Religiosidade/Espiritualidade na Psiquiatria

É comum perceber certa surpresa e satisfação por parte dos pacientes quando eles se dão conta de que suas crenças religiosas são levadas em consideração em seus tratamentos psiquiátricos.

Até pouco tempo atrás acreditava-se ser incompatível com o exercício da Medicina, a abordagem de temas de cunho tão pessoal durante as consultas. Felizmente, hoje há um crescente reconhecimento pelos profissionais e pesquisadores quanto à influência da religiosidade/espiritualidade na saúde psíquica. Diversos estudos vêm sendo conduzidos e outros tantos já concluídos, confirmando o que já parecia claro a muitos profissionais com um perfil bastante humanizado no atendimento.

Religiosidade/ EspiritualidadeEstudo brasileiro realizado em 2010, envolvendo pacientes em tratamento para transtornos do humor (depressão, transtorno bipolar) mostra que 85% gostariam que, em suas consultas, fossem abordados temas relacionados à religiosidade/espiritualidade, porém apenas 8% relataram terem sido questionados a este respeito. Boa parte evita “tocar no assunto” com seus psiquiatras devido a experiências frustradas prévias, onde não foram ouvidos ou sentiram-se hostilizados por trazerem tal tema às consultas.

Nos EUA, 90% das escolas médicas já possuem em seus currículos módulos sobre espiritualidade e saúde. No Brasil, tal relação já é vista com bons olhos e a tendência é de que o reconhecimento dos benefícios de abordarmos tais questões seja cada vez mais incorporado no dia a dia dos profissionais em formação.

É importante ressaltar que o profissional da saúde não tem a função de “evangelizar” ninguém, não é “exigido” sequer que tenha uma crença. O fundamental é que simplesmente reconheça que a religiosidade/espiritualidade de seus pacientes pode influenciar (e muito) em seus tratamentos. Assim como pode ajudar (e geralmente é o que acontece), tem casos onde o fanatismo religioso pode prejudicar. E o médico precisa estar ciente de todos os fatores que possam auxiliar ou prejudicar no plano de tratamento que está propondo a seus pacientes.

Psiquiatras investigam tantos aspectos íntimos na vida de seus pacientes, como sexualidade, finanças, trabalho, relacionamentos… Por que negligenciar a espiritualidade?

Termino com uma frase do Dr. Harold Koenig, psiquiatra norte americano e grande estudioso do tema espiritualidade e saúde:
“Negligenciar a dimensão espiritual é como ignorar o aspecto social ou psicológico do paciente, o que resulta em falha ao tratar a pessoa integralmente.”


Sobre o Autor

Patrícia Prohmann
Patrícia Prohmann

Médica Psiquiatra, Graduada em Medicina pela Universidade do Vale do Itajaí/UNIVALI, Especialista em Psiquiatria pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP/AMB), Membro da Sociedade Paranaense de Psiquiatria e Associada Titular da Associação Brasileira de Psiquiatria.


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