Lulu

App-Lulu-01Lulu? Clube da Luluzinha? É mais ou menos por aí. Lulu é um aplicativo destinado a mulheres, que possibilita avaliar os comportamentos e as características físicas dos perfis masculinos do Facebook, bem como consultar as avaliações realizadas por outras mulheres sobre eles. Quem avalia e quem consulta fica no anonimato, mas a cara do rapaz fica exposta na vitrine, com uma nota em evidência ao lado da sua foto e as principais hashtags escolhidas em destaque. Porém, o avaliado não tem acesso ao que está sendo exposto sobre si a menos que alguma Luluzinha o mostre.

A princípio, o Lulu parece ser uma oportunidade de conhecer alguém por quem se está interessada, ajudar outras mulheres a conhecerem melhor as características de um homem e, por que não, uma “brincadeirinha” sem efeitos colaterais. Mas será que isso só diverte?

Logo que ouvi falar do Lulu, já previa que, apesar da minha falta de interesse pelo aplicativo, em breve o conheceria mais de perto, fosse no meu consultório ou na minha vida pessoal. Confesso que fiquei bastante incomodada com o que vi. Fez-me lembrar de catálogo que vende sêmen de boi, com a foto do touro, a nota, os resultados obtidos nas provas e com algum selo de qualidade. Infelizmente a semelhança não é mera coincidência. Diria que no caso do Lulu é ainda pior, pois não se sabe a fonte das informações, isto é, qualquer um pode avaliar sem assumir a responsabilidade da avaliação.

Mas se o intuito não é vender sêmen de touro, qual seria o objetivo desta avaliação? Quem consome este catálogo?  O fato é que este aplicativo foi um dos mais baixados nos últimos dias. Isso significa que há muitas mulheres que confeccionam e leem este catálogo. Pergunto: O que motiva alguém a avaliar uma pessoa de modo que a sua avaliação fique exposta para tantas mulheres? O que leva alguém a consultar tais avaliações?

Tal aplicativo possibilita avaliações pejorativas que denigrem a imagem das pessoas e abre espaços para informações falsas, que podem por em risco as relações da vida da pessoa. Como reação a este ataque, o clube do Bolinha fez a versão masculina deste aplicativo – o Tubby – que possui um maior apelo sexual. Felizmente, o Tubby foi proibido no Brasil por uma decisão judicial, antes mesmo do seu lançamento, por ter sido entendido como um motivador da violência contra a mulher, acarretando prejuízos irreparáveis à sua vida. E quanto aos danos decorrentes do Lulu?

O anonimato protege o autor da avaliação de sanções e, muitas vezes, de presenciar os danos que pode causar ao outro. Esta contingência leva à irresponsabilidade dos seus atos, à insensibilidade ao outro, à falta de consciência das suas atitudes. Portanto, é necessário refletir sobre as atitudes que tomamos, principalmente quando se envolve a vida de outrem, mesmo quando se parece algo inocente, comum e divertido.

Por fim, é preciso que caminhemos na direção dos nossos objetivos. Nesse sentido, para se estabelecer relações de intimidade genuínas, é preciso aproximação, sensibilidade, respeito ao próximo, trocas e avaliação de si mesmo, do outro e da relação.


Sobre o Autor

Érica Crepaldi
Érica Crepaldi

Formada em Psicologia pela UEL e especialista em Psicoterapia Analítica Comportamental. Atua em clínica particular em Ribeirão Preto/SP.


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