Caiu na Net – O efeito Carolina

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Em dezembro de 2012 foi sancionada a Lei 12.737, do Código Penal, que trata, entre outros assuntos, da “invasão de dispositivos informáticos”. No seu texto, no artigo 154-A, ela tipifica como crime o ato de “invadir dispositivo informático alheio, conectado ou não à rede de computadores, mediante violação indevida de mecanismo de segurança e com o fim de obter, adulterar ou destruir dados ou informações sem autorização expressa ou tácita do titular do dispositivo ou instalar vulnerabilidades para obter vantagem ilícita”.
caiu na netSegundo alguns legistas, a lei veio preencher um hiato que impedia de se caracterizar como crime a invasão de computadores e o roubo de informações, entre outros que a lei agora tipifica, como a interrupção de serviços de provimento de internet e a clonagem de cartões de débito e crédito, por exemplo. Outros já argumentam que a lei é muito superficial e permite interpretações bastante subjetivas que podem, tanto dar margem à condenação de inocentes, quanto inocentar culpados. Aprovada em tempo recorde, a lei foi acolhida com, digamos, especial atenção quando, em maio de 2012, a atriz global Carolina Dieckmann teve seu computador invadido e fotos íntimas divulgadas na internet.

Mas não quero, aqui, discutir os aspectos jurídicos do assunto, tampouco a influência que um evento envolvendo uma atriz global teria exercido para a decisão na Câmara dos Deputados. Isso seria tema para o colega Maycon Galan, lá na coluna “Seu Direito”. Quero discutir o assunto sob o prisma técnico.

Em meu laboratório, onde prestamos assistência técnica, recebemos diariamente 2 ou 3 computadores infectados por vírus. Eles vêm de todo tipo de clientes: vendedores, médicos, autônomos, dentistas, advogados, estudantes e donas de casa. Ninguém está imune, apesar das ferramentas de antivírus, que são os principais itens de segurança – quase obrigatórios – nos computadores.

Mas, a proteção dos antivírus não é suficiente. É preciso que se use o computador com certa dose de cuidado. O bom senso é o melhor termômetro. Um pouco de malícia e esperteza também ajudam. Por exemplo, não vou abrir um e-mail, informando a respeito de um depósito bancário partindo de uma pessoa que não está me devendo dinheiro. Muito menos de alguém que sequer conheço.

Estou tomando os e-mails como exemplo porque, seguramente, são os mecanismos mais utilizados para a proliferação de vírus entre os computadores no mundo. A segunda fonte mais comum de alastramento dessas pragas eletrônicas são, sem dúvida, os programas de download, sejam de músicas, filmes ou softwares. É no contato entre o seu computador e o hospedeiro do vírus que ele se transfere. Daí a justificativa para as afirmações anteriores.

Ainda com relação a e-mails, acredito que sejam cabíveis alguns alertas. Os bancos não convocam, por e-mail, clientes a prestarem contas sobre saldos negativos ou cartões de crédito vencidos. A Justiça Federal também não intima réus ou testemunhas por e-mail. A Receita Estadual não solicita atualização de dados de contribuintes por e-mail. E, em especial, em tempos de Declaração de Imposto de Renda, a Receita Federal não informa, por e-mail, quem caiu na malha fina. É bom ficar atento.

E-mails do tipo “Clique aqui pra ver a foto do churrasco do final de semana”, “Nossa! Quanto tempo! Estou com saudades! Clique aqui para ver quem é…” ou “Você foi sorteado entre nossos clientes e ganhou um carro zero” são, quase invariavelmente, armadilhas. Eles costumam ser a isca. Ao clicar sobre os links, o vírus se instala no seu computador.

Os vírus instalados podem ter diversas funções. As mais típicas são roubar dados bancários ou financeiros, invadir contas de e-mails e de redes sociais, permitir acesso ao computador e a consequente cópia de informações como textos, planilhas, fotos, filmes, etc.
Não há solução definitiva para o problema. Eu costumo comparar a preocupação com os vírus à preocupação com ladrões. Não há como anular as possibilidades de ser roubado, mas há como abrandá-las. Da mesma forma, não há proteção absoluta contra vírus e consequentes invasões, mas há como diminuir os riscos.

As dicas acima são somente o “fio da meada” pra que você pense a respeito dos cuidados que deve ter quando usa o computador. Você também encontra na Metrópole Web (metropolerevista.com.br), na sessão de Tecnologia, as matérias “Pragas Eletrônicas”, que discute sobre vírus e “Rede à Rédea”, que discorre sobre Firewall, uma ferramenta de proteção de acesso à internet.


Sobre o Autor

Cláudio Luís Resende
Cláudio Luís Resende

Cláudio atua na área há trinta anos, é proprietário da Astec Informática e professor no SENAC.

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