O planeta precisa de mim! Será?

Dia desses alguém me perguntou: será que se a gente acabar com todas as sacolinhas plásticas, a gente consegue salvar o planeta? Será que o planeta precisa mesmo de salvação? A conversa não se estendeu, mas uma palavra ficou ecoando dentro de mim e conduzindo a minha própria reflexão: Será? Será que somos monstros devoradores da natureza? Será que somos mocinhos, heróis da sustentabilidade tentando salvar o planeta Terra?

Penso que se os piores prognósticos se confirmarem, as condições para a vida humana vão piorar tanto que nós provavelmente vamos desaparecer antes do planeta – que vai se recompor como já aconteceu em outros momentos da evolução. Antes da nossa, outras espécies serão extintas, mas acredito que não precisamos nos preocupar – a natureza certamente se recria. Quando defendo o caminho da sustentabilidade penso na continuidade da vida humana na terra. Sendo mais sincera e objetiva, eu penso no futuro dos meus sobrinhos e de outras crianças que amo. Quero que eles tenham uma vida saudável, que encontrem boas oportunidades de desenvolvimento e que façam parte de uma sociedade mais justa. Provavelmente outras pessoas compartilham esse meu desejo.

Ensinamos nossas crianças a arrumar a bagunça que elas fazem, a respeitar o direito dos outros, a dividir os seus brinquedos e a não brigar. E se procuramos ensinar as crianças, esses são valores que queremos ver na nossa sociedade: respeito, paz e solidariedade. A maioria de nós garante que não desrespeita o direito de ninguém. Muitos ajudam financeiramente instituições ou projetos sociais nos quais acreditam, outros separam o lixo, outros se envolvem no voluntariado. Diante das reportagens da TV, fazemos orações  pelas vítimas da fome e dos desastres “naturais”, agradecemos a nossa sorte e torcemos para que os governos respondam à nossa indignação e atenuem as injustiças sociais. Somos “politicamente corretos” – às vezes dá um pouco de trabalho, mas isso nos faz sentir melhor.

Porém, alguns estudos mostram que tem muita coisa embaixo do nosso tapete. Por exemplo, em 2003 (quando éramos 6 bilhões de pessoas), cientistas calcularam que se todas as pessoas no mundo tivessem acesso aos mesmos padrões de conforto da média americana, precisaríamos de recursos equivalentes a seis planetas Terra. Mesmo considerando a média mundial (que cai bastante), estimaram que o ponto de equilíbrio foi ultrapassado desde os anos 90. Isso quer dizer que se você tem água encanada, luz elétrica, máquina de lavar roupas, carro e ar condicionado, está consumindo recursos que caberiam, por direito, a outras pessoas. E sem falar dos outros 10 milhões de espécies que co-habitam a Terra.

Mesmo questionando a precisão dos cálculos, como será o futuro das nossas crianças, considerando o crescimento populacional, a elevação dos padrões de consumo e a dificuldade também crescente de renovação dos recursos naturais? Para construir um caminho sustentável e garantir às próximas gerações as mesmas oportunidades de desenvolvimento, precisamos apenas fazer um pouco mais daquilo que ensinamos para as nossas crianças: precisamos limpar a nossa sujeira, arrumar a nossa bagunça, dividir um pouco as nossas coisas e respeitar o direito das outras pessoas.

A idéia aqui não é que privilegiados abram mão do padrão de conforto conquistado em favor dos menos afortunados. A idéia é que possamos ir além do discurso politicamente correto e assumir uma atitude mais consciente e responsável diante da vida.

Isso significa repensar hábitos de consumo, investir em tecnologia limpa, respeitar limites. Não heroicamente em favor de outros, mas sim em nosso próprio benefício e das pessoas que amamos.

Torço para que o uso da sacola retornável e a separação do lixo deixem de ser atitudes de destaque e se transformem em hábito; torço para que fechar a torneira e apagar a lâmpada não sejam atitudes vinculadas ao valor da conta no final do mês; torço para que os padrões de consumo não sejam determinados pelos saldos das contas bancárias e sim pela necessidade, mesmo que não seja básica.

Acima de tudo, torço para que sejamos capazes de expressar no mundo a nossa própria verdade, os nossos próprios desejos, os nossos próprios valores, ao invés de tentarmos nos enquadrar em modelos e padrões socialmente estabelecidos. Acredito que agindo de acordo com a nossa consciência e reconhecendo as conseqüências das nossas escolhas é que poderemos nos desenvolver. Como pessoas e como sociedade.

A evolução das espécies está ligada à sua capacidade de adaptação e sobrevivência no meio em que vivem. A espécie humana é a única que evoluiu modificando o meio em que vive e adaptando-o às suas necessidades. Vamos torcer para que a nossa evolução seja uma transformação na direção de algo cada vez melhor. Será?


Sobre o Autor

Zuleide Milanez Giraldi
Zuleide Milanez Giraldi

Empresária da AME Treinamento e Desenvolvimento, participante do Fórum da Agenda 21 de Campo Mourão e do Conselho do Observatório Social.

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