Breve ensaio sobre O tempo e A tecnologia

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Então… estava eu ainda há pouco divagando sobre os confortos proporcionados pela tecnologia. Como já não sou tão jovem assim, tive o privilégio de acompanhar a invenção de algumas coisas absolutamente evidentes pra quem tem os seus 20 anos. Em especial, como estou na área de informática desde criancinha pequena (com o perdão do pleonasmo vicioso), sempre vi mais de perto os avanços da área de Tecnologia da Informação. Caramba! Naquele tempo nem era T.I. ainda: era “computação”. Quando eu comentava, lá em 1980, com meus colegas da oitava série, no Colégio Unidade Polo, que eu trabalhava com computação, alguns, inclusive, me olhavam com uma certa reserva. Imagino que pensavam algo do tipo: “Ih, eu bem sabia que ele não era muito normal mesmo…”. Mas, deixe pra lá. A minha pseudo-normalidade é assunto pra uma outra coluna, num outro momento.

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O que quero, mesmo, comentar é que nesses tempos românticos das primeiras explosões da informática havia uma ânsia de que a automatização de processos, em geral, na indústria, no comércio, nos serviços, na agricultura, nos libertaria de jornadas atenuantes de trabalho e nos pouparia de alguns sofrimentos físicos e psicológicos. Ledo engano. Tenho tido a impressão de que o avanço da informática – e da tecnologia, pra ser mais amplo – vem criando uma outra relação nossa com o tempo. A mim, me parece que, já que conseguimos fazer uma viagem virtual para o outro lado do planeta, seja via Google Earth, Street View, Skype ou WhatsApp, em poucos segundos, todo nosso parâmetro a respeito do tempo muda de dimensão. Acabamos por, inconscientemente, concluir que 45 minutos pra preparar um almoço é muito tempo; 1 hora pra ir de Campo Mourão a Maringá é uma eternidade; uma tarde de carro parado na oficina pra trocar a bateria, nem pensar… Se precisar passar 2 horas sem internet, então, é como se o fim do mundo estivesse próximo.

Mas, olha só, galera, não tô falando isso na condição de profissional da área. Não estou legislando em causa própria, de maneira a poder me defender com meus clientes, quando peço prazos mais elásticos para executar alguma atividade… Estou comentando o assunto na condição de usuário da tecnologia mesmo. Dia desses ficamos sem internet e foi como se estivessem ficado todos meio mancos. Outro dia saí do trabalho e esqueci o notebook na empresa. Em casa, quando olhei sobre o sofá, onde normalmente o notebook fica estacionado, foi como se estivesse faltando alguma coisa. Claro, e estava! O notebook estava faltando. Mas o fato é que, como já comentei aqui nessa coluna outras vezes, eu não sou tão tecnológico assim, e acabo por usar pouco o notebook em casa. Então por que a falta? Cara, quando estou sem o celular, então, é como se faltasse a roupa. Onde viemos parar?!

Quando no começo do texto eu falava sobre a relação com o tempo, eu pensava sobre como atualmente ninguém mais pode esperar por nada. Nunca. A gente não pode esperar porque depois daquela atividade, tem sempre uma outra engatilhada: depois do trabalho, o banco, o salão, o posto de gasolina, o mercado e lá pelas 22h a gente já vai estar chegando em casa. Chegando em casa, claro, dá uma olhadinha nos e-mails pra ver se não chegou alguma coisa importante que, talvez, possa ser resolvida ali mesmo, sem ficar pendente para o dia seguinte.

Às vezes, me flagro perguntando, então, pra que serve essa tal de tecnologia, já que ela não nos devolve o tempo que ela ajudou a economizar. É como se ela se apoderasse desse tempo que ajudou a economizar e cobrasse de nós o pagamento. Engraçado, né, pra não dizer trágico… Na real? Também não entendi direito por que estou fazendo todos esses questionamentos existenciais. Não é muito do meu feitio. Acho que estou ficando tomado pelo espírito natalino e querendo passar um pouco mais de tempo com a família e os amigos.

Ah, antes que eu me esqueça, com relação a responder essas perguntas lançadas aí em cima, vou me apoderar de uma fala do filósofo José Abelardo Barbosa de Medeiros, mais conhecido como “Chacrinha”: “Eu não vim aqui pra explicar, eu vim pra confundir…”.
Vocês me perdoam, né: É Natal, tô sensível.


Sobre o Autor

Cláudio Luís Resende
Cláudio Luís Resende

Cláudio atua na área há trinta anos, é proprietário da Astec Informática e professor no SENAC.

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