Vegetarianismo: opção de vida saudável

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Você já pensou sobre como seria sua vida se acabasse a carne em todo o mundo? Como você viveria sem bacon, picanha, bife, pernil ou frango assado? Para muita gente isso não faria a menor diferença: os vegetarianos. Saiba um pouco mais a respeito com o papo descontraído com César e Maíra.

O vegetarianismo ganhou projeção em todo o mundo a partir da década de 60, mas estudos apontam casos de civilizações antigas que não se alimentavam de carne, desde As refeições, além de deliciosas, podem ser muito divertidaso Egito Antigo. Apesar de ser considerado por muitos mais um modismo do que um estilo de vida, o número de pessoas que optam por não se alimentar de carne em nossos dias é cada vez maior.

Várias são as formas de vegetarianismo, desde os mais radicais, que não se alimentam de nada que tenha origem animal (veganismo), até os que evitam apenas a carne bovina e suína (semivegetarianismo). Independentemente da dieta alimentar de cada um, o importante é ter uma alimentação balanceada e viver bem. O músico César Leandro Miguel e a psicóloga Maíra Clara Rodrigues optaram por viver a dieta ovolactovegetariana: não se alimentam de nenhum tipo de carne, mas consumem ovos, derivados do leite e mel.

Essa conversa aconteceu durante o preparo de uma deliciosa refeição vegetariana (cuja receita você confere ao final da matéria), com a companhia do filho de César e Maíra, Levi Rodrigues Miguel. Foi uma experiência de quebra de paradigmas. Pois, mesmo sendo vegetarianos, César afirmou que eles seguem a filosofia vegetariana, mas, acima de tudo, com muita liberdade. “Se eu sentir vontade de comer uma picanha, vou lá e como. Mas, é uma vontade rara de acontecer! (risos)”, disse.
Maíra e LeviQuestionados sobre a dificuldade de viver o vegetarianismo, Maíra enfatizou: “somos minoria e, como toda minoria, sofremos preconceito”. Como exemplo disso, eles afirmaram que ir a restaurantes, ou até mesmo a um jantar na casa de um amigo ou familiar, é um momento de dificuldade. “Sempre que vamos a uma lanchonete e pedimos um salgado sem carne, nos oferecem um de presunto, frango, peixe. Muitas pessoas não entendem que isso é de origem animal e pra gente, é carne!”, disse Maíra. E eles deixam um alerta para os estabelecimentos de Campo Mourão: “Ei, nós, os vegetarianos, existimos”.

O casal afirmou que até tentou viver o “veganismo” em sua radicalidade, mas a questão social torna isso quase impossível. Pois, sempre que vão à casa de alguém, ou quando precisam fazer alguma refeição fora de casa, existe a opção de se alimentar de queijo ou ovo. “Nós fizemos nossa escolha de não alimentar o massacre de animais para exploração do capitalismo. Não contribuímos com essa indústria. Mas vivemos isso na maior liberdade, fazemos nossa parte”, lembrou César.
A opção de ambos – mesmo ainda sem se conhecerem e em épocas diferentes – veio de experiências pessoais, conversas com amigos vegetarianos, leituras de materiais sobre o tema e vídeos que marcaram muito suas vidas. Primeiro Maíra, no ano de 2006. “Eu estava pensando em várias questões relacionadas à forma de viver no mundo e parti em busca de alternativas”, lembrou Maíra. César se tornou vegetariano dois anos depois. “Essa opção me fez mudar muita coisa na vida. Tive uma mudança holística. Comecei a pensar e olhar o mundo sob uma perspectiva diferente”, afirmou.

O vegetarianismo foi até o motivo de uní-los. A primeira pergunta que César fez a Maíra foi: “Você come animais?”. Ela lembrou que a pergunta dele foi fundamental para que ela tivesse interesse por ele: “Surgiu um brilhinho nos olhos”, comenta. Como moravam em Maringá era mais fácil, pois lá existem várias opções de alimentação vegetariana, como restaurantes temáticos e até um café.

Manter a forma
A alimentação vegetariana, por si só, já é saudável, mas eles insistem que é preciso balancear, pois existem vegetarianos acima do peso. O consumo exagerado de algumas sementes, como nozes e castanhas, pode prover uma quantidade excessiva de carboidratos, que favorece o sobrepeso. Mesmo para vegetarianos, a regra é a mesma que vale para qualquer ser humano: toda caloria que se consome e não se gasta, vira tecido adiposo.

Financeiramente, o mito de que vegetariano gasta mais, segundo César e Maíra, não é verdadeiro. Alguns produtos até são mais caros, mas, em média, se gasta o mesmo que em uma alimentação “carnívora”. Eles se alimentam de arroz integral, frutas e verduras de origem orgânica (cultivadas sem agrotóxicos), frutas secas, grãos, sementes, raízes, germinados, ovos, derivados do leite e mel.
O bebê do casal, Levi, que tem pouco mais de um ano, nunca consumiu carne, mas esbanja saúde. Os pais afirmam que, entre os cuidados que tomam, um é o de não deixá-lo consumir açúcar industrializado e pedem, ao menos enquanto ele não tem conhecimento do que faz, que evitem Levi não come carne, mas adora legumesdar a ele carne. “Mas, como ele está no processo de descobrir as coisas pela boca, não proibimos ele de colocar um pedaço de carne, ou outro alimento, por exemplo. Faz parte desse momento de desenvolvimento”, afirmou Maíra. Ela também disse que não vai forçá-lo a ser vegetariano, ele vai ser livre para escolher o que quiser.

