Um guia da cirurgia plástica por Rogério Capobianco

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A cada dia aumenta o número de cirurgias plásticas no Brasil e no mundo. Seja para corrigir algum defeito ou para alcançar o corpo que sempre desejou, é importante ter critérios na hora de escolher o cirurgião plástico, desde saber o histórico do médico, até conhecer alguns detalhes dos procedimentos. Para saber mais sobre o assunto, conversamos com o cirurgião plástico Rogério Capobianco. Ele é especialista pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, com atuação em Cirurgia Plástica Estética e Reparadora e Cirurgião Plástico do Serviço de Cirurgia Plástica da Santa Casa do Rio de Janeiro, Hospital Policlínica e Santa Casa de Campo Mourão.

Rogério CapobiancoMetrópole: Quais são os tipos de cirurgias plásticas mais realizadas atualmente?
Capobianco: De acordo com uma pesquisa elaborada pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, a cirurgia mais realizada no país é a de prótese mamária, seguida pela lipoaspiração e abdominoplastia. Em nossa região temos o mesmo perfil nacional, com o aumento significativo de pacientes cada vez mais jovens procurando os procedimentos.

Metrópole: Pode-se fazer plástica com qualquer cirurgião? Quais devem ser os critérios da escolha?
Capobianco: Cirurgia Plástica deve ser realizada por Cirurgião Plástico. Parece um pouco óbvio, mas na prática existem algumas divergências. O cirurgião plástico precisa estudar 6 anos de medicina, 3 anos de cirurgia geral e mais 3 anos de cirurgia plástica, além de prestar um exame para obtenção do título de especialista em cirurgia plástica. O profissional precisa percorrer um longo caminho para estar apto a realizar as cirurgias. O paciente deve consultar a situação de seu médico para não haver surpresas. Basta acessar o site da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (www.cirurgiaplastica.org.br).

Metrópole: Existe alguma restrição em relação ao implante de próteses? Quais os principais tipos? É necessária a troca do implante?
Capobianco: Os implantes de silicone, as conhecidas próteses, evoluíram muito nos últimos anos. Ainda existem contraindicações, como alergia aos componentes da prótese, doenças autoimunes, processos inflamatórios e/ou infecciosos. Felizmente, hoje as empresas fabricantes que se encontram no mercado cumprem totalmente os critérios de qualidade estabelecidos pelo Ministério da Saúde. Para aumento das mamas, os modelos mais utilizados são o redondo, anatômico e cônico, podendo variar também na altura (perfil baixo, moderado e alto). Essas variações nos permitem alcançar o resultado desejado pelas pacientes. Existem também próteses para aumento dos bíceps, peitoral, panturrilhas e glúteo. Hoje não existe um prazo determinado para a troca do implante. Deve-se realizar uma avaliação periódica, junto ao exame preventivo. Não havendo alterações, pode-se manter a mesma prótese por muitos anos.

Metrópole: Apesar do desejo das mulheres brasileiras em relação ao bumbum, porque a prótese de glúteo não tem o mesmo sucesso?
Capobianco: A cirurgia da prótese glútea é relativamente nova. Na técnica inicial, os implantes eram colocados embaixo da pele, como é feito com as mamas. As próteses ficavam muito visíveis e o resultado artificial. Isso fez com que a rejeição ao procedimento fosse muito grande. Hoje utilizo uma técnica em que o implante é alojado dentro da musculatura glútea, causando um efeito de “crescimento” do músculo. O resultado é muito natural, sendo quase impossível dizer quem foi operada.

Metrópole: E quanto à lipoaspiração? Existem novidades?
Capobianco: A lipoaspiração talvez seja a área de maior evolução dentro da cirurgia plástica. É a nossa maior ferramenta, pois é através da lipoaspiração que conseguimos criar formas mais harmônicas, realizando uma verdadeira escultura. O procedimento como realizamos hoje é totalmente diferente do passado. Utilizamos microcânulas, medicamentos que reduzem as perdas de nutrientes e equipamentos de alta tecnologia. Estamos trazendo para Campo Mourão o Vibrolipo. Trata-se de um aparelho de lipoaspiração eletrônico, que minimiza o trauma cirúrgico, diminui os hematomas e acelera a recuperação do paciente, além de minimizar a dor, trazendo satisfação e conforto.

