Para aprender Direito, Playmobil!

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PLAYMOBILNo Ministério Público de Campo Mourão os bonequinhos são estrelas de vídeos que desmistificam questões complexas e ajudam nos processos da Justiça, com conhecimento e criatividade.

Playmobil é aquele bonequinho de cara redonda, braços em formato de U e expressão simpática. O brinquedo faz parte do universo infantil desde 1974, quando foi criado, e se espalhou por diversos países do mundo. Ainda é adorado por crianças e cultuado por adultos, mas aqui em Campo Mourão têm uma utilidade inusitada: ajudar a justiça a ser mais clara e acessível.

Desde 2009 eles saíram das caixas de brinquedos dos filhos do promotor público Marcos Porto Soares e, com a aptidão artística do assessor jurídico Tássio Denker, se tornaram estrelas em julgamentos, palestras e campanhas, traduzindo questões complexas em vídeos didáticos, bem humorados – e fofinhos!

Usando técnicas de stop motion, dentro das salas do Ministério Público, Soares, Denker e equipe fizeram 2,5 mil fotos para o primeiro vídeo, que foi produzido em 48 horas de trabalho ininterruptas e muitas trombadas nas técnicas de produção, afinal, a especialidade deles é o direito. O vídeo foi apresentado durante um júri e teve repercussão imediata fora do Fórum: cerca de 10 mil visualizações na internet em apenas um mês.
Depois do sucesso deste primeiro material, outros foram produzidos, assim como outros recursos também passaram a ser usados com mais frequência nos júris, todos eles produzidos dentro do MP. Mas de onde saiu tanta criatividade?

As cabeças
Dois bonequinhos de Playmobil enfeitaram a estante do promotor Soares no MP durante um tempo. “Meus filhos brincavam com eles, eu trouxe e disse que os usaria um dia”, fala. O dia não demorou a chegar.

Os brinquedos, que fazem parte de uma coleção inspirada no império romano, serviam perfeitamente para ilustrar a relação implícita em um crime que estava para ser julgado. Não deu outra. Com uma câmera, um armário servindo de estúdio e muita dedicação, os Playmobils contaram a história de ingratidão de Brutus a Júlio Cesar. “Uma coisa é explicar, outra é mostrar um vídeo contando a história. As pessoas, os jurados, acabam entendendo melhor”, relata Denker, que arrumou cenários e se encarregou de cumprir a missão de produzir o material a tempo, já que tiveram a ideia em cima da hora.

Tássio é assessor jurídico, com formação em Direito, mas antes de estudar leis, teve um namoro com as artes gráficas. Começou uma faculdade de design de produto, depois passou para design gráfico e acabou por não concluir o curso, quando decidiu pela carreira jurídica. O prazer em exercitar esse lado mais “arteiro” não foi embora com os processos e procurações do dia a dia, mas foi com a vinda do promotor Soares para o MP de Campo Mourão que o trabalho ficou mais divertido.

Marcos é promotor público e grande conhecedor de direito, mas acredita que questões complexas podem ser melhor entendidas com uso de recursos mais sensoriais que as palavras, em alguns casos. Além disso, deu grande liberdade para a equipe para ajudar em seu trabalho. Nos júris, explica ele, podem ser usados diversos recursos para defender a tese. Então, por que não usar? “O doutor Marcos chegou aqui e nos deu liberdade para criar esses mecanismos. É uma forma de deixar mais claro e mais atraente o processo do júri”, pontua Denker.

Sucesso
Com a repercussão do primeiro vídeo, muitas portas se abriram para que o trabalho continuasse. Um dos maiores colecionadores de Playmobil do Brasil, Rogério Matias, que mora em Maringá, entrou em contato com o MP para colocar à disposição sua coleção. Assim, com muito material disponível, a equipe entrou em cena novamente. Foram feitos mais vídeos para uma palestra sobre improbidade administrativa, outra sobre a evolução do direito.

Passada a inexperiência do primeiro trabalho, a produção dos novos foi mais simples e a qualidade bem melhor, garante Denker. “O primeiro vídeo é bem amador, mas a partir do segundo já usamos tripé, as fotos são mais claras, estamos ficando especialistas nisso”, brinca. O problema é que não dá para passar o tempo todo fazendo vídeos. “A atuação da promotoria é muito ampla, não dá para aplicar em todo júri os recursos que temos usado”, afirma Marcos.

Ele explica que várias outras sacadas da equipe já estão indo para os tribunais. Como o trabalho envolve razão e emoção, análises do comportamento humano também são bem vindas. Inspirado no seriado americano “Lie to me”, ele se dedicou a estudar neurolinguística e viu que poderia aplicar esse conhecimento num júri. Montaram um vídeo explicando sinais clássicos de mentira e embasaram ainda mais a tese com depoimentos de especialistas no assunto. Deu certo, mas as coqueluches ainda são os Playmobils.

Além das visualizações na internet, os vídeos já foram usados em aulas, passaram a integrar uma campanha do Ministério Público do Paraná contra a corrupção e tem até promotores de outras comarcas pedindo uma ajudinha para os idealizadores. Agora é esperar para ver os bonequinhos entrando em ação mais uma vez.

Já assistiu? Confira:

Fotografia: Gracieli Polak e MP


Sobre o Autor

Gracieli Polak
Gracieli Polak

Gracieli Polak é jornalista e blogueira, especialista em escrever sobre quase todo assunto – especialmente os que lhe agradam.


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