Qual o primeiro passo?
Você leu a matéria e sentiu vontade de tentar mudar sua alimentação para uma dieta vegetariana, ou já tinha esse desejo, mas não sabia como começar? César e Maíra dão a dica: “não vá com muita vontade. Mude seus hábitos aos poucos. É preciso balancear a dieta, redescobrir os alimentos e suprir todas as necessidades nutricionais”. Eles enfatizam que não basta não comer carne e começar a comer lasanha e pizza. “No começo todo mundo faz isso. Mas é preciso substituir alguns alimentos. O arroz branco, por exemplo, ele é puro amido, não tem os nutrientes necessários. Nesse caso o integral é o ideal”, lembrou Maíra. “Como você não vai comer carne, tem que se cuidar para não desenvolver uma anemia. Por isso é importante consumir grãos, ovos e legumes”, afirmou César. O importante é encontrar sua própria maneira de viver essa opção e, claro, o recomendável é que se procure um nutricionista.

Entre os vídeos principais que o casal recomendou estão “Terráqueos” (Earthlings), um documentário norte-americano que mostra como funcionam os sistemas de abate industrial e “A Carne é Fraca”, brasileiro, sobre os impactos que o ato de comer carne representa para a saúde humana, para os animais e para o meio-ambiente. Ambos os vídeos estão disponíveis na internet e, segundo eles, são uma ótima forma de se compreender o que o ato de não comer carne pode ajudar a evitar.
O importante é fazer uma escolha pessoal e ser feliz com ela. Pode levar um tempo, mas, aos poucos, o hábito de não comer carne é praticável e pode fazer muito bem. “Tem que ser algo tranquilo, não um terrorismo”, concluiu Maíra.

Classificações dos estilos de alimentação natural

Tipos de vegetarianismo:
Semivegetariano: só restringe o consumo de alimentação de carnes bovinas e suínas.
Ovolactovegetariano: não se alimenta de nenhum tipo de carne, mas consume ovos, leite, derivados de leite e mel. É o tipo mais popular de vegetarianismo.
Ovovegetariano: não come carne, nem leite e seus derivados. Mas, alimenta-se de ovos e mel.
Lactovegetariano: não consome carne, nem ovos. Mas, se alimenta de leite e derivados.
Vegetarianismo semiestrito: exclui quase todos os alimentos de origem animal, à exceção do mel.
Vegetarianismo estrito: chamado também de vegetarianismo verdadeiro, é uma dieta que exclui todos os produtos de origem animal.
Vegano: tipo mais radical de vegetariano. Não se alimenta de nenhum produto de origem animal: carnes, peixes, aves, laticínios, ovos, mel, gelatina, etc. Evita também o uso de couro, lá, seda e demais produtos que contêm alguma matéria-prima de origem animal, como sabonetes, xampus, detergentes, perfumes, etc.

Outros tipos de dietas naturais
Flexitariano: são pessoas motivadas para o vegetarianismo por razões de saúde, ecológicas ou econômicas. Em casa são vegetarianos, mas, fora de casa, em um jantar em casa de amigos, churrasco, etc,  não pedem um prato vegetariano especial e consomem carne ou peixe.
Crudívoro: o crudivorismo admite apenas a ingestão de alimentos crus.
Frugívoro (ou frutívoro ou frutariano): sistema alimentar que admite apenas o consumo de frutas e sementes cruas na alimentação.
Freegano: come aquilo que encontra no lixo. Apesar de os freeganos serem mais radicais que os veganos ao se recusarem a comprar qualquer tipo de alimento, eles também são mais flexíveis, já que não têm objeções éticas a comer produtos animais que foram jogados fora.

 

Almoço Vegetariano – por Maíra C. Rodrigues

Petiscos:
Tâmaras secas, damascos em passas, ameixas secas, uvas passas claras e escuras, castanhas-do-pará e nozes pecan.

Almoço:
Berinjela recheada, arroz integral, grão-de-bico e saladas

Berinjela recheada:
4 berinjelas cortadas ao meio no sentido longitudinal
½ xícara de nozes pecan
½ xícara de castanha-do-pará
2 colheres de tahine (pasta de gergelim)
½ cebola picada
½ xícara de cheiro verde picado
1 xícara de mussarela ralada
Limão, orégano e sal a gosto

Cozinhe as berinjelas em água, por aproximadamente 3 minutos e reserve. Triture as nozes e as castanhas e reserve. Retire o miolo da berinjela e bata no liquidificador com o tahine, o limão e o sal, até que fiquem com uma consistência cremosinha. Misture a pasta com as nozes e castanhas trituradas, a cebola e o cheiro verde. Recheie as berinjelas e leve ao forno por 20 minutos. Acrescente a mussarela e o orégano e leve ao forno ate derreter.

Dica: Antes de rechear as berinjelas, regue-as com azeite e coloque uma pitada de sal para que fiquem mais saborosas.

Arroz integral:
Arroz integral cozido somente em água com tempero Chimichurri a gosto.

Dica: não utilizar óleo no cozimento, pois ele cria uma “proteção” que impede o arroz de cozer, aumentando o tempo no fogo.

Grão-de-bico:
Grão-de-bico cozido, cebolinha picada e tempero a gosto.

Saladas:
– Cenoura cozida, brócolis cozido e palmito em conserva. Tempero a gosto.
– Tomate cereja, repolho roxo picado e rúcula. Tempero a gosto.

 

Sobre o Autor

Renato J. Lopes
Renato J. Lopes


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