A importância dos exames de prevenção, com Maria Carolina Corpa Gurgel

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Fotografia: Fernando Nunes

A mortalidade feminina caiu 12% no Brasil nos últimos 10 anos, segundo o Ministério da Saúde. Tudo isso se deve ao acesso à tecnologia, na questão dos diagnósticos de doenças, como as doenças do aparelho circulatório e neoplasias, as duas principais causas de morte de mulheres no mundo. Quanto mais cedo o diagnóstico, melhores são os resultados no tratamento dessas doenças. Para saber mais sobre o assunto, Metrópole entrevista a médica radiologista Dra. Maria Carolina E. Corpa Gurgel, sobre a importância de identificar doenças o mais precocemente possível.

Dra Maria CarolinaMetrópole: Qual a importância dos exames preventivos?
Maria Carolina: O diagnóstico precoce de certas doenças é um importante passo no processo de cura das mesmas. No entanto, a maioria dos pacientes ainda deixa para procurar um médico somente quando já está seriamente doente. Felizmente, essa mentalidade está começando a mudar, e cada vez mais, as pessoas percebem que o check-up é uma ferramenta importantíssima para a cura de várias doenças. Atualmente, a visão da medicina é muito diferente da de algum tempo atrás, quando todos os seus esforços estavam voltados para a cura das doenças. Com o advento dos exames de imagem de qualidade, como a ultrassonografia, mamografia, raios-x ou a tomografia computadorizada, somados aos exames laboratoriais mais precisos, hoje é possível detectar inúmeras enfermidades na fase inicial, quando ainda não provoca sintomas. Daí, a necessidade de todo adulto, homem ou mulher, principalmente a partir dos 40 anos, fazer uma série de exames periodicamente para detectar doenças ocultas em seu organismo.

Metrópole: Que tipos de doença são possíveis de se evitar?
Maria Carolina: Quando falamos especificamente de “check-up”, ou de exames de rotina, o foco não é evitar algumas doenças, mas sim detectarmos as mesmas em uma fase precoce, nas quais as chances de cura são mais expressivas. Especificamente em relação aos exames de imagem, dentre as doenças passíveis de serem detectadas precocemente nas mulheres que realizam um check-up anual, podemos citar o câncer de mama, que pode ser diagnosticado através da mamografia. Ainda em relação às mulheres, a ultrassonografia transvaginal é capaz de detectar várias alterações, tais como endometriose, miomas, cistos e outras alterações. Após a menopausa, esse exame se torna ainda mais importante, devido ao aumento na incidência de câncer de ovário e endométrio nessa faixa etária. O raio-X de tórax é uma importante ferramenta no diagnóstico de nódulos/câncer de pulmão ou outras patologias cardiopulmonares.

Metrópole: Existem exames certos para cada idade e quais exames devem ser feitos de acordo com essas idades?
Maria Carolina: Não existe uma regra clara, já que, mesmo entre várias instituições de referência, há muita discordância entre quais exames devem ou não ser realizados em cada faixa etária. Da mesma forma, há condutas diferentes entre os colegas clínicos, ginecologistas e mastologistas, sendo que, na maioria das vezes, não há certo ou errado, mas diferentes pontos de vista em relação às suas condutas, de acordo com o quadro do seu paciente (história clínica, antecedentes pessoais e familiares, comorbidades, entre outros).

Metrópole: O que é mamografia e qual a importância desse exame? A quem é indicado?
Maria Carolina: A mamografia é um tipo de radiografia realizada em aparelhos específicos para avaliação das mamas. Homens e mulheres podem desenvolver câncer de mama, embora seja muito mais comum no sexo feminino. A mamografia de rotina é a melhor oportunidade de detectar precocemente qualquer alteração nas mamas antes até que o paciente ou médico possam notá-las. De acordo com o FDA, órgão americano de vigilância sanitária, a mamografia pode detectar um câncer de mama até dois anos antes de ele ser palpável. A mamografia é, ainda, o mais eficaz método de diagnóstico para a detecção de câncer de mama, lembrando que quanto Dra Maria Carolinamais precoce a detecção do tumor, mais eficiente é a estratégia na redução da taxa de mortalidade das pacientes. As mulheres assintomáticas devem realizar a primeira mamografia aos 40 anos de idade e depois, anualmente. Em mulheres com mãe ou irmã com câncer de mama antes da menopausa, a mamografia é recomendada com idade 10 anos inferior à idade em que a mãe teve a doença.

