O lado sagrado de um caminho de deuses e homens

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Na Espanha, fazer o Caminho de Santiago de Compostela é ir à catedral do Apóstolo Santiago para alcançar a graça mística que dá algum sentido para a vida. Localizada a oeste do Paraná, Ubiratã, em tupi guarani “madeira dura”, tem também seu caminho místico. Arqueólogos e historiadores supõem que o município estaria na rota de um caminho imaginado, o Caminho de Peabiru, que seria a ligação da região à antiga civilização inca, onde estava Machu Pichu. Se verdade ou não, não importa: o certo é que o mistério dessa história construiu um caminho de lendas, deuses e rituais.

SAM_1160.Segundo pesquisadores, por volta do ano 1000 já existia movimentação de índios na região de Ubiratã. Chegaram ali por correntes migratórias diversas, de origens diferentes, passaram e se instalaram na área em tempos também diferentes.

O Caminho de Peabiru fazia parte da vida dos indígenas para realização de atividades básicas como caça, coleta de alimentos e migração. Costumavam cremar seus mortos e não se fixavam por muito tempo em um único lugar. Formavam pequenos aldeamentos distantes um do outro e, segundo os portugueses que os conheceram, eram “bravos”.

Eles se deslocavam pelos caminhos visitando familiares dispersos na região e, supõem pesquisadores, caminhavam como forma de ritual para se chegar a uma terra mística, a Terra Sem Mal. Nessas andanças, criaram um complexo de caminhos cheio de ramais que passavam pela região de Campo Mourão. Um dos ramais passava por Campina da Lagoa e Ubiratã e ia até Pitanga.

Eram ramais por onde transitavam grupos de índios que produziam uma realidade e um território diversificado de culturas. Para se defenderem do frio e por segurança, os índios abrigavam-se no subsolo. Em formato de círculo perfeito, escavavam uma profundidade de terreno de acordo com a erosão. No centro da cova, erguiam estaca que ajudava a sustentar o teto. A entrada era feita por meio de degraus de terra. Usavam a pedra e a madeira para fazer instrumentos de caça e pesca. Essas habitações circulares e escavadas onde se abrigavam foram encontradas em diversos lugares onde hoje é Ubiratã.

Relatos antigos sobre o Caminho de Peabiru o cercam de mistério ainda nos dias atuais. Grande parte das estradas que hoje se conhecem na região de Ubiratã vêm do uso dos primeiros colonos espanhóis que aproveitaram as trilhas. Mas com a era da pavimentação do município nos anos 1960, traços de alguns outros caminhos antigos foram asfaltados e apagados pela mecanização das terras para agricultura.

Para moradores da região, o Caminho de Peabiru não é só uma estrada econômica, mas um caminho místico que levava até a civilização inca de deuses e divindades. Descobrir o que o Caminho foi exatamente na história não importa tanto. Para muitos moradores, o que fica do Caminho de Peabiru é que ele significa um contato com um lado sagrado do mistério humano. Conhecer mais sobre Caminho de Peabiru é procurar o que daria um sentido sagrado para a vida de seus moradores.


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História Unespar


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