Cine Fecilcam Cinema Itinerante

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Quase 100 sessões, cerca de 30 cidades e mais de 15 mil pessoas beneficiadas com o projeto
Cine Fecilcam (Unespar), um cinema itinerante que leva cultura nacional por meio de exibições de filmes para toda a região de Campo Mourão.

Cine-Fecilcam-Grupo-IMG_1544A ideia surgiu no ano de 2009, quando a professora Áurea Andrade Viana de Andrade assumiu a Assessoria de Assuntos Comunitários, Ingresso e Permanência, da Faculdade Estadual de Ciências e Letras de Campo Mourão – FECILCAM/UNESPAR. A partir desse compromisso com a instituição, houve maior aproximação com a comunidade, especialmente as comunidades de bairros, zonas rurais, movimentos sociais, sindicais e religiosas. Também realizou um diagnóstico socioeconômico e cultural em que se percebeu que havia um grande vazio demográfico de aparelhos de cultura nos municípios da Região.

Segundo a Ancine – Agência Nacional do Cinema, o ideal é ter uma sala de cinema para cada 30 mil pessoas, enquanto que em nossa região, existe uma sala para 300 mil habitantes.  Foi assim que se começou a pensar em uma solução que amenizasse essa situação, visto que não era possível criar uma sala de cinema em cada município e era inviável criar uma sala na faculdade e levar as pessoas de toda a região para lá. Áurea esclarece que, mesmo que a cidade de Campo Mourão invista muito em cultura e tenha grande respaldo nacional quando se trata dessa área, as cidades ao redor, no início do projeto, ainda estavam estagnadas quanto aos investimentos em cultura.

Foi quando começou a se concretizar o projeto de fazer o cinema itinerante, para levar até as comunidades mais carentes a riqueza do cinema, com foco nos filmes nacionais. “Decidimos levar o cinema nacional para que as pessoas passem a gostar dos filmes nacionais e criem uma identidade cultural por meio do acesso aos filmes. Na atualidade, o que se vê é uma grande valorização do cinema de Hollywood, das super produções, principalmente entre os jovens. Temos que fazer com que nossos jovens passem a gostar também do cinema nacional”, afirmou. Segundo Áurea, o foco são filmes de qualidade, sem o foco comercial daqueles que passam na televisão.

“Assim, entendemos que poderíamos contribuir para a formação dos sujeitos sociais da região, bem como na humanização e sensibilização das pessoas e, sobretudo, contribuir para identidade da nossa cultura”, disse.

Para conseguir os filmes, a equipe entra em contato com as produtoras, a fim de obter a liberação dos filmes para a exibição em praça pública.

Romantismo

A exibição em praça pública remete a épocas clássicas, quando nas cidades do interior, aconteciam as sessões de cinema em praça pública, que de certa forma, veio das origens de Áurea. “Lembro-me de quando era pequena, aproximadamente entre 4 a 5 anos, havia exibição de filmes, em projetor de 35 milímetros para minha família e toda a vizinhança. Os filmes normalmente eram de Lampião e Mazzaropi. Ficávamos fascinados com as imagens. Esse evento ficou em minha memória”, lembrou. Ela também lembra que, em praça pública, a pessoa que assiste tem mais liberdade, pois se ela não quiser assistir até o fim, ela se levanta e vai embora, mas a maioria fica até o final. “Só quando ocorrem casos de muito frio, vento ou chuva, as pessoas ficam um pouco temerosas”, ressaltou.

Esse tipo de trabalho acontece com frequência no nordeste, inclusive, a equipe da Unespar entrou em contato com vários projetos que acontecem no interior da Bahia, como o da UESB. A diferença é de que o projeto de lá é menor, enquanto que aqui, já se começou com uma boa estrutura. “Na época em que idealizamos o projeto, conseguimos recursos do Governo do Estado, por meio da Fundação Araucária e da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior – SETI, o que nos possibilitou a aquisição de equipamentos de qualidade: um telão, um projetor digital, uma van Ducato, cadeiras e som”, enfatizou. Tudo isso permitiu que o projeto fosse colocado em prática.

Imagem-029Além de levar o cinema nacional, o Cine Fecilcam também promove o diálogo entre a comunidade e a instituição, mostrando para a população que existe uma opção de Ensino Superior público e gratuito ao qual ela pode ter o acesso. Durante os dois anos de projeto foram atendidos todos os 25 municípios da região da Comcam, além de solicitações de municípios de outras regiões, mas, não dá para atender a todos. “Nós acompanhamos a equipe em algumas exibições, sendo duas delas fora da Mesorregião Centro Ocidental. Temos outros pedidos de outras Regiões. A exemplo de Irati, que não atendemos, pois o projeto está na fase de finalização do edital do Universidade Sem Fronteiras, que encerrará as bolsas e os recursos para manutenção. Assim, fica difícil dar continuidade no projeto em razão da falta de pessoal fixo e de recursos”, disse a orientadora, professora Nair. Segundo ela, nesse período, foram desenvolvidos dois projetos de pesquisa: “O Homem do Campo representado nas produções cinematográfica de Amácio Mazzaropi” e “A valorização da cultura por meio do Cinema Itinerante no Município de Corumbataí do Sul – PR”. As pesquisas trazem discussões e reflexões sobre os filmes de Amácio Mazzaropi e como as pessoas vêem o cinema brasileiro, na região.

A maior dificuldade para o trabalho é a manutenção dos bolsistas do projeto, visto que as exibições normalmente são realizadas com auxílio desses, pois, as professoras têm outras atividades de Ensino, Pesquisa e Extensão, o que dificulta a dedicação de mais tempo ao Projeto Cine Fecilcam. Hoje, o projeto conta, além da coordenadora, professora Áurea, com uma professora orientadora, Nair Glória Massoquim; as egressas Marta Diniz Prestes de Sá e Daiani de Paula Rosário; e as estudantes Marta da Silva Moraes, Sauriane de Fátima Viana e Luciana Figueiredo.

Futuro

O projeto teve início em 2010, mas, a primeira exibição aconteceu em maio de 2011, em frente ao campus da Unespar. Como o projeto teve dois anos de duração, acaba em agosto deste ano. Após esse período a equipe está tentando captar mais recursos para dar continuidade ao projeto e mesmo que não os obtenham do governo estadual ou federal, ele, possivelmente, continuará com os 03recursos da instituição, mas com menos frequência, visto que serão mais escassos. “Ao invés de 3 exibições semanais, conforme ocorre normalmente, poderá reduzir para uma exibição”, ressaltou.

Entre os projetos para o futuro, há a possibilidade de um trabalho em conjunto com o Campus de Curitiba II – Faculdade de Artes, no Curso de Cinema da Unespar, para tentar promover a produção de curtas, agregando workshops com profissionais da área para estimular a criação. “Ideias a gente têm, o que falta é implementação e recursos”, concluiu Áurea.


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Renato J. Lopes
Renato J. Lopes


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