Diego “Got Talent”

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Diego em seu espetáculo solo "Insightfulness"Existem momentos na vida em que é preciso começar do zero e redescobrir as próprias capacidades. Foi assim que o mourãoense Diego Oliveira, 26, decidiu se mudar para a Holanda e conquistar seu espaço, com a dança, do outro lado do oceano.

Desde criança, Diego era um menino que estava sempre se movimentando. Ele vivia nas ruas, nas matas e nos rios, explorando, desde túneis subterrâneos, até os telhados das casas da vizinhança. Mas a dança começou a tomar corpo em sua vida, quando, aos 10 anos, ele ganhou uma bolsa para cursar dança na Academia Dancing Days, em 1998. “Comecei fazendo aulas de jazz. Tive que usar roupas específicas e sapatilhas. Naquela época, ainda havia muito preconceito, mas eu não tava nem aí. Fiquei super empolgado desde o primeiro dia e queria mesmo era aprender e mostrar que eu conseguia”, recorda. Ele era uma criança muito ativa, pois além de dançar, fazia karatê, capoeira, andava de skate, jogava futebol e basquete.

Com tantas atividades assim, Diego teve que se decidir: “um dia, quando eu tinha 15 anos, tive que escolher entre ir pra segunda fase do campeonato paranaense de futebol ou dançar o espetáculo de dança da escola. Não pensei duas vezes, escolhi a dança. Meus amigos riram, mas eu já sabia o que queria”.

No ano de 2003, ainda com 16 anos, ele assumiu a responsabilidade de dar aulas de dança contemporânea e street dance, além de criar espetáculos para teatro com o Grupo Corpore. E não parou por aí. Em menos de um ano ele foi convidado pra dançar na Verve Companhia de Dança. “Pela primeira vez tive a oportunidade de me ver como dançarino profissional. O processo criativo e os palcos expandiram minha percepção e toda inspiração que ganhava ali, dia após dia, me deu ferramentas pra criar meu caminho na dança. Posso dizer que tive sorte de viver em um ‘tempo de flores’ pra dança em Campo Mourão”, lembrou.

E como ele foi parar na Holanda? Sua mãe havia ido embora para Amsterdam em 2006, mas foi só em 2009 que ele tomou a decisão de ir. “Eu gostava da minha vida no Brasil, porém já premeditava meu futuro. Eu queria mesmo era ir pra um lugar onde ninguém me conhecesse e tomar o desafio de começar do zero”, ressalta.  E nada melhor que Amsterdam, um lugar multicultural. Assim, ele foi pela primeira vez em janeiro de 2009, morando lá por um ano e sete meses, quando ele conheceu sua namorada Linda. Ela foi o motivo de ele retornar, após passar dez meses no Brasil, quando estudou na Faculdade de Artes do Paraná – FAP, em Curitiba. Em junho de 2011, ele voltou para Amsterdam pra ficar.

A vida na Europa não foi nada fácil para Diego. Para sobreviver ele fez de tudo: desde lavar louça em restaurante, garçom, faxineiro, pintor, até montar e desmontar tendas em festivais; antes de conseguir trabalhar só com a dança. “Desde o começo dava algumas aulas e fazia umas performances em festas. Cheguei a dançar no Holland’s Got Talent, em 2010. Fomos até a semifinal. Fui e também participei do ‘Juste Debout’ de Paris, que é o maior evento de danças urbanas do mundo e sempre tive vontade de conhecer”, afirma.

A pluralidade na vida de Diego se manifestou também em sua carreira na dança. Para ele, a dança contemporânea é a sua modalidade preferida, por lidar com o corpo, independente de estilo. Mas, por outro lado, ele tem uma longa história com o street dance. “Estilos como Hip Hop Dance, House Dance, Locking e Popping, que vêm da época de club, dos anos 70, são danças sociais/técnicas que me fascinam muito e são estilos que, ao lado da dança contemporânea, fazem parte da minha rotina de trabalho”, pondera.

Atualmente ele dá 15 aulas por semana em diferentes lugares pela Holanda, onde também faz coreografias para espetáculos anuais. Trabalha como dançarino em 10 organizações diferentes, entre escolas e produções, onde atua como performer, incluindo a própria, Lovers of Movement, em Amsterdam. No tempo livre, ele desenvolve uma peça solo chamada “Insightfulness” (perspicácia), que estreou no ano passado.

E do que ele sente mais falta, da cidade em que ele viveu até os 21 anos? “Quando penso em Campo Mourão, penso nos churrascos de fim de semana com a família, ou os rolês com os amigos pra usina ou pra alguma cachoeira. Mas, contudo, o que sinto mais falta, no dia a dia aqui, é o calor humano que nós brasileiros temos de mais e os holandeses de menos”, conclui.


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Renato J. Lopes
Renato J. Lopes


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