral de informações. Mas, é claro, podemos nos esforçar para tentarmos nos proteger dos sinistros que permeiam o universo da informática. Em outras edições de Metrobytes já falei sobre antivírus, sobre backups, sobre datacenters, sobre firewalls: são artifícios de segurança que amenizam os riscos da perda de informações ou o acesso a elas por pessoas indevidas.

Mas, insisto, como nos cuidados com a saúde, com o computador prevenir também é melhor que remediar: proteger os computadores com senhas e realizar cópias de backups com regularidade já é um bom caminho pra se precaver e evitar maiores prejuízos com perda de informação.

Não é só pelos R$ 0,20O vazamento de informação já se torna um assunto mais delicado de ser tratado: ele diz mais respeito ao comportamento das pessoas do que a ferramentas tecnológicas das quais podemos lançar mão. Copiar um arquivo num pen-drive ou enviá-lo por e-mail pra quem quer que seja é tarefa simples e é quase impossível, por meio de artifícios técnicos, impedir que aconteça. É importante, também, que se confie tanto nos funcionários envolvidos na utilização dos computadores, quanto nos técnicos que terão acesso aos mesmos, já que, invariavelmente, nas mãos desses últimos, toda a informação estará acessível. Não é só pelos R$ 0,000003.


Sobre o Autor

Cláudio Luís Resende
Cláudio Luís Resende

Cláudio atua na área há trinta anos, é proprietário da Astec Informática e professor no SENAC.


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