Metrópole: Qual a diferença entre mamografia e ultrassom de mama? Em qual situação fazê-los?
Maria Carolina: Esta é uma dúvida muito comum entre as pacientes no consultório médico. Devemos ressaltar a importância dos dois métodos na avaliação das mamas. Atualmente existe um consenso quase geral de que os dois métodos se complementam e constituem armas poderosas na luta contra o câncer de mama e que devem ser usadas na correta avaliação mamária. A mamografia consiste no melhor método de screening do câncer mamário incipiente, preconizado pela OMS – Organização Mundial da Saúde, já que detecta pequenas imagens nodulares e ainda as microcalcificações agrupadas, que levantam invariavelmente a suspeita de malignidade. A maior limitação do exame mamográfico é com relação às mamas densas, ricas em tecido fibroglandular, nas quais a diferenciação adequada entre o parênquima mamário e possíveis nódulos é prejudicada. Nestas situações, temos a necessidade de complementação diagnóstica através da ultrassonografia. Nas pacientes jovens, período em que há predomínio do tecido glandular nas mamas, é indicada a ultrassonografia. O ultrassom também é o método mais indicado quando estamos diante de uma imagem nodular na mamografia, uma vez que a ultrassonografia é capaz de diferenciar esta imagem entre nódulo sólido ou cisto (líquido). Por outro lado, microcalcificações são somente visualizadas na mamografia.

Metrópole: Quais outros exames são recomendados para mulheres para um check-up de rotina?
Maria Carolina: Além do exame clínico ginecológico, papanicolau ou citologia oncótica, e exames laboratoriais, outros exames de imagem, tais como ultrassonografia transvaginal, densitometria óssea e raio-x de tórax, configuram importantes métodos na prevenção ou detecção precoce de várias doenças. A ultrassonografia transvaginal é aconselhada a ser realizada anualmente, a partir do início da vida sexual, sendo mais importante ainda após a menopausa, devido ao aumento na incidência de câncer de ovário e endométrio nessa faixa etária. A densitometria óssea (principalmente indicado para mulheres acima de 40 anos, mas pode ser realizada em ambos os sexos) avalia o grau de osteoporose, indica a probabilidade de fratura, além de auxiliar no tratamento médico. O raio-X de tórax é útil para o auxílio diagnóstico de nódulos pulmonares/câncer de pulmão e outras patologias cardiopulmonares.

Metrópole: O que é endometriose? Como é feito o diagnóstico? E o tratamento?
Maria Carolina: A endometriose é uma doença ginecológica benigna comum, ocorrendo em cerca de 10 a 15% das mulheres em idade reprodutiva, 40 a 60% das com história de infertilidade e em até 80% das mulheres com infertilidade e dor pélvica crônica associada. É Dra Maria Carolinacaracterizada pela presença de tecido endometrial (camada interna do útero), fora da cavidade uterina. Este tecido, quando fora do útero, acomete mais frequentemente os ovários, região posterior do útero, intestino, bexiga e terço superior da vagina. O diagnóstico da endometriose é uma das maiores dificuldades para o manejo desta doença. O CA 125 é um marcador dosado no sangue que auxilia no diagnóstico da endometriose, entretanto é pouco específico. Atualmente a ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal e a ressonância magnética da pelve constituem as melhores modalidades diagnósticas disponíveis. A ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal deve ser o primeiro exame a ser realizado nas pacientes com suspeita de endometriose. Este exame possui alta sensibilidade para a identificação de focos de endometriose no intestino. A ressonância magnética representa outra excelente ferramenta diagnóstica e é excelente na avaliação de pacientes com múltiplos focos de endometriose, processos aderenciais intensos e no caso de envolvimento dos ureteres. O tratamento da endometriose pode ser clínico ou cirúrgico e a escolha depende de vários fatores. O tratamento clínico é paliativo. O tratamento cirúrgico é o método definitivo de tratamento das lesões da endometriose.

Metrópole: Suas considerações finais.
Maria Carolina: Cuidar da saúde é uma questão cultural. A medicina preventiva é um importante aliado na cura de muitas doenças. Para saber como está a saúde, é importante a realização de um check-up anual. A história clínica e o exame físico devem nortear a solicitação de exames.


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Renato J. Lopes
Renato J. Lopes



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