Facebook: e a curtição, até quando?

7

Dia desses, quando numa roda de amigos disse que o Facebook não iria durar muito tempo, quase fui linchado. “O Facebook vai dominar o mundo”, bradou a maioria. Agora, passados alguns dias e refletindo a respeito, acho que corrigiria a fala dos amigos: “O Facebook já dominou o mundo”. Na real? Nem era essa a discussão que eu levantava. Que tá tudo dominado, a gente já sabe. O que venho me perguntando é até quando a dominação vai resistir?

Preciso confessar que não sou um usuário contumaz da rede social. Aliás, quanto mais me aproximo, mas encontro motivos pra me afastar. Que me desculpem os facebookistas de plantão, mas tá sinistro o bagulho: homofobia, consumismo, competição, provocação, exibicionismo e por aí vai. É o que tenho visto lá. Ah, claro, tem muita coisa bacana, sim: reencontrar os velhos amigos e os parentes distantes, compartilhar fotos, vídeos e ideias. Mas, convenhamos, a porcariada tem sido bem maior.

Mas tem o seguinte: acho que a falta de conteúdo atrativo nem é, exatamente, a sentença de morte do Facebook. No momento da conversa eu falava sobre a rede social como empresa. Como assim? Putz, tem um monte (mas um MONTE…) de gente que meteu dinheiro lá, na ocasião da IPO (Initial Public Offering, ou Oferta Pública Inicial – a estreia da empresa, vendendo suas ações em bolsas de valores). Quando, em 18 de maio, o Face (pros mais íntimos) levantou US$16 bilhões, na NASDAQ (das empresas de tecnologia), ele passou a valer US$104 bilhões – o maior valor alcançado por uma empresa americana na abertura de seu capital, superando gigantes como HP, Dell, McDonald’s e Amazon.

Até aí tudo bem, apesar de surpreendente. Digo surpreendente pelo seguinte: há um método de os analistas avaliarem as empresas que consiste em dividir o valor estimado da empresa pelo lucro anual. O resultado é chamado de índice Preço/Lucro, ou simplesmente P/L. O P/L da Google é de 20 pra 1, ou seja, o seu valor é de 20 vezes o valor do seu lucro anual. O P/L da Apple – de longe a empresa de tecnologia mais lucrativa dos nossos tempos – é de 16. O P/L do Facebook está calculado em 100 (considerando-se o lucro de 1 bilhão, alcançado em 2011, e ações avaliadas em pouco mais de 100 bilhões, no dia da IPO). Ah, sim, o lucro, de lá pra cá, pode – aliás, com certeza, deve – ter aumentado. Contudo, desacredito que tenha ou vá aumentar o suficiente a ponto de satisfazer o apetite dos investidores.

O Facebook, registre-se, está sendo processado por ter, às vésperas da IPO, ocultado previsões de queda nas receitas da rede social. Essa queda estaria associada ao aumento do volume de acesso à rede através de smart phones e iPads, onde o faturamento com publicidade é menos rentável. Ah, tem outra coisa, as ações caíram, até a data do fechamento dessa matéria, mais de 27%. Alguns daqueles colegas que quiseram me linchar defendem que “é natural essa queda nos primeiros dias”. Tudo bem, quem viver, verá.

Face – sem trocadilhos – a isso tudo não creio que o Facebook vá durar muito tempo na crista da onda. Alguns fiéis escudeiros de Mark Zuckerberg ainda argumentam que a rede social tem a vocação de se reinventar e isso garantiria a manutenção e a liderança dela no mercado. Mas, sejamos sinceros: quem diria, por exemplo, há 3 anos, que o MSN iria acabar? Pois é, tá acabando. “Mais alto o vôo, maior o tombo”?


Sobre o Autor

Cláudio Luís Resende
Cláudio Luís Resende

Cláudio atua na área há trinta anos, é proprietário da Astec Informática e professor no SENAC.


Fatal error: Uncaught Exception: 12: REST API is deprecated for versions v2.1 and higher (12) thrown in /home/metropolerevista/metropolerevista.com.br/html/wp-content/plugins/seo-facebook-comments/facebook/base_facebook.php on line 1273