O bom funcionamento da audição e a qualidade de vida na terceira idade

O Brasil é hoje um país com importante crescimento da população idosa. No ano de 2020 espera-se alcançar um total de 32 milhões de pessoas com mais de 60 anos de idade.

É na Terceira Idade que se colhem os frutos do que foi plantado ao longo da vida. A condição essencial para isso é que o idoso mantenha-se integrado à sociedade. Os avanços tecnológicos, avanços médicos, aumento dos profissionais e modalidades da saúde são alguns fatores que colaboram para o aumento da longevidade dos idosos.

O bom funcionamento da audição e a qualidade de vida na terceira idadeA perda auditiva associada ao envelhecimento, ou presbiacusia, é um fenômeno que atinge grande parte da população idosa, podendo levar a uma série de dificuldades na comunicação oral, bem como, muito frequentemente, na interação familiar e social. Essa incapacidade auditiva, com o decorrer do tempo, acarreta também a incapacidade comunicativa, e esta é claramente percebida com o isolamento do idoso.

Acredita-se que a hereditariedade e a exposição crônica a ruídos altos são os principais fatores que contribuem para a perda de audição ao longo do tempo. A principal característica de presbiacusia é a perda progressiva da audição, podendo ser acompanhada de zumbido, vertigem e desequilíbrio. Observa-se, também, dificuldade para entender a fala, para conversar em ambientes barulhentos e a sensação de desconforto a sons de alta intensidade.

É muito frequente os familiares injustamente descreverem o idoso portador de deficiência auditiva como confuso, desorientado, distraído, não comunicativo, não colaborador e zangado. A imensa maioria dos pacientes demora vários anos para procurar ajuda médica para sua perda de audição. Este fato ocorre, em parte, devido ao início lento da doença, bem como, ao estigma negativo associado ao uso de aparelho auditivo.

A maioria dos idosos encara algum grau de perda auditiva como inevitável e não tratável. Entretanto, a presbiacusia, quando não reconhecida e não tratada pode levar ao isolamento social progressivo e depressão, principalmente se o paciente também tiver outras limitações funcionais, como dificuldade para andar ou déficits visuais.

Não existe um tratamento que previna ou que cure a perda de audição nos idosos. Porém, já existem várias opções para se atenuar e compensar a perda auditiva. Os aparelhos auditivos podem melhorar a função auditiva na maioria dos casos de presbiacusia. Os avanços tecnológicos dos aparelhos auditivos nos últimos anos melhoraram significativamente o desempenho dos mesmos, minimizando as más experiências que eram comuns antigamente. Deve-se procurar motivar o paciente para uso de prótese auditiva, de maneira precoce e em ambos os ouvidos, sendo que o sucesso da protetização depende da capacidade individual e da motivação do idoso em manter uma vida social aliada ao uso da prótese auditiva.

Qualquer idoso que sinta algum grau de perda auditiva deve procurar um otorrinolaringologista. É imprescindível diagnosticar a deficiência auditiva, identificar suas causas e propor seu tratamento o mais precocemente possível. Manter uma boa audição é essencial para uma boa qualidade de vida na terceira idade.


Sobre o Autor

Eli Martinelli
Eli Martinelli

Graduado na Faculdade de Medicina de Jundaí. Residência em Otorrinolaringologia na Faculdade de Medicina do ABC. Especialização e Mestrado em Medicina do Sono na UNIFESP.


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