Stephen, King of (New) England

3

Eu cresci com verdadeiras enciclopédias em casa. Falavam de tudo, assuntos variados e comentários imparciais. Quando fiz 13 anos eu já havia lido dois terços de todos os livros – adequados até aquela idade – que essas enciclopédias me recomendaram (Coleção Calouro approved!). Tom Sawyer foi o meu primeiro! Essas enciclopédias, Dirce e Ademar Salvadori (aka mãe e pai), fizeram disponível todo o tipo de informação que uma criança ainda não precisa. No entanto, agradeço essa oportunidade, que fez de mim e meus irmãos verdadeiros geeks, por assim dizer. É por isso que hoje não julgo o livro pela capa (literal e figurativamente) e me permito alguns regalos, como, por exemplo, comprar um livro que já tenho na estante só porque a nova edição tem o prefácio escrito por ninguém menos que o rei. Não, não estou falando de Elvis ou de Roberto Carlos. Digo o “rei”, literalmente, Stephen King, thank you very much!
Stephen King
. Não se diz “Stéfen”, nem “Stífen”, Stephen, com V: “Stíven” King! Engraçadinha essa língua inglesa… Enfim, aos 13 anos eu havia esgotado a Coleção Calouro do meu pai, então comecei a fuçar nas estantes de casa e me deparei com o que veio a se tornar o início de um relacionamento platônico. Li meu primeiro King. Carrie, de 1974, primeiro livro publicado desse jovem escritor que, mais tarde veio a se tornar conhecido como o Mestre do Terror. Estava lá, na estante, como disse ali em cima, olhando pra mim. O interessante é que minha mãe tinha (tem até hoje) paúra de livros de terror, e meu pai não se lembrava de ter lido o livro. Estava ali esperando por mim, tive certeza.
Se tornou, desde então, o meu gênero literário favorito. Não livros de terror. Stephen King. Sim, o considero um gênero itself, não havendo nada igual. E recomendo a todos, sem nenhum porém. Há inúmeros motivos pelos quais simplesmente adoro ler suas histórias, e, pode até ser que você também goste dele, mas sem saber. Quer ver só?

* Você provavelmente já assistiu Stand by Me (Conta Comigo), Misery (Louca Obsessão), Apt Pupil (O Aprendiz), The Shawshank Redemption (Um Sonho de Liberdade) ou The Green Mile (À Espera de um Milagre). Você sabia que, originalmente, são todas histórias escritas por Stephen King? Embora seu universo seja, na maioria, rodeado de horror e fantasia, ele escreveu diversas histórias que são mais íntimas que assustadoras. Ainda, você sabia que The Shawshank Redemption é considerado (pelos usuários e críticos do IMDB) como o melhor filme já feito?

Além desses filmes, a marca desse maravilhoso (sim, ma-ra-vi-lho-so) autor está espalhada por todos os lados, e inúmeras referências de seu trabalho são reconhecidas nos mais variados gêneros de entretenimento. De repente (sim, de repente é separado! Engraçadinha essa língua portuguesa também!) você até já se deparou com uma dessas referências e nem percebeu, ou nem sabia de onde vinha.

Se você ainda não assistiu nenhum desses filmes, esteja avisado de que os clipes a seguir podem ser SPOILERS!

  • Um cão enfurecido vai, eventualmente, ser chamado de Cujo.
  • A cena do banho de sangue em Carrie é regularmente copiada, “homenageada”, se posso dizer assim.
  • O mesmo se aplica à cena de Jack Nicholson em The Shinning (O Iluminado): “Heeeeere’ssss Johnny!”
  • “Jovens” da minha geração provavelmente dividem comigo o pavor que tenho de palhaços, graças ao filme IT.

Além disso, Mr. King faz cameos em muitos de seus filmes, em filmes de outros autores, e até em séries de TV!

Outro motivo pelo qual admiro imensamente esse escritor é a sua criatividade. Sua escrita já me pegou desprevenida algumas vezes. Sempre que lia um de suas histórias pela primeira vez, encontrava algo que a conectava com alguma outra. Foi então que tentei – depois que me dei conta – ler seus livros em ordem cronológica de lançamento. Ajudou. Digo isso porque meu querido Stephen tem o “hábito” não somente de nomear cidades fictícias (ex.: Derry, Castle Rock, Haven, Jerusalem’s Lot – todas no estado do Maine – que é parte da região conhecida como New England) mas também de citá-las em diferentes histórias, assim como personagens de outros livros. Por exemplo, uma das minhas referências preferidas é em The Tommyknockers, quando um personagem da cidade de Haven atravessa a cidade de Derry durante uma viagem, e tem a impressão de avistar “um palhaço, com olhos de prata, segurando um punhado de balões, dentro de um canal de esgoto”. Ele claramente avistou o palhaço de IT. E assim por diante, Stephen nos leva numa verdadeira jornada em suas histórias, cheias de conexões surpreendentes.

E, quer saber mais um fato interessante? Sabe aquela produtora de TV e cinema, a Castle Rock Entertainment? http://www.youtube.com/watch?v=GbXYGqh98GE Pois então, foi fundada por Rob Reiner (diretor de Stand By Me e Misery), e nomeada assim em homenagem à cidade fictícia de Stephen King (que, por sua vez, a nomeou a partir a ilha fictícia de Castle Rock, em Lord of the Flies – novela ganhadora do Prêmio Nobel, de William Golding).

 

E pensar que, além disso (e além de muitos outros fatos que não vou ter tempo de mencionar agora), Mr. King costumava tocar em uma banda – Rock Bottom Remainders – aposentada desde Junho deste ano (juntamente com outros escritores igualmente famosos, incluindo The Simpsons’ Matt Groening e Maya Angelou!) Tudo isso e ainda tem tempo de escrever encartes de CDs do Robbie Zombie, ler Harry Potter e dar entrevistas hilárias em talk shows accross America.
Deu pra ter uma idéia, não deu? Não venha me dizer agora que não gosta de Stephen King porque sei que não vai ser inteiramente verdade. Alguma coisinha dele você deve ter gostado – não que o que ele escreve possa ser classificado como “coisinha” – então não sinta-se culpado em dar o braço a torcer. Todos temos deslizes, afinal, “everything’s eventual”.

 

 

 

 

 

 

 

Mila Salvadori, a 3.387 milhas do Maine.


Sobre o Autor

Mila Salvadori Solverson
Mila Salvadori Solverson

Mila Salvadori Solverson - publicitária e barista, aproveita as folgas para viajar, ler livros de terror e brincar de Lego com sua filha Berlin.

3 Comentários


  1.  
    Dirce Bortotti Salvadori

    Mila, seu texto está muito bom e a foto ficou deveras representativa.




  2.  

    Vc vai longe desse jeito. Gostei muito da matéria.





Deixe uma Resposta


(obrigatório)


Nunca mais perca uma postagem. Informe o tipo de conteúdo que você deseja receber e ganhe um cupom de desconto para uma compra na metropolestore.com.

Fica tranquilo, não enviamos spam.