Garçom, traz o chopp que o desfile vai começar

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A Festa do Chopp na década de 1960 como nova opção de lazer

 

A expansão econômica e o crescimento das cidades sempre provocam novas maneiras de convívio e lazer. Em qualquer lugar, no Brasil e no mundo. Na história da região norte do Paraná não foi diferente. O crescimento do agronegócio nas décadas de 1960 e 1970 fez crescer várias cidades e com elas vieram novas opções de lazer e brincadeiras. Entre amantes de uma boa e gelada cerveja, aconteciam, e ainda acontecem, as Festas do Chopp.

Maringá, anos 1960. O agronegócio plantou soja, trigo e milho e também novos namoricos, casamentos e formas de brincar e de lazer.

Maringá, anos 1960. O agronegócio plantou soja, trigo e milho e também novos namoricos, casamentos e formas de brincar e de lazer. (Acervo dos trabalhos de campo – Biblioteca online do IBGE)

As festas fizeram uma tradição, podiam durar dias e o ingresso era um caneco de chopp. As Festas do Chopp eram realização das altas sociedades locais e viravam notícia nos meios de comunicação por serem grandes acontecimentos sociais, gerando verdadeiro rebuliço. Um dos principais veículos de comunicação do norte paranaense, o jornal Folha do Norte do Paraná, não perdia a oportunidade de fazer matérias sobre as badaladas festas. Já antes delas, colunistas do jornal preparavam o ânimo das pessoas trazendo informações sobre o que ia rolar.

Realizada todo ano, a Festa do Chopp de Maringá foi muito animada no dia 06 de abril de 1967. Como era comum nas festas, os organizadores eram membros dos clubes sociais da cidade e naquele ano planejaram um baile dançante regado a muito chopp. O grande destaque da comemoração daquele dia foi a eleição da Rainha da Festa do Chopp, concurso que elegia a jovem mais bela do encontro social. Esse tipo de concurso era muito comum na década de 1960 como atualmente. Na maioria das vezes, o concurso reunia jovens que, além de vir de famílias da alta sociedade ou de destaque na vida da cidade, tinham de responder a alguns pré-requisitos, hoje um pouco fora de moda para muitos de nós, como serem solteiras e virgens.

Depois das festas, a imprensa fazia os comentários. Ela ajudava a fixar os novos modos de encontro inventados pelas pessoas no convívio urbano das cidades em crescimento. O jornal Folha do Norte do Paraná apresentava em notícias e notas quase tudo sobre a farra, antes e depois: os preparativos, as concorrentes a Rainha, os que foram à festa, os mais bem vestidos, os novos pares de namorados, além dos visitantes que vinham de outras cidades só para o grande evento.

As festas do chopp e os novos lazeres inventados no norte do Paraná acompanhavam a história do Brasil. Os governos na década de 1960, e ainda depois nos anos 1970, estimulavam políticas públicas de industrialização, urbanização e mecanização da agricultura. A região norte do Paraná estimulada acompanhava o desenvolvimento nacional do agronegócio e por isso suas cidades passavam por um período de crescimento. Ali eram construídas diversificadas formas de convivência e novos modos de encontro cotidiano, como as Festas do Chopp, ainda hoje muito vivas na memória de muitos e comuns no dia a dia de jovens das cidades da região.


Autora: Gessica Aline Silva – Aluna do Curso de História – Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR) – Campus de Campo Mourão


 

 

 


Sobre o Autor

História Unespar


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