Gente que sabe pra que serve um tablet

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Numa reportagem há alguns dias atrás, na TV ou no jornal – confesso que não me lembro ao certo – o destaque era para o fato de que os números das vendas de tablets e smartphones tinham ultrapassado os dos notebooks e PC´s. Isso era meio que previsível, mas não é o aspecto estatístico do assunto que quero explorar. Prefiro pensar sobre o que está por trás disso.

Então vamos lá. Recentemente a seguinte conversa, por telefone, rolou entre eu e um cliente:

Cliente: Cláudio, tudo bem? É o Fulano. Então, comprei um tablet.

Cláudio: Humm, muito bom, hein! Legal.

Cliente: Então, agora queria ver com você o que vai dar pra gente fazer com ele…

Parece piada, né, mas não é, não. A gente tem visto muita gente por aí comprando tablet sem saber exatamente pra que serve. Acho que o pensamento é meio parecido com o seguinte: “é chique e a galera tá comprando. Vou comprar também”. Sem problemas, se estiver sobrando dinheiro. Vai lá. Como diria minha vó, dona Guilhermina: “o que é do gosto, regala a vida”.

Uma outra cliente me questionou há algumas semanas sobre a compra de um tablet, um netbook ou um notebook. A diferença entre um notebook e um netbook é bem sutil. Vejamos: o netbook é um notebook menor e sem DVD. Basicamente é isso. A vantagem dele é a portabilidade, já que, além de menor, é mais leve. A favor de um netbook também pesa o fato de que a bateria se sustenta por, pelo menos, umas 3 vezes o tempo de um notebook. Por outro lado, a tela e o teclado são, evidentemente, menores, o que gera um certo desconforto, especialmente em uso prolongado.
Gente que sabe pra que serve um tablet

Ocorre que um tablet não substitui, exatamente, um notebook ou netbook, ele os complementa. Como assim? É mais ou menos como comparar um microondas a um fogão a gás. O microondas é muito útil, mas tem coisa que só rola no fogão. Assim é o tablet: experimente enviar um e-mail de umas 10 linhas, digitando no teclado virtual do tablet… Ah, mas dá pra plugar um teclado. Sim, mas vai ficar mais desconfortável do que um notebook… Aí ele perde o encanto. E mais: tente editar um texto ou montar uma planilha de cálculos num tablet. Não rola.

O tablet é um dispositivo cuja vocação é visualizar conteúdo, seja ele páginas de internet, vídeos, fotos, músicas, slides e por aí vai. Tudo bem que você pode postar umas coisinhas no Facebook e conversar no Skype. Mas quando você depende de uma interação maior, o ideal mesmo é um notebook – ou mesmo um netbook. Então o bacana é ter os dois, cada um pra uma coisa diferente. Não é assim com o fogão e o microondas? Caso não possa ter os dois, prefira um notebook: ele vai fazer tudo que o tablet faz. O contrário não é verdadeiro.

Numa outra conversa alguém previa o fim da indústria de PC´s, com o advento de tablets e smartphones. Preciso discordar veementemente dessa opinião. Ainda que em casa um tablet ou um notebook seja mais confortável do que um PC, nas empresas isso não é verdadeiro. É raro – muito raro, aliás – empresários preferirem notebooks a PC´s. Esses últimos têm algumas características que os notebooks não têm: a escalabilidade e a resiliência, por exemplo: pifou a placa-mãe? Troca. Faltou memória? Aumenta. Queimou a fonte? Põe uma nova. Claro, no notebook isso também é possível, mas é mais limitado e mais caro.

Outra coisa, em especial no comércio, os computadores são conectados a um sem-número de bagulhos eletrônicos: leitores de código de barras, balanças, impressoras fiscais e de etiquetas, leitores de cartões magnéticos, etc. Notebooks e tablets são e devem continuar a ser bem limitados no que diz respeito a esse aspecto.

Isto posto, vida longa aos PC’s!


Sobre o Autor

Cláudio Luís Resende
Cláudio Luís Resende

Cláudio atua na área há trinta anos, é proprietário da Astec Informática e professor no SENAC.


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