Combate à obesidade: opções de tratamento

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Por Ivan Seleme

A obesidade é uma doença grave que se tornou uma epidemia mundial. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), no ano de 2008, em todo o mundo 1,6 bilhões de pessoas apresentavam excesso de peso e 400 milhões eram obesas. No Brasil, aproximadamente 50% dIvan Selemea população está acima do peso e, desses, cerca de 3,5 milhões de pessoas têm obesidade grave. A obesidade é hoje a segunda principal causa de morte em todo o planeta. Para saber sobre as opções de tratamento, conversamos com o Dr. Ivan Seleme, que atende em Campo Mourão, cirurgias do aparelho digestivo, da obesidade e metabólica.

Metrópole: Quais as principais causas da obesidade?
Ivan Seleme: A obesidade ocorre por vários fatores, como genética, fatores ambientais, padrões dietéticos e de atividade física, causas individuais de suscetibilidade biológica e outros.
Metrópole: Como se calcula o peso correto e quem é considerado obeso?
Ivan Seleme: Existem dois parâmetros bem básicos para cálculos rápidos aproximados. Um é a medida em metros. Para homens, consideramos a altura e retiramos o primeiro metro. Exemplo: um homem com 1,70m de altura deveria ter, mais ou menos, 70kg. Para a mulher, a fórmula é igual, com desconto de 5kg: uma mulher com 1,70m deveria pesar 65kg. O outro parâmetro é o IMC (índice de massa corporal): quando se tem IMC maior do que 35 e doenças associadas, também se classifica como obesidade mórbida.
Metrópole: O que é obesidade mórbida?
Ivan Seleme: É uma obesidade grave, onde o peso não tem mais volta clínica, ou seja, com tratamentos convencionais. Predispõe-se a uma série de doenças associadas ao peso, como diabetes, hipertensão arterial, apneia do sono e roncopatia, esteatose hepática (gordura no fígado), aumento dIvan Selemeo colesterol e triglicerídeos, depressão, doenças articulares, cardíacas e outras 250 mais.
A cada 10kg que se está acima do peso ideal, há um amento de 50 vezes na chance de adquirir doenças. É matemático: o corpo (esqueleto e órgãos) foi projetado, por exemplo, para um indivíduo de 1,70m para 70 kg, se o indivíduo está com 100 kg, tem mais de 40% de excesso de peso, sobrecarregando toda a estrutura que não se modifica. Então os joelhos, a coluna, o coração, o pulmão e demais órgãos têm um esforço 40% maior para suportar o excesso de peso e isso acarreta inúmeras doenças. Quanto maior o peso, maior a sobrecarga.

Metrópole: Quais os tipos de tratamentos disponíveis para obesidade?
Ivan Seleme: Para estágios iniciais, existem os tratamentos clínicos e dietéticos: atividade física, mudança de hábito de vida e comportamento alimentar e, em alguns casos (sobrepeso de grau I e II), medicamentos. Para obesidade de grau III associada a doenças e para obesidade mórbida, o tratamento a ser feito é o cirúrgico. A falha dos tratamentos clínicos em dois anos se aproxima dos 100%.

Metrópole: E quem pode operar? Quais os tipos de cirurgias?
Ivan Seleme: Depende de inúmeras variáveis, principalmente de dois fatores: altura e doenças associadas. Um homem de 100 kg, com 1,85 m (IMC 29,2) e sem doenças, não é um obeso. Ele tem sobrepeso e deve se tratar clinicamente. Mas, uma pessoa com 80 kg e 1,50 m de altura (IMC 35,6) e que tenha pressão alta ou doenças associadas ao peso é uma candidata à cirurgia, pois a proporção do peso para sua altura está demasiadaIvan Seleme e a sobrecarga de todos os órgãos e do esqueleto é grande. Quanto mais doente o paciente for – doenças como diabetes, pressão alta, aumento de colesterol, gordura no fígado, doenças cardíacas ou articulares (joelho, coluna, etc.) – maior a indicação cirúrgica, pois a grande maioria dessas doenças regride ou desaparece com a cirurgia.
Existem em torno de vinte técnicas diferentes de cirurgia bariátrica, cada uma específica para a indicação do paciente, de acordo com o peso e/ou doenças associadas.
Muitos pacientes são encaminhados para nós, cirurgiões bariátricos, por seu cardiologista ou endocrinologista, no intuito de que a cirurgia controle o diabetes ou a pressão alta, pois os medicamentos não conseguem mais fazer esse controle, então realizamos uma modalidade de cirurgia chamada Cirurgia Metabólica.

Metrópole: Existem riscos? Quais são?
Ivan Seleme: Sem dúvida, todo procedimento tem riscos que merecem atenção total, o que nos anima a indicar um procedimento cirúrgico é que o risco da cirurgia é 12 vezes menor do que o risco do indivíduo permanecer obeso.

Metrópole: Considerações Finais.
Ivan Seleme: Se puder dar um conselho de 15 anos em que estudo a obesidade, é de que “a criança tem que ser magra”. As células de gorduras se formam principalmente até os 7 anos. Criança obesa é um passo quase certo para um adulto obeso.

Fotografia: Fernando Nunes


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Renato J. Lopes
Renato J. Lopes



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