A terceira idade, a terceira onda e o terceiro milênio

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Dia desses, no primeiro dia de aula de uma turma de Informática para a Maturidade, no Senac, onde sou instrutor já há algum tempo, fiquei me perguntando o que acontece que os computadores seduzem tanto as pessoas. De todas as classes sociais, de todas as regiões, de todas as religiões, de todas as idades. Lá em 1980 quando ingressei na área de informática – e a inicialização de um computador era feita através de uma fita de Telex (Ih, será que vou precisar explicar o que é Telex?! Acho que não. Ah, deixa pra lá…) – eu não imaginaria que a invasão dos computadores seria como vem sendo. Já em tempo menos remoto, em 1996, quando comecei a prestar assessoria, o foco eram as empresas, já que naquela época ninguém tinha computadores em casa, salvo pouquíssimos privilegiados. Atualmente conheço algumas casas que têm mais computadores que pessoas. E não é incomum.

Naquele dia – daquela primeira aula – percebi que a revolução causada pelos computadores só é comparável à revolução provocada pelo advento da luz elétrica, no final do século XIX. Sim. Porque por mais que alguns objetos e equipamentos tenham sido inventados há mais tempo e, inclusive, existam em maior quantidade do que computadores – o que, convenhamos, é difícil acontecer – eles não impactam sobre as nossas vidas diárias como os computadores.

Os computadores mudaram nosso modo de trabalhar. Depois mudaram nosso modo de comprar, nosso jeito de viajar, de namorar, de se distrair e por aí vai.  A televisão nos seduziu bastante também, mas é diferente: na televisão você é um mero observador. Na informática você é um agente de mudanças, você muda e é mudado o tempo todo. Você é parte daquele universo.

Depois de lermos e escrevermos microtextos instantâneos e despejá-los na rede através do Twitter e colocarmos nossas fotos, nossos comentários, nossas opiniões no Facebook, a onda agora é fazer “check-in” no “Foursquare”. Funciona assim: você instala no seu smartphone um aplicativo e a partir dele, você pode informar em tempo real a todo tempo onde você está: parques, restaurantes, escolas, clubes. Os lugares que não existirem ainda, você adiciona. Mais do que isso, você comenta os lugares que visitou. Elogia. Critica.

Esses comentários podem, por exemplo, aparecer pra um amigo seu que está passando na frente de um restaurante que ele não conhece, mas que você apreciou bastante, com dicas de pratos, preços e tudo mais. Ou que tal um alerta, no celular, sobre uma exposição de artes que está rolando no museu perto de onde você está passando no momento? Conexão. É isso que temos experimentado a cada dia mais.

Voltando aos meus colegas avós do curso do Senac, o que eles têm procurado lá? Isso mesmo: conexão. Com os irmãos, com os filhos, com os netos, com os amigos antigos. Eles não estão dispostos a ficar fora dessa onda. Perguntados sobre o que procurariam nos computadores e na internet a maioria respondeu um vago e certeiro “tudo”. É. Eles sabem que tem de tudo lá. Mas o que volto a me perguntar e fico pensando a respeito é por que eles não se preocuparam em aprender a operar o aparelho de som, o DVD, mas os computadores eles querem? Que sedução é essa exercida pela informática? Acho que talvez eu tenha estado tão imerso nesse universo que já não o consigo “ver de fora”. Mas é boa essa constatação da universalidade do alcance da informática. Que venha a informação a todos.


Sobre o Autor

Cláudio Luís Resende
Cláudio Luís Resende

Cláudio atua na área há trinta anos, é proprietário da Astec Informática e professor no SENAC.

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