Analfabetismo informático

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Dia desses presenciei uma cena que, confesso, me deixou, digamos, chocado: duas moças – dos seus 30, 35 anos – conversavam, uma em pé, outra sentada numa cadeira à frente de um computador. Elas falavam sobre um primo que morava fora do país. A que estava de pé sugeriu que a outra acessasse o Facebook pra ver as fotos do primo e o diálogo se seguiu mais ou menos assim:

– Acessa o Face dele aí. Tem umas fotos bem bacanas.
– Eu não tenho Facebook…
– Ah, não dá nada, não: abre com o meu.
– Ih, eu não sei como abre.
– Igual qualquer outro site; digita lá: www.facebook.com…
– Lá onde?

Não me surpreende alguém que não tenha um perfil aberto no Facebook. Muito menos me surpreende alguém não saber como o Facebook funciona ou como acessá-lo. Mas, convenhamos, alguém não saber como se abre um site… Especialmente alguém que tenha os seus 30 anos. Se, ao menos, fosse alguém dos seus 65, dava pra dar um desconto.

Analfabetismo informáticoEm pleno 2013, alguém não saber como se abre um site é parecido com alguém em 1993 não saber datilografar. Ou alguém, em 1973, não saber escrever. Tá… tudo bem, até agora ainda tem gente que não sabe escrever. Ocorre que gente nessa condição – de analfabetismo – é gente que vive à margem da sociedade. A menina da cena acima tem carro próprio, anda vestida com a roupinha da moda, com animal prints, burgundy´s e outras coisinhas, faz ombré hair nos cabelos e não sabe abrir um site no PC…

O fato é que, sem acesso à internet, a gente já anda enfrentando algumas limitações. Inscrever-se num vestibular ou num concurso, registrar boletins de ocorrências policiais ou agendar horários para atendimentos em alguns serviços públicos se tornou tarefa desconfortável pra quem não acessa a net.

Eu realmente fiquei surpreso. E me lembrei das senhorinhas e dos senhorzinhos aposentados, dependendo da ajuda dos netos para sacar o dinheiro da aposentadoria nos terminais de auto-atendimento dos bancos.

Já não está havendo espaço no mercado de trabalho – e não é de hoje – pra quem não sabe operar um computador. Acessar a internet é o de menos… Ocorre que no meu dia a dia continuo vendo gente que não sabe mudar o nome de um arquivo, enviar um anexo num e-mail ou copiar uma foto para um pen-drive. Parece brincadeira, né, mas não é.

Nunca defendi, inclusive, que todos devessem fazer mega-planilhas eletrônicas, cheias de macros, ou textos super-elaborados ou, ainda, montar bancos de dados para administrar informações particulares ou da empresas. Mas, sim, é preciso que se saiba o mínimo. É quase uma questão de sobrevivência no mundo de hoje.


Sobre o Autor

Cláudio Luís Resende
Cláudio Luís Resende

Cláudio atua na área há trinta anos, é proprietário da Astec Informática e professor no SENAC.

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