Desmistificando a dermatologia, com Mônica Fernandes

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Por meio da pele o ser humano se relaciona com as pessoas e o mundo em que vive. Ela pode nos despertar boas sensações, como um toque de carinho, manifestar problemas de saúde, ou até revelar sentimentos ocultos. Ela é o maior órgão do ser humano, por isso é preciso de um cuidado mais do que especial. Metrópole entrevistou a médica dermatologista Mônica Fernandes, para tirar algumas dúvidas sobre alguns mitos da dermatologia.

Metrópole: Quais são as áreas que a dermatologia pode tratar?
Mônica Fernandes: A dermatologia trata das doenças que acometem a pele, unha, cabelos e mucosas. E mucosas, a gente divide em mucosa bucal, mucosa da pele anal (em volta do ânus) e da região genital (vulva e pênis). É uma região bem ampla. A gente trata a parte de doenças, cânceres e tumores de pele, além da questão da cosmiatria e estética.

Metrópole: O que a dermatologista pode fazer de tratamentos estéticos?
Mônica Fernandes: Na nossa formação, dos 3 anos de residência em dermatologia, a gente aprende a fazer pequenas cirurgias, algumas de cunho estético, laser, implantes, toxina botulínica. Trabalhar com a parte corporal, aparelhos de rádio frequência, ultrassom. Poderíamos até fazer lipoaspiração de pequenas áreas localizadas, blefaroplastia (cirurgia de pálpebra), mas seria preciso mais um ano de formação em hospital universitário.

Metrópole: Aumentou o número de homens que fazem tratamentos dermatológicos?
Mônica Fernandes: A quantidade de homens vem aumentando a cada ano. O homem normalmente tem um pouco de resistência, um pouco de medo. Tem ainda uma lacuna muito grande, pois ainda não temos muitos produtos específicos para os homens, por isso a gente tem que acabar formulando, ou fazendo alguns tratamentos especiais para eles. Mas, a demanda tem sido alta. Começa sempre pela calvície, que é o mais comum, depois por conta das rugas e área dos olhos. Fazem muita toxina, peeling, retirada de pequenas nevos (mancha, pinta ou sinal), pólipos (crescimento anormal dDra-Mônicae tecido das membranas mucosas) e preenchimentos de sulcos. Eles estão correndo atrás.

Metrópole: É verdade que o homem tem um envelhecimento menor da face do que a mulher?
Mônica Fernandes: O homem tem essa vantagem. Ele envelhece bem mais lentamente que a mulher. Primeiro, porque ele faz um peeling superficial diário ao fazer a barba, pois ele está fazendo esfoliação e estimulando a renovação celular. Segundo, porque quando ele está fazendo a barba ele está fazendo todo um exercício facial, uma mímica. Vai pra um lado, vai para o outro e mantêm os músculos no lugar.

Metrópole: A procura por tratamentos dermatológicos está mais relacionada à estética ou à prevenção de doenças da pele?
Mônica Fernandes: Tenho pacientes das duas áreas, tanto clínica, quanto estética. A dermatologia é uma área muito ampla. Temos as doenças que são sazonais, que vêm em determinadas épocas do ano. Sempre tem uma procura por causa da doença. E em relação à estética, também é sazonal. Normalmente tem uma época do ano em que há uma procura maior, que normalmente é de março a novembro, quando todo mundo quer ficar bonito para o verão. A procura é normalmente nessa época do ano. Mas como a dermatologia é abrangente a procura acaba sendo meio a meio ao longo do ano.

Metrópole: Qual a diferença entre cosmético e cosmecêutico?
Mônica Fernandes: O cosmético é feito pra uma faixa da população dentro da normalidade. Pra ele ter venda livre, ele tem que ter uma concentração dita de segurança. A partir de um momento que ele tem uma concentração maior ele passa a ser cosmecêutico, ele passa a ser um remédio com uma ação cosmética. Para ele ser vendido, tem que ser no balcão da farmácia. Ele pode ter venda livre, mas sob supervisão. Aí vem também a questão de custo, pois a concentração é maior dos produtos, os ativos são diferentes e aí o custo se torna mais alto. Acaba ficando mais oneroso para o paciente. Mas hoje em dia a gente consegue se organizar, consegue manipular, comprar produtos de qualidade que durem bastante. Hoje só não se cuida quem não quer.