Rogério CapobiancoMetrópole: Toda paciente é candidata à lipoaspiração?
Capobianco: A melhor resposta seria “sim e não”. Sim, porque a lipoaspiração pode ser realizada isoladamente ou associada a diversos outros procedimentos, como lifting facial, lifting de membros e abdominoplastia. E não, porque nem todos os pacientes podem ser tratados somente com a lipoaspiração. Em casos onde existe excesso de pele ou flacidez, pode ser necessário se complementar com a abdominoplastia ou o lifting, como após grandes perdas de peso ou gestação.

Metrópole: É melhor realizar a cirurgia no inverno ou verão?
Capobianco: Existe uma crença que é melhor operar no inverno, mas tecnicamente não há diferença. O que ocorre é que, no caso de cirurgias maiores, como abdominoplastia e lipoescultura, o uso da cinta é mais confortável com temperaturas mais amenas.

Metrópole: Muitas pessoas optam por operar nas férias, para poderem se recuperar. Em quanto tempo pode-se voltar ao trabalho? E as atividades físicas?
Capobianco: Esse tempo é variável, de acordo com o procedimento e a área de trabalho. Por exemplo, em cirurgias de prótese de mama, pode-se voltar às atividades de escritório em torno de 1 semana. Já em uma abdominoplastia levará de 3 a 4 semanas. O retorno às atividades físicas dependerá da evolução de cada paciente. Mas, em média, com 30 dias está apta a realizar esforços leves, como caminhadas, e em 60 dias são liberados exercícios mais pesados, como academia.

Metrópole: Além das cirurgias, o cirurgião plástico realiza outros procedimentos estéticos?
Capobianco: Dentro da formação em cirurgia plástica, somos treinados e habilitados a realizar vários procedimentos dentro da estética, como toxina botulínica (botox), preenchimentos, remoção de sinais, cicatrizes, etc. Atuamos também na área reparadora, como queimaduras, má formações e tumores de pele.

Rogério CapobiancoMetrópole: E quanto aos homens, eles já se renderam à cirurgia plástica?
Capobianco: A procura tem aumentado nos últimos anos, mas ainda é muito pequena em relação às mulheres. As cirurgias mais realizadas em homens são a lipoaspiração, rinoplastia, ginecomastia (mama) e lifting facial.

Metrópole: Sempre encontramos notícias de casos em que houve complicações em cirurgias plásticas. Quais são os riscos?
Capobianco: Todo procedimento cirúrgico implica em riscos, mas o importante é termos o controle desses riscos. Para isso, realizamos uma série de exames pré-operatórios, incluindo testes laboratoriais, raios-x, ultrassonografia e avaliação cardiológica. Utilizamos equipamentos de prevenção de trombose, além de contarmos sempre com uma estrutura hospitalar adequada e profissionais capacitados em nossa equipe. As estatísticas demonstram que é mais perigoso atravessar a rua do que realizar uma cirurgia plástica, desde que sejam adotadas as medidas adequadas.

Metrópole: Quanto tempo é preciso de internação? Após a cirurgia, é necessário algum tratamento? Como é o pós-operatório?
Capobianco: Na maioria dos casos, a internação dura, em média, 24 horas. Após a alta hospitalar, a paciente realiza revisões semanais no primeiro mês, para troca de curativos e retirada de pontos. É fundamental que sejam realizadas sessões de drenagem linfática nesse período para evitar fibroses e nódulos. As revisões passam a ser mensais após 30 dias e a paciente terá alta após 6 meses.

Metrópole: Em Campo Mourão, como em outras cidades do interior, vemos muitas pessoas procurando tratamento em cidades maiores. Qual a diferença para os tratamentos nas capitais?
Capobianco: Infelizmente temos uma tendência a valorizar o que é de fora. No caso da cirurgia plástica, temos o orgulho de o Brasil ser referência mundial. Em nossa cidade, contamos com uma excelente estrutura hospitalar e nossa equipe dispõe dos equipamentos necessários para uma cirurgia segura. Uma passagem engraçada foi quando estive nos EUA para acompanhar o trabalho de renomados cirurgiões e constatei que utilizavam as técnicas que aprendemos aqui, com o professor Ivo Pitanguy.

Metrópole: Considerações finais.
Capobianco: É importante que seja realizada uma avaliação minuciosa, onde serão relatadas as queixas e objetivos da paciente. Sanadas todas as suas dúvidas, é definido o tratamento, em conjunto, entre médico e paciente. A candidata à cirurgia deve encontrar segurança e confiança em seu cirurgião e esse deve ser atencioso e estar disponível para esclarecer todos os detalhes em relação ao procedimento.

Fotografia: Fernando Nunes


Sobre o Autor

Renato J. Lopes
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