Um outro modo de fazer dança

Dançar em um palco tradicional, expondo a técnica de passos codificados, hoje em dia não faz mais sentido para muitos dos artistas de dança na contemporaneidade. Estes artistas enxergam e vivem a dança como forma de produção de conhecimento e posicionamento político no mundo.

Um outro modo de fazer dançaJá há algum tempo artistas/bailarinos autônomos vêm cavando espaços onde caibam diferentes modos de produção/criação de dança, que façam sentido com o que acreditam sobre dança hoje. Esse outro modo de produzir dança, diferente da junção de passos codificados e colados um atrás do outro, parte do entendimento de que a dança pode ser um jeito de se relacionar, formatar um movimento e um pensamento sobre o corpo e suas relações com o ambiente.

A ideia é olhar para as possibilidades de articulação de conceitos acerca do corpo, movimento e questões de mundo, criando um espaço de reflexão pautado na experiência corporal e na investigação deste corpo em movimento, fazendo emergir, assim, uma obra de dança que possa comunicar algo, comunicar uma questão.

Essa questão de que falo, busca trazer uma reflexão, um posicionamento político, uma inquietação pessoal ou global, emergindo, assim, uma ideia/relação diferente da tradicional. Nesses formatos de criação não existe a necessidade da beleza estética e do virtuosismo no movimento. Esse outro modo de criar dança se aproxima mais da realidade do ser humano, esse ser humano precário, imperfeito, incompleto.

Penso que o movimento é outro quando somos mobilizados por uma ideia como uma ação transformadora de visões de mundo. E esse modo de fazer e pensar a dança permeia por esse caminho.

Proponho aqui uma possibilidade de enxergarmos a arte de fazer dança de um outro ângulo.

Dentre muitos destes artistas com outras visões, pensamentos e práticas em dança da atualidade, vou citar aqui a artista Renata Roel, que vem construindo um trabalho muito bacana em dança no Paraná. Para ela, hoje, fazer e pensar dança é um exercício de posicionamento político no mundo, de mobilizar questões no espaço e encontrar modos de configurar inquietações. “Não tenho a pretensão de encontrar respostas dançando, mas, sim, de configurar minhas tentativas. Movo-me por necessidade de me deformar, de encontrar outras camadas de densidade e intensidade pra viver, dançar e continuar”, diz ela.

O modo como ela trabalha em suas composições é muito peculiar e singular a cada processo. “Interesso-me em elaborar estratégias para ativar a musculatura, a força, um estado de presença que opera na resistência. Elaborar procedimentos e testar ideias no e pelo movimento. Ler textos, ver imagens, vídeos, danças fazem parte do processo de composição. A busca é sempre por uma coerência, onde as ações e os posicionamentos partem de uma pré-elaboração, na construção de hipóteses e estudo das possibilidades”, conclui.

Ao olharmos um corpo dançante, podemos perceber que a dança é mediadora de transformações. Ela amplia o olhar para a vida em sociedade.

Há espaço para toda e qualquer forma de dança no mundo e esta é só mais uma entre tantas.


Sobre o Autor

Isabela Schwab
Isabela Schwab

Bailarina e professora de dança, Mestranda em Dança pela UFBA, Especialista em Estudos Contemporâneos em Dança pela UFBA, Graduada em Licenciatura e Bacharelado em Dança pela FAP, Certificada em Pilates Matwork pelo Demarkondes Pilates®/PhysicalMind Institute® de Nova York.

Um Comentário


  1.  

    Isabela Schwab, relevantes contribuições a cerca da dança na contemporaneidade! Muito Interessante!!!





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