Sustentabilidade: qual será sua marca?

Sabemos que desenvolvimento sustentável considera o equilíbrio dos aspectos sociais, ambientais e econômicos, mas as ações para promover esse equilíbrio variam de lugar pra lugar e de momento pra momento. Não faz sentido proteger o meio ambiente, se para isso pessoas estiverem privadas de condições dignas de alimentação e moradia. Da mesma forma, a natureza não pode ser devastada só para atender uma ânsia de consumo e fortalecer um sistema econômico que concentra o dinheiro na mão de poucos. Mas também não podemos inviabilizar o crescimento econômico, uma vez que esse desenvolvimento pode financiar novas tecnologias, melhorar a qualidade de vida e racionalizar a utilização dos recursos ambientais.

Apesar dos aspectos social, econômico e ambiental serem igualmente importantes, são os ambientalistas os que mais trazem a sustentabilidade para o debate e penso que seja porque nesse tripé o meio ambiente representa justamente o que a nossa sociedade não aguenta: o limite. Olhamos para o limite como algo negativo, que precisa ser ultrapassado, superado, vencido. O esporte é um meio do ser humano se aprimorar e romper limites de forma saudável. Contudo, as situações de doping mostram que a vontade de vencer ultrapassou o limite da ética e da saúde. Em casa, comemos sem limites e depois abusamos de remédios para controle do peso e da saúde. Escolhemos planos de telefonia sem limites, dirigimos carros acima da velocidade permitida, educamos nossos filhos sem limites. Não aguentamos ser contidos ou controlados e defendemos uma liberdade fantasiosa e inconsequente. Por não estabelecermos nossos próprios limites, cedo ou tarde temos que lidar com situações alheias à nossa vontade: dívidas no cartão de crédito, doenças, multas e, no meio ambiente, as mudanças climáticas que estão cada vez mais evidentes.

As tragédias “ambientais” ainda estão distantes de Campo Mourão, mas já nos preocupamos com a falta de chuva na época adequada para a agricultura. Sabemos que uma quebra na safra interfere no comércio local e a longo prazo pode gerar desemprego e aumento da violência urbana. Numa crise mais séria, é provável que todos nós, mesmo sem sermos agricultores, possamos sentir os efeitos de uma quebra na safra. Olhando assim, parece que as soluções estão longe da nossa esfera de poder, mas as boas práticas não são tão difíceis assim. É possível atuar localmente com bons resultados. A nossa existência se sustenta num processo de consumo e descarte que causa impactos na natureza e qualquer coisa que pudermos fazer para diminuir esse impacto é importante. Para isso podemos repensar nossos hábitos de consumo (estabelecendo alguns limites) e também a destinação de tudo o que descartamos.

Aqui mesmo em Campo Mourão temos o exemplo do projeto Poda Solidária: trabalhadores organizados em Associação (com apoio do poder público) beneficiam resíduos das podas de árvores da área urbana e vendem como composto orgânico. Ganhando o próprio sustento, eles contribuem com o meio ambiente aproveitando resíduos e produzindo adubo de origem orgânica. Outra ideia é a transformação do óleo de cozinha usado em biodiesel. Empresas já manifestaram interesse, mas a ideia ainda não emplacou em Campo Mourão. Mesmo assim é um bom exemplo de desenvolvimento sustentável que já acontece em outros municípios. Gera lucro, emprego e renda e beneficia o meio ambiente com o aproveitamento de resíduo altamente poluidor e reduzindo o consumo de petróleo. Individualmente, cada um de nós também pode contribuir. Muitas donas de casa fazem o aproveitamento na produção de sabão e isso ajuda muito. Especialistas afirmam que apenas 1 litro de óleo pode contaminar até 1 milhão de litros de água.

Eu tenho em casa uma Minhocasa que transforma quase todo o lixo orgânico que eu produzo em húmus, que depois eu utilizo no jardim. É pouco, eu sei, mas é uma forma de devolver para a natureza uma parte do que eu consumi, sem utilizar mais recursos no processo. E o esforço é todinho das minhocas. Também dá pra trocar as lâmpadas incandescentes por lâmpadas frias; doar roupas e calçados que você não usa mais; adiar a troca de eletrodomésticos que podem ser consertados (ou trocar por modelos que consomem menos energia); deixar o carro em casa uma vez por semana e andar de bicicleta; não jogar o óleo usado no ralo da pia – descartar em recipientes fechados ou dar para quem faça sabão… Não é preciso complicar, deve ter um jeito de ajudar que seja fácil pra você.

Limite também tem a ver com contorno e contenção e pode nos dar a compreensão do que somos e do que não somos. Cada um de nós passa pela vida exercitando sua liberdade e aprendendo a construir seus limites. Essa passagem deixa marcas. O que você está fazendo pra deixar no mundo uma boa impressão?


Sobre o Autor

Zuleide Milanez Giraldi
Zuleide Milanez Giraldi

Empresária da AME Treinamento e Desenvolvimento, participante do Fórum da Agenda 21 de Campo Mourão e do Conselho do Observatório Social.

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