Metrópole: Quais são os cuidados diários que devemos ter com a pele?
Mônica Fernandes: Basicamente uma boa limpeza, lavar a pele com o sabonete adequado. Hoje em dia temos grandes marcas de sabonetes que já vem com o PH neutralizado, você não precisa nem usar tônico, já vem todo equilibrado. Manter essa pele limpa, desobstruída, para que haja uma boa drenagem e uma boa oxigenação. Além disso, o uso do protetor solar diário adequado. Os pacientes, na maioria das vezes, não conseguem realizar um número de aplicações necessárias para que seja mantida essa proteção e nem a quantidade ideal. Pra melhorar isso a Sociedade Brasileira de Dermatologia aumentou o fator de proteção, pulando de 15 para 30 diariamente. Na escolha do produto tem que se ver também que o mais importante, além do fator, é o veículo que esse produto está colocado. Uma pele oleosa e com tendência a acne vai usar um gel ou gel creme. Numa pele com tendência a seca, você vai usar uma loção. Caso o veículo não esteja correto, isso pode afetar a pele também; ou dando a acne ou não hidratando da maneira correta.

Metrópole: Qual o maior erro das pessoas ao tomar cuidados com a pele?
Mônica Fernandes: É muito comum a mulher por volta dos 30 anos vir, falando que nunca teve acne e agora voltou a ser adolescente. Porque ela desenvolve uma acne cosmética, por não saber selecionar o melhor produto, ou veículo daquele produto pra pele dela. Ela tinha uma pele mista, oleosa e no que ela usa um produto inadequado, ela vai tapando os poros, fazendo uma obstrução e aí ela desenvolve comedões e acne, a chamada acne cosmética. Essa é a importância maior: você saber que tipo de produto a selecionar pro seu tipo de pele. Cada um é umDra-Mônica. O que é bom pra um, nem sempre é bom pro outro. É muito comum isso. Mudou também o conceito de classificação de pele. Antes a gente só tinha 4 tipos, hoje existem 16 tipos de pele. Então se classifica se ela tem tendência a mancha ou não; se ela tem tendência a ruga ou não; tendência a flacidez ou não. E se ela é sensível ou não. Nessa combinação você acaba tendo esses 16 tipos de pele e aí você vai selecionar para cada um, um tipo de produto.

Metrópole: Com que regularidade deve se procurar um dermatologista?
Mônica Fernandes: Cada caso é um caso. Pacientes com muitas pintas, uma vez ao ano têm que ir ao dermatologista. Porque você precisa mapear e monitorá-las. Ou você tira uma foto, fazendo tipo um scanner mesmo, pra você ter guardado como era essa pinta. Ou então você vai ao dermatologista, avalia, tira essas fotos. Porque é difícil você acompanhar. Por exemplo, pinta de couro cabeludo, pinta de região plantar, pinta no dorso, que você não consegue acompanhar, dependendo do caso, às vezes é melhor retirar, principalmente se estiver localizadas em área de trauma.

Metrópole: Quais são os cuidados ao usar filtro solar?
Mônica Fernandes: É importante ressaltar que o filtro solar deve ser usado a partir do sexto mês de vida. Adequar a quantidade e a frequência também, é uma coisa que o pessoal erra muito, principalmente na praia. As pessoas têm uma falsa sensação que o filtro solar protege 100% dos raios e isso não existe. Ele te deixa mais resistente a radiação, mas o dano, ele também pode acontecer, só que o impacto é menor. Então você tem que reaplicar várias vezes, a cada 3 ou 4 horas. Mesmo usando fator alto, você deve respeitar os horários de exposição ao sol. Então deve evitar das onze às quatro horas, no horário de verão, mesmo usando protetor. Pra você proteger o seu corpo inteiro na praia, o uso do protetor solar tem que ser em torno de 50 ml, um copinho de café. Pra uma passada, não o dia inteiro. Um frascoDra-Mônica de protetor solar, quando você vai comprar, os mais populares têm 200 ml. Teoricamente era pra ser um frasco por dia. Por isso que se aumentou o número do fator de 15 para 30. E hoje já tem até o fator 100. O que difere ele dos outros é a proteção quanto aos raios UVA, que são os que mais prejudicam a pele, não tanto o do UVB que é o que dá mais bronzeamento, aquele vermelhão.

Metrópole: Considerações finais.
Mônica Fernandes: Temos que ter em mente que a dermatologia vai cuidar da saúde e do bem-estar da pele. Nós temos muito a oferecer. Ela não vai parar o envelhecimento. Ela pode até parar e retardar, fazer uma desaceleração do processo de envelhecimento. Todos vão envelhecer. Só não vai ter rugas quem não viveu, ou quem não sorriu e chorou. Com o uso da dermatologia você vai envelhecer bem, feliz, olhando pro espelho e gostando do que vê.


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Renato J. Lopes
Renato J. Lopes



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