Ensaio sobre a “NÃOPARABILIDADE”

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Tudo bem! Esperar que as coisas não parem de funcionar é absolutamente compreensível, mas vamos fazer algumas considerações a respeito. Em especial na informática, a ânsia pra que os equipamentos sejam “nãoparáveis” é mais latente: ninguém agüenta computador travando, reiniciando, desligando. Concordo que é pra lá de chato isso. Mas, aviso aos navegantes: o computador pára. Aliás, vamos, aqui, fazer uma correção: tudo pára.
Quando eu afirmo que tudo pára é porque é assim mesmo. Quer ver? A luz cai. A água falta. O carro pifa. O gás acaba. A ligação cai. O pneu fura. A tinta seca. O perfume evapora. A bateria descarrega. A sociedade se desfaz. O funcionário se demite. O proprietário pede o imóvel. O casamento acaba. O coração pára.
Querer que o computador nunca pare é uma utopia. Ah, claro, a gente tem um monte de subterfúgios, dos quais podemos lançar mão, de maneira a amenizar o problema. Amenizar. Ocorre que o computador funcionar perfeitamente depende de uma combinação complexa de componentes. Qualquer coisinha faz tudo parar.
O recurso mais comum, entre os investimentos feitos para que os computadores não parem, é a instalação de no-breaks, equipamentos que fornecem energia elétrica ao computador, ainda que falte a energia comercial, provida pelas concessionárias. Isso afasta o risco de estar parado por falta de energia elétrica. Mas, e se a fonte – peça do computador que converte a corrente alternada-AC (fornecida pela concessionária) em corrente contínua-DC (usada no computador) – pifar? Fácil resolver, né? É só ter fonte redundante, um recurso muito comum em servidores: são duas fontes trabalhando paralelamente; quando uma pára, a outra assume.
Tá… Mas, e se pifar a placa de rede – que conecta o computador à rede. É possível ter duas. Se uma pifar, a outra continua funcionando. E se pifar o switcher – equipamento aonde são conectados os cabos que interligam os computadores? Já sei, tem gente que vai me perguntar se sou amigo do computador ou amigo da onça… Mas é inevitável fazer o papel de Advogado do Diabo nesse momento: quando o assunto é prevenção, a gente precisa – pra ser efetivo – pensar sempre no pior.
A conclusão é que a única maneira de não parar é “ter 2 de tudo”. Ainda assim é uma solução complicada – além de cara, evidentemente – já que replicar informações em mais de um ponto, em tempo real, é uma tarefa significativamente complexa. E é preciso lembrar, também, que algumas atividades não dependem tão somente da estrutura que você possui e, sim, ocasionalmente de terceiros.
Em 25 de abril desse ano, um triplo rompimento de fibras ópticas que interligavam o Sul do país a outros estados causou um apagão generalizado. Durante 4 horas as linhas de internet ADSL da GVT – operadora de telefonia fixa – estiveram paradas. Também as linhas de dados e voz da TIM, Claro e Vivo – operadoras de telefonia celular – estiveram instáveis durante o mesmo período. Você pode até se perguntar: “Por que meu computador teria parado por falta de internet?”. Atualmente, a grande maioria das empresas são obrigadas por força de lei a emitir Notas Fiscais diretamente no site da Receita Federal – a chamada Nota Fiscal Eletrônica, NFe. Dessa forma, sem internet, as empresas ficam impedidas de gerarem as Notas Fiscais, o que afeta diretamente os departamentos comerciais.
É, não tem jeito, galera. É preciso se conformar que a qualquer hora o “paramento” pode acontecer e nos resta tentar manter a calma e a paciência pra esperarmos a solução. Então, quando ouvirem a célebre frase “Ih, o sistema parou…”, respirem fundo e contem até 10. Ou até 20. Tá bom, até 30…


Sobre o Autor

Cláudio Luís Resende
Cláudio Luís Resende

Cláudio atua na área há trinta anos, é proprietário da Astec Informática e professor no SENAC.

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